Plantio do trigo está quase concluído no Paraná

Mariana Ohde


A área plantada de trigo chegou a 92% no Paraná com 94% em boas condições e 77% em fase de desenvolvimento vegetativo, segundo o último boletim do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A estimativa de produção é de cerca de 3 milhões de toneladas, segundo o último boletim, divulgado nesta quinta-feira (29).

O plantio da cevada também segue no estado, com 67% da área plantada e 91% em boas condições. A produção estimada é de 232,8 mil toneladas.

O milho segunda safra tem 4% da área colhida – a colheita segue lenta no estado por causa das condições climáticas adversas dos últimos meses. 93% está em condição boa e maior parte (53%) encontra-se em fase de frutificação. De acordo com levantamento do Deral, a safrona paranaense deve render 13,8 milhões de toneladas, aumento de 36% na comparação com a anterior, 10,1 milhões de toneladas a mais. Na análise do histórico estadual, a colheita que se desenha é 213,6% maior em relação as 4,4 milhões de toneladas da safra 2008/09, quando ainda era chamada de safrinha. No mesmo período, a área aumentou apenas 53%, de 1,5 milhão de hectares para 2,3 milhões de hectares.

Também avançam as colheitas do feijão segunda safra, com 96% da área colhida, mas apenas 36% em condições consideradas boas. A cultura também sofreu com geadas e chuvas nos últimos meses. A produção é estimada em 355 mil toneladas. 70,1% já foi comercializada.

O café tem 32% da área colhida (92% em boas condições e 98% em fase de maturação), com produção estimada em 73,8 mil toneladas. A batata segunda safra chegou a 81% da área colhida (72% em boas condições e 47% em fase de maturação) com produção estimada em 339,5 mil toneladas.

Boletim Deral

Veja as estimativas de safra

Trigo

Segundo informações do Deral, a projeção de área plantada de trigo teve poucas alterações neste último mês e segue avaliada em 970 mil hectares. O número representa uma diminuição de 11% em relação ao ano anterior.

Em abril, 12% da área total de 2017 foi semeada, contra apenas 3% no ano anterior e 10% de média dos últimos anos. A evolução rápida, segundo o Deral, deve-se ao tempo menos seco do que no ano passado.

Em maio, houve nova aceleração dos plantios (58% da área do estado). Devido ao bom andamento do plantio nestes dois meses, o trigo tinha, no dia 31 de maio, 71% de sua área projetada plantada, 11 pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos.

Em junho, a semeadura desacelerou. Chuvas recorrentes e com volumes expressivos dificultaram o plantio, especialmente na região Sudoeste. Elas também causaram umidade excessiva nas lavouras do Oeste e do Norte.

Apesar dos prejuízos iniciais, nos últimos dias, a umidade tem sido benéfica para a retomada do plantio, que ainda está em níveis superiores à média. “Observa-se cada vez mais a intenção dos produtores de antecipar o plantio e, consequentemente, a colheita do trigo, para ter tranquilidade para fazer os plantios de verão”, informa o Deral.

As lavouras apresentam boas condições até aqui. No inverno, o Deral espera pouca variação de temperatura, mas as chuvas devem superar as médias. “Esta situação, mesmo que não haja geadas, pode dificultar que se alcancem as produtividades recorde observadas em 2016”, avalia o Deral.

Em relação aos custos de produção e preços, com a diminuição da área plantada, também diminui a procura por sementes, gerando uma queda no custo. Além disso, a valorização do Real barateou o preço de fertilizantes e agrotóxicos. Agregados, estes três itens geraram uma economia de aproximadamente R$ 3 por saca para o triticultor, que está com um custo atual estimado em R$ 37 por saca, em média. Apesar da redução dos custos, o preço recebido pela saca de trigo apresentou uma redução superior.

A margem da triticultura está 16% negativa atualmente, sobre o custo variável. Neste mesmo período do ano passado, os dados mostravam uma margem levemente positiva. Os valores recebidos pela saca também estão abaixo do mínimo estabelecido pela PGPM1 .

Quanto ao futuro dos preços, espera-se a influência de grandes exportadores; EUA, Canadá, Austrália e Rússia têm produções projetadas reduzidas em 30 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. Porém, a Argentina, principal fornecedor do Brasil, está indo na direção contrária e deve ter uma produção maior. A confirmação ou não deste potencial incremento argentino deve pautar as oscilações de preço no Brasil em um primeiro momento.

Feijão

Com 96% da área colhida, a segunda safra 2016/17 foi afetada pelas geadas ocorridas no final de abril e as chuvas constantes nos meses de maio e junho. As condições climáticas dificultaram e retardaram a colheita. Muitas áreas foram colhidas com a umidade acima do recomendado, com reflexos negativos na qualidade do produto final e uma menor remuneração ao agricultor.

De acordo com o último levantamento do Deral, a área total estimada é de cerca de 237 mil hectares, 16% maior que os 203 mil hectares cultivados em 2015/16. A produção estimada é 355 mil toneladas, 19% maior que as 297 mil toneladas na safra anterior.

Até este momento, o Deral estima uma redução na produção em torno de 19%, o que equivale a redução de aproximadamente 84 mil toneladas. Até o momento, 70% do total da safra foi comercializada, contra 95% da safra anterior.

O ritmo mais lento na comercialização é devido à redução na qualidade do produto final, segundo o Deral. O preço médio recebido pelo agricultor nas três primeiras semanas do mês de junho 2017 foi R$ 149,010/sc de 60 kg para o feijão cores e de R$ 135 para o feijão preto. Comparativamente ao mesmo período 2016, ocorreu uma redução de 61% para o feijão cor e 30% a menos para o feijão preto.

A produção da segunda safra ou safra das secas no Paraná se divide em 60% da classe cor e 40% da classe preto. A estimativa é de uma produção de 212 mil toneladas de feijão cor e 143 mil toneladas de feijão preto.

De acordo com o acompanhamento da produção brasileira de grãos para a safra 2016/17  da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em junho de 2017, a produção brasileira de feijão total (1ª, 2ª e 3ª safra), será de 3,39 milhões de toneladas, 35% maior que a safra anterior que foi 2,51 milhões de toneladas. Serão aproximadamente 878 mil toneladas a mais de feijão destinados ao mercado interno.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal