Irmão de Richa recebeu R$ 1 milhão em espécie da JBS, diz delação

Foto: Arnaldo Alves/ANPr
Foto: Arnaldo Alves/ANPr

O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou o acesso para a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, nesta sexta-feira (19). Em mais de duas mil páginas, os empresários relatam esquemas de pagamento de propina para 1.829 candidatos de 28 partidos no Brasil. De acordo com a delação, parte das propinas eram pagas por meio de doações oficiais. Entre os citados está o governador do Paraná Beto Richa (PSDB).

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De acordo com o empresário Joesley Batista, a JBS usou doações oficiais para pagar propina a políticos que deram contrapartidas para beneficiar a empresa. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário explicou como funcionava o esquema de compra de políticos e confirmou que foram repassados recentemente cerca de R$ 500 milhões para agentes públicos.

Joesley estimou que a empresa fez doação oficial de cerca de R$ 400 milhões em troca de contrapartidas e mais R$ 100 milhões por meio de moeda em espécie e notas fiscais falsas. Aos procuradores, Batista confirmou atos de corrupção que foram cometidos pela empresa, senadores, deputados, ex-presidentes da República. Joesley afirmou que a maioria das doações oficiais feitas pela JBS era propina disfarçada por contrapartidas recebidas.

Pepe Richa é secretário de Infraestrutura e Logística | Foto: Sandro Nascimento/Alep

Pepe Richa é secretário de Infraestrutura e Logística | Foto: Sandro Nascimento/Alep

No anexo 36 da delação premiada, os empresários relatam que o método de pagamento era sempre determinado pelo político e podia variar entre doação oficial, pagamento de notas fiscais avulsas ou entrega de dinheiro em espécie. Os irmãos Batista entregaram um relatório do “reservatório de boa vontade” aos investigadores. Entre eles figura o governador do Paraná, Beto Richa, que teria recebido R$ 1 milhão em espécie das mãos de Ricardo Saud que foram entregues a José Richa Filho, o Pepe Richa, irmão do governador.

Trecho da delação

Trecho da delação

Outro lado

Em nota, o diretório estadual do PSDB afirma que todas as doações são legais. “O Comitê Financeiro da Campanha Eleitoral de 2014 do PSDB esclarece que recebeu duas doações do grupo JBS S/A, nos valores de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e R$ 1.000,00 (um mil reais), respectivamente. As referidas doações estão declaradas na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral e em conformidade com a legislação vigente à época das eleições de 2014”, diz a nota.

Procurada, a assessoria de imprensa do governador não se manifestou sobre o caso.