Agricultura
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Artesanato é fonte alternativa de renda para agricultores no Paraná

Na palha de milho seca, Luzia Kava Seroka encontrou um meio de ganhar um dinheirinho extra para a família. Quando, há 20..

Mariana Ohde - 05 de junho de 2017, 09:06

Na palha de milho seca, Luzia Kava Seroka encontrou um meio de ganhar um dinheirinho extra para a família. Quando, há 20 anos, fez seu primeiro curso, Luzia não imaginava que o hobby se transformaria em profissão e a tornaria uma artesã internacionalmente conhecida.

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Filha de agricultores de Balsa Nova, na Região Metropolitana de Curitiba, Luzia cresceu entre plantações de milho e feijão. A renda familiar era formada basicamente pela lavoura. A realidade mudou quando ela aprendeu a dominar as técnicas do artesanato.

“Praticamente tudo que tenho em casa foi conquistado com o artesanato”, conta.

Hoje, produtos como imãs de geladeira, mini presépios, marcadores de livros representam 35% da renda da família – formada por Luzia, o marido Sérgio Luiz e a filha Cristiane. “Até a faculdade da minha filha consegui pagar com a palha de milho”, conta a artesã. Os enfeites custam de R$ 4 a R$ 170.

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Luzia melhorou suas técnicas em um curso da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). No caso do artesanato, o órgão promove os cursos, organiza visitas técnicas e participação dos artesãos em feiras do setor. Foi com essas atividades que Luzia se tornou referência no artesanato. “Tudo, graças a esse apoio”, afirma a artesã.

Renda extra

O projeto de fortalecimento do artesanato rural, criado em 2000, já permitiu que cerca de 60 famílias no estado complementem suas rendas com a atividade.

A coordenadora de extensão rural para o artesanato e turismo rural, Marilda Gadens, explica que o programa é voltado para geração de renda de mulheres da agricultura familiar. “É perceptível um acréscimo de 20% na renda familiar”, diz Marilda.

Projeto

O instituto Emater oferece os cursos gratuitos de acordo com a característica da região. No caso de Balsa Nova, onde o milho se destaca, a escolha foi pela manufatura da palha. Já em São José dos Pinhais, também na RMC, a matéria-prima mais usada é o bambu.

Além dos cursos, o Emater organiza intercâmbios de artesãos para troca de experiências, workshops e feiras de exposição dos produtos. O principal objetivo é tornar os produtos das paranaenses competitivos para o mercado externo. “Com a colocação do artesanato nas feiras de visibilidade nacional, como a Feiarte e o Salão Paranaense de Turismo, abrimos uma frente de comercialização para os produtos”, explica Marilda.

Foi em uma dessas feiras que Luzia fez sua primeira exportação: uma remessa de 60 peças para os Estados Unidos. Depois disso já exportou a países da Europa e, mais, recentemente ao Chile. “Com o novo suporte técnico da Emater me qualifiquei e conquistei o mercado”, disse Luzia.

Cursos

Os cursos da Emater são periódicos e variam de acordo com a cidade. As prefeituras, parcerias do Emater, divulgam as vagas e inscrevem os candidatos. As aulas são ministradas por artesãos. “Alguns deles foram alunos dos cursos de extensão e hoje são professores”, explicou Marilda.