Planalto recua e ICMBio comemora nova indicação

Rafael Neves - Metro Curitiba

O impasse político durou 50 dias, desde que o cargo havia ficado vago, no fim de abril.

O governo federal nomeou, na última sexta-feira, o analista ambiental Paulo Marostegan e Carneiro como novo presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), pondo fim a um impasse político que durou 50 dias desde que o cargo havia ficado vago, no fim de abril.

A decisão significou (mais) um recuo do Planalto, já que a base aliada testou dois nomes. Ambos foram rejeitados pelos servidores, que exigiam uma pessoa de perfil técnico. Marostegan era diretor de Criação e Manejo de UCs (Unidades de Conservação) e tem apoio dos pares, segundo apurou o Metro Jornal.

Ambientalistas vinham denunciando o que consideram loteamento político não apenas no ICMBio, mas também no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e na Funai (Fundação Nacional do Índio). A luta contra esta indicação partidária (no caso, do PROS) se tornou o eixo central de uma mobilização batizada de “Maré Socioambiental”.

“‘Ter a presidência de um órgão como o ICMBio na mão de uma pessoa sem conhecimento sobre o assunto seria uma temeridade. A gente está falando do país com a maior biodiversidade do planeta”, afirma a bióloga Angela Kuczach, diretora da rede pró-UC, uma ONG de proteção às unidades de conservação da natureza do Brasil.


Até a semana passada, o PROS tentava emplacar Cairo Tavares, um empresário de 31 anos, no comando do ICMBio.

Celebridades gravaram um vídeo contra a nomeação e seis ex-ministros do Meio Ambiente (de variados ex-presidentes) – Marina Silva, José Goldemberg, Rubens Ricupero, José Carlos Carvalho, Carlos Minc e Izabella Teixeira – escreveram uma carta ao presidente Michel Temer e ao ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmando que “seria trágico” que a presidência do ICMBio fosse ocupada “por pessoas estranhas à agenda da conservação”.

Com 335 unidades de conservação pelo país, o ICMBio gere hoje 9% do território continental e 24% do território marinho. Para os ambientalistas, o perigo das indicações políticas não está exatamente no Executivo, e sim no Legislativo, devido à influência da bancada ruralista.

“Não é uma questão deste ou daquele governo. As legislações recentes mostram que temos um parlamento interessado em afrouxar regras para mineração e desmatamento para ampliação do agronegócio, e é isso que nos preocupa”, avalia Kuczach.

Procurado, o PROS afirmou que Tavares é qualificado e negou intenções indevidas com a indicação. “A ética é uma prioridade para a ocupação de espaços para os filiados. Ao menos, orientações não faltam nesse sentido”, disse o partido, em nota.

O Metro Jornal buscou Cairo Tavares e pediu o posicionamento dele sobre a questão, mas não teve resposta.

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