Brasil e França debatem monitoramento agrícola por satélite

Mariana Ohde


Três eventos ligados ao projeto Geo ABC movimentaram a semana na Embrapa Solos, no Rio de Janeiro (RJ), entre os dias 25 e 27 de abril, promovendo o intercâmbio cientifico entre Brasil e França em monitoramento agrícola por satélite.

Profissionais do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad, França), Inpe e centros de pesquisa da Embrapa em Boa Vista e Palmas participaram das atividades que começaram no dia 25 com um workshop sobre observação em agricultura digital, que focou no debate de técnicas de sensoriamento remoto de mapeamento da paisagem agrícola e mapeamento de sistemas integrados de produção e de cultivo.

No mesmo dia, na parte da tarde, a pesquisadora do Cirad Agnes Bégué fez apresentação sobre a experiência francesa na região do Sahel, no norte da África, com a integração de dados de séries temporais e dados de clima advindos de satélites com o objetivo de avaliar os fatores naturais de mudanças do uso e cobertura do solo.

“Traçamos paralelos e buscamos detectar em quais pontos a experiência francesa pode nos ajudar na aplicação dessas técnicas na avaliação da degradação da terra, especialmente no nosso semiárido”, conta a pesquisadora da Embrapa Solos Margareth, coordenadora brasileira do Geo ABC.

O dia 27 de abril trouxe o último evento do ciclo, um workshop no qual foi demonstrada metodologia baseada na extração de séries temporais de imagens de satélites (modis) para avaliação de pastagens degradadas, técnicas de avaliação da dinâmica da degradação das terras e utilização destas técnicas na avaliação de pastagens degradadas no Brasil.

“Na semana anterior ao evento percorremos o Mato Grosso do Sul avaliando os sistemas de produção agrícola e pastagens para avaliação dos métodos”, revela Margareth.

O Geo ABC

O projeto Metodologias e Inovações Tecnológicas para o Monitoramento por Satélite da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono em Apoio à Governança do Plano ABC (Geo ABC) começou em 2016 e busca desenvolver metodologias avançadas no uso de satélites para monitorar os sistemas de produção sustentáveis preconizados pelo Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) com foco em sistemas de produção e pastagens degradadas.

O Geo ABC aposta na forte interação cientifica entre Brasil e França. Ainda este ano um cientista brasileiro passará 15 dias em Montpellier em um doutorado sanduíche oferecido pelo programa. E o estudante da UERJ Patrick Kuchler também está em Montpellier, onde desenvolve trabalho no uso de imagens em âmbito local para avaliação de sistemas integrados de produção usando o satélite Sentinel-2 a fim de integrá-las com uma abordagem regional.

Margareth vê um ponto forte nesta interação: “em tempos de crise creio que é uma boa oportunidade para cientistas brasileiros, trabalhar no exterior com chance de publicar”.

Próximos passos

No próximo mês, em Roma, a equipe do projeto participa de evento que vai abordar o monitoramento da agricultura digital com o Sentinel-2. Já em julho, a participação acontece na Conferência Europeia Dedicada ao Uso Futuro das Tecnologias de Comunicação e Informação nos Setores Agro-Alimentar, de Recursos Biológicos e de Biomassa (EFITA 2017), também em Montpellier. Será apresentado o artigo ‘Monitorando o plano ABC brasileiro: o potencial do sensoriamento remoto para detectar a adoção de práticas agrícolas’. Neste mesmo evento, Margareth será a coordenadora da sessão em tecnologia da informação para a agricultura.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal