Cevada avança e move a indústria cervejeira no Paraná

Mariana Ohde


O otimismo tem ditado o ritmo da produção de cevada no Paraná. O estado, que é destaque na produção, ganhou 10 mil hectares a mais do grão neste ano – serão cerca de 50 mil hectares, 24% a mais do que no ano passado. No total, a produção deve ser de 233 mil toneladas, um aumento de cerca de 15%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

“No ano passado, tivemos condições fenomenais. Houve geada, mas ela não comprometeu, choveu na hora certa e na quantidade certa”, afirma Methodio Groxko, técnico do Deral. Segundo ele, as condições climáticas, combinadas à tecnologia empregada no campo, contribuíram para uma excelente produtividade, qualidade dos grãos e bons preços no mercado. “Com isso, houve aumento na área plantada neste ano”, explica.

Segundo o último boletim do Deral, do dia 10 de julho, o plantio da cultura no estado chegou a 96%, com 85% em boas condições. A colheita começa no fim de outubro e início de novembro. Ainda é cedo para falar em preços, mas, segundo Methodio, a tonelada pode chegar a ser vendida, neste ano, por R$ 730.

E este otimismo reflete diretamente em outro mercado: o da cerveja. O Paraná responde por 73% da produção nacional de cevada, um dos principais ingredientes da bebida. Um número representativo já que, mesmo em um país que cultiva o hábito, grande parte da cevada ainda é importada. O país só produz 40% da demanda da indústria.

“Além da questão da localização, que é importante para o setor estar perto dos centros consumidores, as empresas decidem investir aqui porque também estão mais perto da matéria-prima usada, que é o caso da água, da cevada e do malte”, diz o economista Julio Suzuki Júnior, diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes).

Foto: Cooperativa Agrária Agroindustrial
Foto: Cooperativa Agrária Agroindustrial

No Paraná, são cerca de 50 mil hectares de cevada em oito regiões. Guarapuava se destaca, com 30 mil hectares e produção estimada de 159 mil toneladas. Ponta Grossa vem em segundo lugar, com 12 mil hectares e cerca de 45 mil toneladas de produção estimada, segundo o Deral.

75% da cevada produzida no estado é destinada à indústria cervejeira, segundo Patrick Silva, membro do Comitê Macroeconômico da ISAE. E a maior parte deste percentual abastece as grandes cervejarias, como conta o pesquisador Ricardo Telles. “No caso das microcervejarias, que primam pela manufatura de cervejas diferenciadas, com receitas rebuscadas onde, invariavelmente, são empregados malte e lúpulos importados, esta influência não é crítica ou decisiva”, afirma.

Cerveja no Paraná

No Paraná, cerca de 150 mil trabalhadores atuam na indústria cervejeira. O estado conta com a presença de duas grandes fabricantes, a Heinekein e a Ambev, ambas com sedes em Ponta Grossa. A unidade da Heinekein é a 12ª maior da empresa e responde por 32% de sua produção nacional. Desde a aquisição da fábrica que, antes, era da Kaiser, a unidade registrou crescimento de cerca de 40% e os investimentos devem chegar a R$ 400 milhões nos próximos anos. Já a Ambev emprega cerca de 1.700 pessoas e soma um investimento de cerca de R$ 800 milhões no estado.

Em relação às pequenas cervejarias, os dados ainda não são claros. A Associação das Microcervejarias do Paraná (Procerva)  possui 45 associados, 15 delas com fábrica própria. Mas o número, provavelmente, é bem maior. Segundo um levantamento realizado por Ricardo Telles, entre microcervejarias e cervejeiros ciganos, existem 33 instaladas apenas na cidade de Curitiba, 17 nas cidades da Grande Curitiba (Pinhais, Campo Largo, Araucária, etc.) e 45 no interior do estado com maior concentração nas regiões norte (cerca de 25) e oeste (cerca de 11) e nos Campos Gerais (cerca de 11).

Em agosto, um estudo realizado pelo Sebrae/PR deve mostrar um panorama mais detalhado do mercado. Por enquanto, alguns nomes se destacam, segundo os especialistas.

“A capital do Paraná concentra um dos maiores polos cervejeiros do Brasil, com fábricas e marcas ciganas que produzem cervejas artesanais premiadas internacionalmente. Em Curitiba, destacam-se, pelo volume produzido, as microcervejarias Asgard, Bier Hoff, Bodebrown, Gauden Bier, Klein Bier, Way Beer e Wesnky Beer”, afirma Ricardo Telles. Já Patrick Silva destaca quatro marcas: Maniacs Brewing, Bastards Brewery, Bodebrown, Gauden Bier e Way Beer. “Algumas delas receberam investimentos. Essas marcas têm apresentado taxas altas de crescimento”, explica.

Ricardo lembra, ainda, que o estado possui a maior maltaria do Brasil e a 17ª maior do mundo: a Cooperativa Agrária, com produção anual de 350 mil toneladas. A cooperativa detém um market share de cerca de 25% no mercado brasileiro de malte. Segundo Patrick, as cooperativas têm papel essencial no desenvolvimento da produção. “Elas incentivam os pequenos produtores”, explica.

A indústria hoje

Hoje, a indústria cervejeira representa cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo dados recentes de 2016. São cerca de R$ 130 bilhões de um total de R$ 6,3 trilhões. Cerca de 2,7 milhões de pessoas estão empregadas no setor, o que representa R$ 30 bilhões em renda. Em impostos, a indústria soma R$ 2,1 bilhões. No agronegócio, a indústria cervejeira emprega 11 mil famílias em sua cadeia produtiva, na produção de insumos.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), até dezembro de 2016, 522 cervejarias tinham registro no Brasil – número que representa um crescimento de cerca de 39% no ano passado. A maior parte das empresas está no Sul e Sudeste do país, regiões que concentram 90% deste mercado. 

Quatro cervejarias brasileiras representam 98% do mercado: Heinekein e Ambev, ambas com unidades no Paraná, além do Grupo Petrópolis e Brasil Kirin. Em relação às pequenas cervejarias, estima-se que sua participação na produção nacional seja, atualmente, de 1%, segundo Patrick Silva. “Em marcados mais desenvolvidos, esse índice pode chegar a 20%. As chances de crescimento são altas. O Brasil é um país que aprecia cerveja e a margem de lucro é maior”.

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Repórter no Paraná Portal
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