“Quem vai substituir a política?”, questiona Aldo Rebelo, em Curitiba

Foto de Francielly Azevedo
Foto de Francielly Azevedo

Com Francielly Azevedo

O ex-ministro e ex-deputado Aldo Rebelo (PCdoB) afirmou, nesta sexta-feira, em Curitiba, que o combate à corrupção não pode eleger a política como inimiga. Para ele, é preciso louvar, estimular e reconhecer o esforço de combate à corrupção, mas para permitir que a política tenha mais legitimidade para cumprir sua missão social.

“Não há um outro substituto para esse instrumento de exercício do poder. Ou a política dirige os destinos da sociedade, ou vai haver uma competição entre as corporações para saber qual que tem legitimidade de substituí-la. É quem, a imprensa, o ministério público, o judiciário, a polícia federal? Quem vai substituir a política?”, indagou.

Rebelo esteve em Curitiba para o IV Simpósio do projeto SOS Brasil Soberano, que faz parte de sua agenda por buscar união pela soberania nacional. “A soberania é o princípio que rege essa época histórica das nações. É um pressuposto da democracia, dos direitos sociais, dos direitos políticos, e a soberania amplia seu conceito porque não é apenas soberania jurídica, é científica, tecnológica, econômica, financeira, alimentar, ou seja, o país tem uma série de requisitos a proteger para se considerar, de fato soberano”.

Questionado sobre a sentença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado, na quarta-feira, a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Rebelo disse que ao determinar o impedimento de que Lula exerça cargos públicos, o juiz Sérgio Moro teria deixado clara sua intenção com a sentença. “A sentença já estabelece, lamentavelmente, uma busca da interdição do presidente Lula para o exercício da atividade pública. Nem precisava declarar porque a condenação por si só já mostra seu objetivo, político. Não conseguiram provar que ele é dono do apartamento, mas pelas convicções que agora regem as decisões judiciais, chegaram à condenação. E quando o juiz diz que é preciso interditá-lo para o exercício da atividade pública, é a declaração que era esse o objetivo”, afirmou.

Nem vice de Lula, nem de Maia

Apontado como um dos nomes que para formar chapa com Lula em 2018 e, também, como possível nome para uma composição numa possível eleição indireta, como vice de Rodrigo Maia (DEM), Aldo Rebelo disse não alimentar tais especulações. “São especulações e eu não trato como coisa oficial, deixo no campo das conversas de botequins, que são boas conversas, mas não são oficiais, nunca tratei disso com ninguém, não tenho mandato, estou fazendo esse movimento de união nacional”, afirmou. Sobre a chapa com Maia, numa grande aliança envolvendo todas as correntes políticas, ele disse ser “especulação de gente que tem opinião sobre tudo. Pela situação do país, de confronto, enfrentamento, intolerância, isso é inviável”.