Produtores de grãos registram perdas por causa das chuvas

Mariana Ohde


Por BandNews Curitiba

O excesso de chuva deve reduzir a safra de grãos de verão no Paraná em 10% em relação ao mesmo período do ano passado. A expectativa é colher 22 milhões de toneladas de grãos, o que representa 2 milhões de toneladas a menos do que no verão de 2017. A estimativa é da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab).

Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), explica que a umidade do solo atrasa a colheita e que as plantações ficam mais sensíveis a doenças. “No caso, principalmente, da soja, que á maior cultura do estado nessa primeira safra, tem ocorrido um alongamento do ciclo da primeira cultura. Com menor intensidade de claridade, o ciclo fica mais longo e atrasa a colheita. Isso que acontece hoje: um atraso na colheita e um aumento no número de doenças que a umidade causa, doenças fúngicas, até mesmo a ferrugem asiática”, explica.

Segundo uma pesquisa do Deral, perdas nas colheitas de milho e feijão contribuem para a queda na colheita. Só a safra de milho tem uma projeção de redução de quase 2 milhões de toneladas. O cultivo de feijão tem uma perda estimada de 65 mil toneladas. A pesquisa foi feita entre o final de dezembro de 2017 até o dia 20 de janeiro de 2018.

Garrido destaca que, a curto prazo, o consumidor pode começar a sentir os efeitos da chuva no bolso. E não apenas no consumo de grãos. “A dona de casa, o consumidor, sentem mais rapidamente o reflexo em outras culturas, por exemplo, no feijão, assim como a soja e o milho, que passaram por um período de clima bem complicado. Para o feijão, a gente já tem uma situação de redução de produção, isso pode causar um reflexo maior, que o consumidor já sente com mais clareza. E as culturas menores, as hortaliças”, explica, afirmando que, para estas, com ciclo menor, a variação de preços é mais rápida.

O produtor Darci Silvestre, que cultiva milho e soja em Santa Helena, na região Oeste do Estado, perdeu mais de 10 alqueires de plantação. Ele teve problemas também com o granizo no final do ano passado. “Pela chuvarada, uns 30% ou 40%. Na área que pegou o granizo, perco até 70%. É muita coisa”, disse.

Segundo o Deral, a redução na produção de grãos na primeira safra já era esperada. Existe agora uma preocupação com a segunda safra, por causa da tendência de redução dos índices de chuva nos meses de fevereiro, março e abril.

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Repórter no Paraná Portal
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