Cultivo de grãos após colheita do tabaco gera renda de R$ 86 milhões no Paraná

Mariana Ohde


Produtores do Paraná que integraram o plantio de milho, soja, feijão e pastagens após a colheita do fumo terão renda extra de R$ 86 milhões com a safrinha dos grãos, que começa a ser colhida. A expectativa é que nos três estados do Sul, que plantam fumo e que aderiram à integração das lavouras, seja gerada uma renda adicional de R$ 600 milhões.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira (3), em Imbituva, onde o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco) promoveu o dia de campo do programa Milho, Feijão e Pastagens após a Colheita do Tabaco.

O evento contou com a participação do secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, e foi realizado na propriedade do agricultor José Sirlei de Araújo.

Boas práticas na agricultura

Segundo Ortigara, a integração de lavouras quando acompanhadas de boas práticas de cuidados com o solo e água pode gerar renda adicional. “No Paraná, são aproximadamente 28 mil famílias de agricultores familiares que cultivam tabaco com boas práticas e empregam o conhecimento técnico para obter bons resultados, dando-lhes condições de ter uma vida digna, confortável, de oferecer boa educação e saúde aos filhos”, afirmou.

“Somos parceiros dessa iniciativa do Sinditabaco, que alia as boas práticas nas lavouras ao conceito amplo de cuidado com o solo, que é o de repor a fertilidade, protegê-lo do escorrimento da água, evitando a compactação, e proteger fontes para que a propriedade e seu entorno tenha água de qualidade”, acrescentou.

Na avaliação de Ortigara, o emprego da tecnologia, muito incentivada pelo Sinditabaco, explica três quartos dos resultados nas propriedades. “Depende da capacidade de se compreender as coisas e fazer bem feito, porque hoje o fruto do conhecimento e da ciência é colocado numa semente que produz exuberância. Não é a toa que estamos colhendo a melhor safra de grãos da história, sendo 19,5 milhões de toneladas só de soja no ano agrícola 2016/17”, observou.

O presidente do Instituto Emater, Rubens Niederheitmann, que também participou do evento, elogiou o sucesso do programa do Sinditabaco, que ajuda a melhorar as condições de vida do produtor e que aborda um público carente no meio rural, para que ele seja incluído no processo de produção.

Programa Milho, Feijão e Pastagens

O programa Milho e Feijão foi criado há cerca de 30 anos por uma empresa e repassado ao sindicato patronal desde 2014. Ele incentiva a diversificação e o aproveitamento dos insumos e fertilizantes do cultivo do tabaco para manter uma produção a baixo custo na propriedade.

Segundo o Sinditabaco, pode haver redução de custo de produção de proteína como carne, leite e ovos, com a utilização do milho safrinha. Outros benefícios são a proteção do solo e a interrupção do ciclo de proliferação de pragas e ervas daninhas.

Segundo levantamento da entidade, a safrinha paranaense teve o plantio de 10.920 hectares de milho e 6.560 hectares de feijão. Com uma produtividade média do milho estimada em 5,1 toneladas por hectare, o volume de produção chegará a 55.690 toneladas de milho. Considerando o preço médio de R$ 540,00 a tonelada, o total da safrinha paranaense de milho pode superar os R$ 30 milhões.

Em relação ao feijão, a produtividade é estimada em 2,4 milhões por hectare, com safra de 15.745 toneladas. Ao preço médio de R$ 2.350 por tonelada, a safra paranaense de feijão alcançará R$ 37 milhões.

Na propriedade de José Sirlei de Araújo, com 32 hectares, o faturamento total foi de R$ 200 mil no ano. Ele mantém uma área de 20 hectares com plantio de lavouras, sendo 10,2 hectares com tabaco, 10,2 hectares com feijão e 9,7 hectares com soja.

Participaram do evento o presidente do Sinditabaco, Iro Schünke, o diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), Marcos Júnior Brambilla, o prefeito de Imbituva, Bertoldo Rover; o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Francisco Carlos Simioni.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
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