Condições climáticas preocupam produtores de feijão

Mariana Ohde


Os produtores paranaenses de feijão sofrem com as condições climáticas dos últimos dias. Após as geadas, a chuva deixa o solo excessivamente úmido e afeta a colheita. Outras culturas também foram afetadas.

Nesta semana, as precipitações devem diminuir e o frio volta na maior parte do estado. Confira a previsão do tempo e a avaliação do boletim da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab):

Cascavel

A região sofre há 15 dias com as chuvas. “Infelizmente, os produtores de feijão estão preocupados, pois não conseguem colher o produto devido o excesso de umidade. Estamos fazendo levantamento pra quantificar os prejuízos principalmente quanto a qualidade”, explicam a equipe técnica.

O milho safrinha não se desenvolve, segundo o boletim. A produção está paralisada por causa das condições climáticas desfavoráveis. Em relação ao trigo, há uma pequena área ainda a ser plantada, porém, a umidade dificulta os trabalhos.

União da Vitória

Em União da Vitória, o último final de semana foi de muita chuva, com volume de 29,2 mm no dia 27 e 23,4 mm no dia 28. Segundo o boletim, as condições climáticas tornaram “impraticável qualquer atividade no campo”.

“O feijão segunda safra não pode ser colhido”, diz o boletim, citando problemas com a geada e, agora, com o excesso de umidade. A colheita de batata está paralisada e o barro atrapalha as atividades de pecuária leiteira. No setor madeireiro, o corte de pinus e eucalipto não pode ser desenvolvido por causa da chuva e da dificuldade no acesso ao reflorestamento.

As geadas ocorridas no final de abril de 2017 impactaram principalmente nos municípios produtores de feijão do sudoeste do Paraná, Núcleo Regional de Pato Branco e Francisco Beltrão. O município de Renascença, no Núcleo Regional de Francisco Beltrão, teve 1.700 hectares de área perdidos devido à ocorrência da geada.

Apucarana

Na região, o tempo ficou estável nos últimos dias. Segundo o Simepar, estão previstas precipitações na quarta-feira (31) e queda nas temperaturas.

O milho segunda safra segue com quase a totalidade das áreas em frutificação, com algumas áreas entrando em maturação. “Caso as condições climáticas continuem favoráveis, estima-se que teremos uma safra com bons rendimentos”, diz o boletim.

O trigo está todo plantado e na fase de desenvolvimento vegetativo. Devido ao excesso de chuvas da semana retrasada, o controle fitossanitário está sendo realizado nas lavouras de inverno.

 

Curitiba

As temperaturas continuam amenas e devem voltar a cair apenas na quinta-feira (1), quando deve chegar uma frente fria na região.

As atividades de campo ficaram em ritmo lento, com serviços somente nas hortas da região. As colheitas de milho e soja estão encerradas e a do feijão tem aproximadamente 20% da área colhida, com rendimentos variando muito de região para região. Nas regiões de menor produtividade, a produtividade está girando em torno de 60 sacas por alqueire e nas de maior produção atinge cerca de 100 sacas por alqueire.

As primeiras estimativas das áreas de trigo apontam redução de área na faixa de 20% para 30%. Já há áreas semeadas, aproveitando a boa umidade no solo.

Várias áreas de batata estão sendo colhidas e a produção está dentro do esperado.

As demais atividades de campo estão dentro da normalidade. “O mercado agrícola tem apontado constantes reduções nos preços da carne nos últimos dias e o mercado do feijão tem se apresentado muito instável, com variações a toda hora e preços especulativos. Para os demais produtos os preços estão estáveis, porém, ainda abaixo do esperado pelo produtor, principalmente o milho”, diz o boletim.

 

Previsão do tempo

Na terça-feira (30) áreas de instabilidade que se desenvolvem entre o sul do Paraguai e o nordeste da Argentina avançam sobre os estados do sul do Brasil, com previsão de chuvas entre o norte do Rio Grande do Sul e o sudoeste e o sul do Paraná.

No Paraná, há previsão de temporais localizados nas regiões oeste, sudoeste e centro-sul. Entre a RMC e o litoral, o céu fica com mais nebulosidade, com chuviscos/chuvas fracas e menor variação das temperaturas. Fica mais quente próximo a São Paulo, segundo o Simepar.

Na quarta-feira (31), ainda de tempo instável no Paraná, as áreas de instabilidade conseguem avançar, provocando chuvas mais significativas. Não se descarta a ocorrência de chuvas e ventos fortes em alguns pontos, além de descargas atmosféricas. Na maioria das regiões, as precipitações ocorrem a qualquer momento do dia, por isso, há pouca variação das temperaturas. No noroeste, no norte e nas praias aquece um pouco mais, pois chove especialmente a partir da tarde.

A partir de quinta-feira ocorre resfriamento na região sul, com previsão de expressivo declínio de temperatura. No Paraná o frio será mais intenso na sexta-feira (2).

Feijão

Segundo o último boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), do dia 26 de maio, com 46% da área colhida, a segunda safra 2016/17 avança no estado sob a influência adversa do clima, como as geadas ocorridas no final de abril e as chuvas nos últimos dias que tem dificultado e retardado a colheita. No ano anterior nesta época 79% do total foi colhido.

Em algumas regiões ocorreu atraso no plantio devido a colheita um pouco mais tardia soja e milho. Até o momento 31% do total da safra foi comercializada, contra 60% da safra anterior. O plantio ocorreu no período de janeiro a março, e a colheita iniciou em abril.

Os números finais da produção ainda não estão definidos e, ao longo das próximas colheitas, o agricultor poderá ver no rendimento e na qualidade final a quantificação dos prejuízos, segundo o Deral.

De acordo com o último levantamento, a área estimada é 237.224 hectares, 16% maior que os 203.937 hectares cultivados em 2015/16. A produção estimada é 412.023 toneladas, 39% maior que os 297.248 toneladas na safra anterior. O Deral estima uma redução na produção em 6%, o que equivale a aproximadamente 27 mil toneladas a menos.

De acordo com o Deral, as média dos preços recebidos pelo agricultor nas duas semanas do mês de maio de 2017 foi de R$ 152,20/sc 60 kg para o feijão cores, e de R$ 113,29 para o feijão preto. Comparativamente ao mesmo período em 2016, ocorreu redução de 33% para o feijão cor e 23% a menos para o feijão preto.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal