492 toneladas de feijão podem estragar nos Armazéns da Família de Curitiba

Mariana Ohde

Feijão estocado no Armazém da Família

O prefeito Rafael Greca (PMN) anunciou nesta quarta-feira (1) que vai pedir a autorização de venda de 492 toneladas de feijão estocadas nos Armazéns da Família. Normalmente, apenas famílias com até 3,5 salários mínimos podem comprar produtos nos armazéns. Todo o volume de feijão foi adquirido pela administração anterior – parte do montante já está em estoque (215 toneladas) e o restante programado para entrega futura (277 toneladas).

O secretário municipal de Abastecimento e Agricultura, Luiz Gusi, reforçou que o feijão em estoque foi comprado com o preço em alta e, como houve queda no valor do produto, é preciso reduzir rapidamente o volume. “Caso contrário, há chance de perda de qualidade do alimento. Por isso, temos que abrir para toda a população”, disse Gusi.

O secretário lembra que, no começo de janeiro, a secretaria foi obrigada a baixar o preço das duas variedades para torná-las competitivas em relação ao valor praticado no varejo. A secretaria constatou que alguns supermercados estavam vendendo o quilo de feijão carioquinha a R$ 4,59, enquanto nos Armazéns da Família o mesmo produto, da mesma marca, custava R$ 7,85. “Com isso, não estávamos girando o nosso estoque”, conta Gusi.

Segundo levantamento do Disque Economia da Prefeitura, que comparou os valores praticados de 20 a 24 de janeiro, o preço médio do feijão carioquinha baixou 20,7% e do feijão preto, 11,11%.

Preços

O secretário conta que o preço do feijão carioquinha tende a permanecer estável. Já o preço do feijão preto, deverá ter leve queda, de acordo com o estudo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria do Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). “Por isso, tivemos que reduzir o preço para não prejudicar a população assistida pelo programa. Os armazéns vendem as mercadorias a preços 30% mais baixos, em média, que o mercado formal”, esclarece.

Gusi reitera que há risco real de parte do estoque perder a qualidade. “Não há demanda suficiente entre as famílias atendidas pelo Armazém. E o pior. No ritmo atual de venda, não haverá espaço para guardar na Central de Distribuição um volume tão grande que está por vir”, alerta Gusi, referindo-se às compras futuras também adquiridas pela administração anterior.

Ele explica que para evitar que as compras futuras abarrotassem ainda mais a Central de Distribuição, a secretaria pediu a suspensão da entrega. “Também estamos pleiteando uma redução ainda maior nos preços”, observou.

Gusi salienta que, considerando que as compras efetuadas são programadas para entregas parceladas na Central e que sua capacidade de armazenamento é limitada, a estocagem possível seria de no máximo dois meses.

“Mas constatamos que, por conta do volume já em estoque, será de três meses e meio para o feijão preto e, o mais preocupante, quase cinco meses para o carioquinha, que vende menos”, calculou.

Venda

Se a venda para toda a população for aprovada pela Câmara, a Secretaria Municipal de Abastecimento e Agricultura fará uma grande ação nos Armazéns da Família. Todos os locais terão na entrada um espaço especial, devidamente identificado, com exposição e venda dos produtos, que custam hoje a partir de R$ 2,99 o quilo (carioquinha) e a partir de R$ 3,99 o quilo (preto).

Além disso, a Unidade de Educação Alimentar da secretaria, uma van adaptada com cozinha, vai percorrer os Armazéns da Família e orientar os consumidores sobre os benefícios do alimento e dar dicas de receitas saborosas.

 

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Repórter no Paraná Portal
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