STF decide afastar deputado paranaense Rodrigo Rocha Loures

Rodrigo Rocha Loures

 

O deputado paranaense Rodrigo Rocha Loures (PMDB), que teria sido filmado recebendo R$ 500 mil em uma mala, como propina, deve ser afastado da Câmara. A determinação é do relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin e, para ser oficializada, ainda precisa ser notificada ao parlamentar. Apesar disso, o ministro decidiu submeter ao plenário do STF o pedido de prisão de Rocha Loures.

A Polícia Federal teria filmado o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS, segundo delações de executivos do grupo. Segundo Joesley, Loures teria sido o indicado pelo presidente Temer para resolver uma questão de interesse do grupo. De acordo com a delação de Joesley, ele pediu ajuda ao presidente para resolver uma pendência do grupo no Cade, órgão de controle da liberdade de concorrência.

O empresário disse à Procuradoria que Temer lhe sugeriu procurar Rodrigo Rocha Loures. O deputado é um dos principais homens de confiança de Temer, já ocupou o cargo de assessor especial da Presidência até março, quando voltou à Câmara no lugar do ministro da Justiça, Osmar Serraglio. No governo Dilma Rousseff, foi chefe de Relações Institucionais da Vice-Presidência quando o cargo era ocupado por Temer.

Em um vídeo divulgado na internet, Michel Temer elogia a atuação de Rocha Loures, a quem chama de “belíssima figura da vida pública brasileira”.

“Ele aqui operava, não só auxiliando a mim, no Brasil todo, mas também basicamente como uma espécie de embaixador do Paraná e embaixador dos municípios do Paraná. O Rodrigo fez um belíssimo trabalho… e é por isso que dou esse depoimento verdadeiro, real , em relação a essa belíssima figura da vida pública brasileira que é o Rodrigo Rocha Loures”, afirma.

Em um vídeo publicado nesta quinta-feira (18), o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, contesta o que chama de “julgamento antecipado”, e defende que as delações que envolvem o presidente Michel Temer sejam apuradas.

“Essa delação traz fatos que tem que ser sim investigados, mas não se tem ninguém condenado antecipadamente. Nós temos que ver o que efetivamente foi dito. Olha, o poder judiciário fica com a questão das delações, nós do governo temos que nos encarregar de governar. O Brasil, os brasileiros não querem parar, não vão parar. O Brasil não vai parar”, disse.

Segundo o jornal “O Globo”, Joesley se encontrou com Loures e pediu ajuda em questão que envolve o preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica EPE, usina que pertence ao grupo. O empresário afirma na delação que Loures ligou para o presidente em exercício do Cade e pediu solução para o caso, em troca de R$ 500 mil semanais por 20 anos.

A entrega do dinheiro, feita por Ricardo Saud, diretor da JBS e um dos sete delatores, foi filmada pela PF. Rocha Loures está entre os alvos da operação da Polícia Federal nesta quinta-feira. Duas residências dele foram alvos de mandados de busca e apreensão. Dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam que, em 2014, a campanha do deputado arrecadou mais de R$ 3 milhões em doações, sendo que mais de R$ 200 mil vieram do presidente Michel Temer. Não há registro de doações da JBS para o parlamentar.

Rocha Loures nasceu em 1966, em Curitiba, Paraná. Administrador, é filho de Rodrigo Costa Rocha Loures, presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O pai do deputado também é fundador da empresa Nutrimental. A reportagem não conseguiu contato com o deputado. A informação é de que ele está em Nova York e deve retornar ao Brasil ainda hoje.

Redação com BandNewsCuritiba