Cooperativas pedem reestruturação do programa Nossa Feira

Mariana Ohde


Com informações da prefeitura de Curitiba

O programa Nossa Feira, da prefeitura de Curitiba, está passando por uma reestruturação. A pedido das duas cooperativas de agricultores participantes, três pontos estão sendo descontinuados e dois outros serão transformados em feiras noturnas, sem a participação dos produtores da região metropolitana.

As associações de produtores familiares alegam que, desde outubro do ano passado, vêm tendo prejuízos mensais devido à baixa procura da população e o aumento da concorrência do varejo.

Deixam de funcionar, a partir do dia 21 de outubro, os pontos do Capão da Imbuia (23), Uberaba (25) e Capão Raso (27).

Os pontos do Nossa Feira no Novo Mundo (24) e no Portão (26) passam a ser feiras noturnas, pois os comerciantes de pastel, pamonha, pescado, frios e petiscos, que já atuavam nos locais, decidiram continuar as atividades.

Nos próximos 45 dias, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Smab) irá fazer um chamamento público para que bancas de hortifrutigranjeiros se integrem aos pontos que permanecem.

Com reestruturação do Nossa Feira, a população atendida pelos antigos pontos poderá fazer compras nos dez outros locais do programa, além dos Sacolões da Família, que somam 15 unidades em toda a Curitiba e também vendem hortifrútis ao preço máximo de R$ 2,29 o quilo.

Para quem fazia compras no Capão da Imbuia, a melhores alternativas são o sacolão Vilas Ofinas e o Nossa Feira do Centenário, às terças.

Fregueses do Uberaba poderão ir no Nossa Feira Jardim Primavera, às segundas; e, no caso do ponto no Capão Raso, os locais mais próximos são os sacolões do Pinheirinho e Fazendinha, além do Nossa Feira CIC-Diadema, às sextas.

Frequentadores do Novo Mundo e Portão terão como melhores alternativas os sacolões do Pinheirinho e Fazendinha.

Prejuízos mensais

Johnes Bap Tistão, presidente da Cooperativa Agrícola de Colombo (Cooacol), conta que as vendas de hortifrutigranjeiros caíram muito nos pontos do Nossa Feira que ela deixa de atuar no Novo Mundo, Portão e Capão Raso.

“Desde o ano passado, estamos sentindo uma queda de fregueses, devido à perda de renda, e os prejuízos, em média, são de R$ 7,4 mil por mês com os locais. Assim, não estamos conseguindo pagar os custos com manutenção, mão-de-obra e transporte entre Colombo e Curitiba”, argumenta ele. Johnes revela que em alguns dias o Nossa Feira do Capão Raso, por exemplo, não chega a ter 30 fregueses. Para ser auto-sustentável cada ponto precisa receber, no mínimo, 350 clientes, avalia.

O presidente da Cooperativa de Processamento e Agricultura Solidária de São José dos Pinhais (Copasol), Amélio Valaski, confirma que a queda de venda de frutas e verduras, por conta da baixa procura, tornou inviável a manutenção de seus pontos do Nossa Feira no Capão da Imbuia e Uberaba.

“Até outubro do ano passado, vendíamos 4 toneladas de hortifrútis nos dois pontos por mês. Hoje, o volume não passa de 2,5 toneladas. O prejuízo, mensal, nos dois pontos chega, em média, a R$ 9,8 mil”, contabiliza ele. Valaski credita parte da queda nas vendas às promoções feitas pelo comércio próximo aos dois pontos.

“Assim, a gente não consegue competir, pois já trabalhamos com um preço máximo de R$ 2,29 o quilo para todos os produtos, que já é muito baixo”, justifica o presidente da Copasol.

Tentativas

Segundo o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Luiz Gusi, a reestruturação do Nossa Feira foi decidida após várias tentativas, nos últimos meses, de reverter a queda de venda e, em consequência, os prejuízos das cooperativas.

“Alguns pontos já tinham sido encerrados no começo do ano por solicitação das cooperativas. Além disso, mudamos alguns locais, como já tinha sido feito pela administração anterior, mas não houve uma reação. Assim, após análise criteriosa, a secretaria aceitou fazer esta reestruturação solicitada pelos agricultores associados”, pondera ele.

Gusi lembra que o Nossa Feira nasceu em 2014 como um programa auto-sustentável, sem qualquer subsídio público e, por isso, todos os pontos precisam ser rentáveis para os agricultores familiares.

Programa

O programa Nossa Feira busca garantir à população de frutas e hortaliças de qualidade e com preços mais acessíveis e aos produtores da Região Metropolitana o acesso ao mercado consumidor de Curitiba.

São 10 pontos espalhados por Curitiba, sendo cinco administrados pela Cooperativa Agrícola de Colombo (Cooacol) e outros cinco pela Cooperativa de Processamento e Agricultura Solidária de São José dos Pinhais (Copasol).

Além disso, todos os pontos contam com bancas de pastel, pamonha, pescado, frios e petiscos.

As feiras ocorrem, de segunda a sexta-feira, a partir das 16h (algumas pontos a partir das 17h) até 21h. Veja a programação completa.

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Repórter no Paraná Portal
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