Senadoras desocupam Mesa e sessão do Senado é retomada

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Depois de sete horas de protestos da bancada de oposição, lideradas pelas senadoras Gleisi Hoffmann (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), Regina Sousa (PT-PI) e Lídice da Mata (PSB-BA), que ocuparam a Mesa do Senado, impedindo a votação da reforma trabalhista, a sessão foi retomada por volta das 18h45 desta terça-feira. Mesmo sem acordo sobre emendas e ítens da reforma a serem alterados, as senadoras decidiram desocupar a Mesa após apela do presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

As senadoras de oposição tinham apresentado três condições para deixar a Mesa e liberar o plenário para a votação: a abertura das galerias para que lideranças sindicais acompanhem a sessão; a autorização para que todos os senadores, e não apenas os líderes, possam falar durante a votação; e a aprovação de um destaque para impedir que gestantes ou lactantes trabalhem em locais insalubres.

Por volta das 12h30, a senadora e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) Gleisi Hoffmann cumpriu a promessa feita durante o lançamento da Frente Suprapartidária por Eleições Diretas Já”, no último sábado em Curitiba, e ocupou a cadeira da presidência do Senado nesta terça-feira (11) para paralisar a votação da Reforma Trabalhista. A parlamentar paranaense foi acompanhada inicialmente pelas senadoras Fátima Bezerra (PT-RN) e Vanessa Grazziotin (PC do B-AM). Outras senadoras acompanharam o movimento logo depois.

Irritado com a situação, o presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB-CE) decidiu suspender a sessão e ordenou que os microfones fossem cortados e as luzes apagadas. “Nem na ditadura se fazia isso”, reclamou. A ocupação já dura mais de uma hora.

Questionada se a atitude era democrática, a senadora declarou que o Brasil vive uma situação de anormalidade. “No momento em que nós não temos uma situação de normalidade, temos um golpe e um presidente denunciado. Não nos resta alternativa que não seja uma atitude anormal. Eles vieram para cá pra aprovar em uma hora essa reforma”, declarou. “Os trabalhadores não podem discutir. Não podem entrar no Congresso. É muita maldade tirar direitos de trabalhadores que ganham dois salários mínimos”, disse Gleisi.