Especialistas defendem uso do controle biológico de pragas

Mariana Ohde


O uso de vírus, fungos e bactérias e de predadores naturais – como joaninhas, aranhas e ácaros – para combater pragas na agricultura, o chamado controle biológico de pragas, é uma alternativa aos tradicionais agrotóxicos menos agressiva ao meio ambiente e ao homem.

Especialistas discutiram estratégias para estimular essas tecnologias em seminário da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Câmara dos Deputados, na terça-feira (20).

Vice-Presidente da Associação Brasileira de Empresas de Controle Biológico, Ari Gitz, apontou as mudanças de hábito e o desejo dos consumidores de adquirirem alimentos livres de químicos como principais motivadores para o mercado de biodefensivos, que já movimenta 4 bilhões de dólares por ano, no mundo. No Brasil, são 56 empresas e 195 produtos registrados.

Alternativa e gargalos

Ari Gitz destacou que o controle biológico de pragas já é uma alternativa viável. “Eles funcionam muito bem e podem ocupar o espaço dos químicos, sim. Podem controlar insetos e doenças, mas é uma tecnologia nova. Nós temos no Brasil uma cultura do uso de químicos, mas isso está sendo mudado lentamente”, afirmou.

O gargalo para o maior uso de biodefensivos, segundo a associação, é a difusão do conhecimento e a capacitação técnica em todo País. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já atua para otimizar o controle biológico de pragas e promoveu uma caravana a 18 estados e 35 polos de produção levando a tecnologia.

Mais uma ferramenta

O biólogo Sérgio da Silva, pesquisador da Embrapa, explicou que o controle biológico é mais uma ferramenta para o manejo integrado de pragas. Ele citou uma experiência na qual o biodefensivos foi mais eficaz que o agroquímico para o combate à helicoverpa, lagarta que atinge as lavouras de milho, soja e algodão.

“Era uma praga exótica que não tinha no Brasil até 2013. Os produtores estavam usando produtos químicos para uma praga que não conheciam, e essa praga era resistente geneticamente aos produtos, então, tivemos que propor o uso de controle biológico com vírus e bactérias”, relatou o pesquisador.

“Alguns produtores chegaram para nós e falaram: ‘Vocês estão sonhando; nós estamos usando os agroquímicos mais fortes que existem e não controlamos, agora, vocês propõem usar vírus na lavoura?’ É, nós vamos usar essa tática para reduzir o impacto desses agroquímicos, restabelecer o controle biológico através dos inimigos naturais que temos na lavoura, buscando o equilíbrio agroecológico nessa área”, destacou.

Dificuldades

Autor do requerimento para o seminário, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) defendeu que um dos objetivos do Brasil nessa área deve ser o fim do uso de agrotóxicos, mas reconhece as dificuldades.

“A gente precisa entender que há interesses para a manutenção do uso de agroquímicos. É ingenuidade achar que as empresas que produzem os agrotóxicos não escamoteiam pesquisas, não influenciam em resultados e não fazem um trabalho de base para poder manter o seu lucro”, criticou.

Produtores de agrotóxicos

A associação das empresas produtoras de agrotóxicos – Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) – foi convidada para participar do seminário, mas não compareceu.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal