Seguro rural pagou quase R$ 3 bilhões em 10 anos

Mariana Ohde


De 2006 a 2015, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) atendeu cerca de 420 mil produtores rurais em todo o Brasil. Foram mais de 52 milhões de hectares beneficiados, principalmente em culturas como soja, trigo, milho, maçã e uva.

Nos primeiros dez anos do programa de seguro rural, as indenizações pagas em função de ocorrência de eventos climáticos adversos totalizaram R$ 2,92 bilhões, o equivalente a mais de 75 mil apólices de seguro rural. Os números foram apresentados nesta quarta-feira (23) durante reunião na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília.

Culturas

As regiões que apresentaram maior risco, considerando os municípios de maior participação no PSR nos dez anos avaliados, foram o oeste do Rio Grande do Sul, noroeste do Paraná, a região do MATOPIBA ( Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o sul dos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul e o oeste de Minas Gerais.

Risco

Principais problemas

Os eventos que mais causaram sinistros foram, pela ordem, a seca, o granizo, a geada e a chuva excessiva. Em conjunto, estes eventos afetaram 52 culturas e responderam por 95,8% das indenizações concedidas aos produtores que contrataram apólices de seguro rural vinculadas ao Programa.

A seca foi o evento que gerou maior valor de indenizações, R$ 1,25 bilhões, seguida da ocorrência de granizo, R$ 876,54 milhões. Por outro lado, quando se observa o número de apólices indenizadas essa posição se inverte: o granizo responde pela maioria das indenizações, com 41,8%, seguido pela seca, com 30,8%.

Eventos

Na região Sul, os principais eventos que prejudicaram os produtores foram, na ordem: o granizo, com R$ 686,19 milhões em indenizações e 43,2% das apólices indenizadas; a seca (R$ 453,13 milhões e 25,7% das apólices indenizadas); a geada (R$ 353,01 milhões e 18,3%); e a chuva excessiva (R$ 230,36 milhões e 8,9%).

Os maiores pagamentos ocorreram nos anos de 2011 (R$ 440,14 milhões), 2013 (R$ 591,12 milhões) e 2014 (R$ 719,46 milhões), sendo indenizadas, respectivamente, 22,7%, 13,0% e 11,0% das apólices contratadas.

Região Sul

Na região Sul, o prêmio gerado pelas operações de seguro rural totalizou R$ 2,95 bilhões entre os anos de 2006 a 2015.

Foram contratadas 414.651 apólices, que garantiram capitais da ordem de R$ 44,13 bilhões, associados a uma área segurada de 27,32 milhões de hectares. As subvenções federais somaram R$ 1,69 bilhão, ou seja, o governo arcou com 57,3% do prêmio gerado pelas apólices contratadas.

No período, foram indenizadas 59.497 apólices, 14,3% do total contratado, que resultaram num valor indenizado de R$ 1,80 bilhão.

Os produtores do Paraná e do Rio Grande do Sul foram os que mais receberam subvenções e indenizações.

Su

Apesar do granizo e da seca terem se apresentado como fenômenos que mais geraram indenizações, a geada e a chuva excessiva também foram responsáveis por perdas significativas. As culturas do trigo, da soja e da maçã foram as que mais receberam indenizações decorrentes desses eventos.

Relatório de indenizações

O Departamento de Gestão de Riscos (Deger) da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento disponibilizará na página da internet do Mapa, nos próximos dias, o primeiro relatório sobre as indenizações pagas no PSR.

O documento contém informações detalhadas sobre as indenizações pagas. Os dados são apresentados na forma de indicadores relacionados aos pagamentos, tais como o índice de sinistralidade e taxa de risco observado.

A análise da sinistralidade foi feita para todo o território e também por regiões e por atividades de maior relevância dentro do programa e das seguradoras habilitadas a operar por seu intermédio.

“É muito importante para o produtor rural conhecer bem esses números, porque demonstram a importância da contratação do seguro rural para a manutenção da atividade agrícola, na medida em que evitam o endividamento. Além disso, os agricultores podem conhecer melhor os fatores de risco a que estão expostos nas diferentes culturas e regiões”, destaca o secretário de Política Agrícola, Neri Geller.

Para o diretor do Deger, Vitor Ozaki, o estudo corrobora a necessidade da presença do governo, via concessão de subvenção ao prêmio, no mercado de seguro rural com a finalidade de conferir maior equilíbrio ao sistema: “Antes o produtor não contratava o seguro porque era muito caro e o mercado não se desenvolvia em função da baixa demanda”.

De acordo com Ozaki, a partir do momento em que o governo federal passou a incentivar a contratação do seguro, a demanda cresceu, atraindo mais seguradoras para o mercado, contribuindo para maior competitividade e aprimoramento dos produtos.

Segundo o diretor, ao longo de dez anos, os produtores entenderam a importância do seguro rural como uma proteção ante os riscos climáticos, mas também para a manutenção da sua renda.

Confira o relatório de sinistralidade.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal