Iniciativas pregam respeito à diversidade

A Princesa e a Costureira
‘A Princesa e a Costureira’ é livro infantil com enredo LGBT. Divulgação

Metro Jornal Curitiba

O prêmio ‘Educando para o respeito à Diversidade Sexual’ conclui a sua terceira edição com 11 iniciativas premiadas. Foram centenas de inscrições de todo o Brasil, de diferentes vertentes e temáticas. O objetivo é gerar visibilidade, reconhecer, valorizar e incentivar a promoção do respeito à diversidade sexual.

O diferencial deste ano é que o prêmio contou com o apoio de instituições como a ONU, Unicef, MEC (Ministério da Educação), Unesco e outras, trazendo mais visibilidade ao projeto.

Organizado pelo IBDSEX (Instituto Brasileiro de Diversidade Sexual), o evento de premiação ocorre nesta sexta-feira em Curitiba, e faz parte da comemoração dos 25 anos do Grupo Dignidade, a primeira ONG LGBT do Paraná.

A comissão julgadora é formada por professores, doutores e especialistas da área. “Com certeza estamos indo para o caminho certo. Com o apoio de instituições públicas, podemos gerar muito mais visibilidade para uma questão extremamente importante”, comenta Toni Reis, membro do comitê julgador e fundador do Grupo Dignidade.

Os Premiados

As iniciativas contam com materiais dos mais variados, e vão desde publicações e teses até políticas públicas e materiais audiovisuais.

A Princesa e a Costureira’, livro infantil de Janaína Leslão, foi uma das iniciativas premiadas. A autora paranaense vive no Guarujá, e em sua profissão de psicóloga, atendia muitos adolescentes que não se identificavam com nenhuma história ou conto de fadas infantil. “Esses adolescentes são marginalizados. Não tinham referências lúdicas. Histórias em que homossexuais e transgêneros são os protagonistas só estampavam os jornais com notícias trágicas. Achava aquilo muito triste”, conta.

Leslão relata que surgiu a necessidade de criar um projeto que apresentasse um conteúdo exclusivamente voltado à diversidade sexual. “Quis aprender a escrever, eu precisava publicar alguma coisa que trouxesse identificação e com uma proposta diferente”.

O enredo de ‘A Princesa e a Costureira’ conta a história de uma princesa que vai até a costureira para fazer seu vestido de casamento. Porém, as duas se apaixonam e tem um final ‘muito, muito, muito feliz’, nas palavras da autora. “Gosto da ideia de finais felizes, mas nada é para sempre. Por isso gosto de terminar minhas histórias assim”.

Segundo a autora, foi muito difícil inserir um conto de fadas com personagens lésbicas no mercado. “Tentei por cinco anos. Reconheço que é uma proposta ousada, mas espero que sirva para existir mais aceitação no mercado editorial”. Há um ano, ela lan- çou mais uma obra: ‘Joana é princesa’, desta vez com a temática transgênero.

O prêmio foi idealizado pela Gale, uma Aliança Global para a Educação LGBT, na qual promove aprendizagem para educadores para atingir a inclusão plena de pessoas prejudicadas pela sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Vencedores

– A princesa e a Costureira (publicação); Janaína Leslão; Guarujá-SP

– Entre Migalhas e Direitos (publicação); Fabrício Marcelo Vijales; Nova Hamburgo-RS

– Festival das Diversidades do Coletivo LGBT Prisma UFABC; Coletivo LGBT Prisma da Universidade

– Federal do ABC; São Bernardo do Campo e Santo André-SP

– Histórias de Maria: Escola (publicação); Paula Regina Costa Ribeiro, Joanalira Magalhães e Juliana Rizza; Rio Grande-RS

– LEDI – Laboratório de Estudos em Educação e Diversidade (projeto pedagógico); Colégio Pedro II; Rio de Janeiro-RJ

– Longe Demais das Capitais: Distâncias e Desigualdades (tese); Eliana Teresinha Quartiero; Porto Alegre-RS

– O preconceito contra diversidade sexual e de gênero em escolas públicas de ensino médio brasileiras (dissertação); Juliana Ledur Stucky; Porto Alegre-RS

– Projeto Literatura e Diversidade Sexual (projeto no ensino médio); Roberto Muniz Dias; Brasília-DF

– Uso do nome social nas escolas do Paraná (política pública); Secretaria de Estado da Educação do Paraná; Curitiba-PR

– Visibilidade Trans / Coisa da Laysa; Laysa Machado; São José dos Pinhais-PR

– Vozes da Igualdade (produção audiovisual); Anis

– Instituto de Bioética; Brasília-DF

Também foram concedidas duas menções honrosas:

– Amar é o verbo que rima com Paz (publicação); Ana Carolina Eiras Coelho Soares; Goiânia/GO

– O avanço no reconhecimento legal dos direitos LGBT (estudo); Cristiano Sousa, Jéssica Maranho, Kamila Silva, Simone Adams e Tarcila Garcia; Curitiba-PR.