Partido das favelas chega ao Paraná

Reprodução / Facebook / Frente Favela Brasil - PR
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Thiago Machado, Metro Jornal Curitiba 

Depois de comunicar ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no último dia 30, que obteve o registro no cartório civil, o Frente Favela Brasil prepara a fase de coleta de assinaturas – são necessárias quase 500 mil para a criação oficial do partido.

No Paraná, segundo os organizadores, já há voluntários em seis cidades além da capital. Em Curitiba são 70. “As fichas de assinatura já chegaram, esperamos a liberação nacional para dar início ao recolhimento”, conta José Antonio Campos Jardim, que é presidente da Cufa-PR (Central Única das Favelas – Paraná).

“Cada um dos voluntários vai convidar mais duas ou três pessoas e nós vamos fazer uma grande rede. Como a coleta será conjunta nos 27 Estados creio que vamos conseguir até mais do que 500 mil assinaturas”, aposta.

A frente foi criada no ano passado e pretende ser a representante dos moradores de favelas nas casas legislativas. A partido também definiu que os negros serão protagonistas nos seus quadros. “Os negros são 54% da população e há 112 milhões de pessoas vivendo nas favelas. Essas pessoas não estão representadas nas câmaras e assembleias”, fala José.

Para o ano que vem ainda não há definição se haverá apresentação de candidatos. Em maio, no entanto, a Frente contratou uma pesquisa eleitoral restrita ao Rio de Janeiro, em que sondou a popularidade de dois possíveis nomes: os rappers MV Bill e Nega Gizza.

“Por enquanto nós estamos concentrados em obter esse registro oficial”, diz José, adiantando que pelo seu compromisso com a Cufa não será candidato e nem se filiará ao novo partido. “Eu sou um entusiasta da proposta, acredito que essa população tem que ser representada”, diz.

Curitiba

Na capital os encontros da Frente estão ocorrendo provisoriamente na Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio, que foi a primeira instituição da comunidade negra paranaense a ser criada depois da abolição da escravatura.

64,3% acham ideia ótima ou boa

Segundo uma pesquisa de opinião bancada pela Frente Favela Brasil com eleitores do Rio de Janeiro, 20% dos entrevistados avaliaram como ‘ótima’ a criação do partido, e 44,3% a consideraram ‘boa’. Já 16% consideram a proposta “regular”; e “ruim” e “péssimo” somaram 11,3%.

A aprovação é menor entre os mais velhos (18,4% dos acima de 60 anos consideraram a ideia péssima ou ruim) e maior entre os jovens: dos 16 aos 24 anos, só 3,1% desaprovaram.

O levantamento foi feito pelo IPBS (Instituto Brasileiro de Pesquisa Social) com 1.208 entrevistas realizadas entre os dias 2 e 6 de maio. O Frente Favela Brasil também consultou a popularidade eleitoral de possíveis representantes: MV Bill e Nega Gizza.