Proteína de soja modificada é capaz de impedir multiplicação do vírus HIV

Jordana Martinez


Redação com Embrapa

Uma variedade geneticamente modificada de soja, desenvolvida pela Embrapa, contém uma proteína que impede a multiplicação do vírus do HIV.  A pesquisa, feita em parceria com a Universidade de Londres, o Instituto Nacional de Saúde (INH) dos Estados Unidos e o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da África do Sul, recebeu no dia 15 de novembro um prêmio internacional, concedido pelo Consórcio Federal de Laboratórios do Médio-Atlântico (FLC MAR).

Segundo os pesquisadores, sementes de soja geneticamente modificadas (GM) são uma biofábrica viável para produção, em larga escala, de uma proteína extraída de cianobactérias (microrganismos também chamados de algas azuis), que é eficiente contra o vírus que pode levar ao desenvolvimento da AIDS.

De acordo com o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Elibio Rech, as sementes de soja acumulam normalmente 40% de proteína, por isso são indicadas para produção de cianovirina, a um baixo custo, com facilidade de transporte e estoque.

“Há mais de uma década, iniciamos no Brasil e nos EUA a purificação dessa proteína, para obtermos uma matéria-prima 100% pura. Tecnicamente, o mais difícil em todo esse processo já foi feito. Os próximos passos, agora, são produzir as sementes e gerar proteína em larga escala e, então, realizar os estudos pré-clínicos e clínicos”, afirma Rech, que também é doutor em Ciências da Vida pela Universidade de Nottingham, na Inglaterra, membro da Academia Brasileira de Ciências e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Biologia Sintética (INCT ByoSin).

O pesquisador explica ainda que, como a finalidade dessa soja é medicamentosa, a ideia é que ela não seja cultivada no campo, mas em estufas e casas de vegetação, sob condições controladas.

“É um projeto emblemático para a engenharia genética, direcionado a segmentos da sociedade que têm menos acesso a medicamentos. E são produtos de alta tecnologia, com grande valor agregado”, avalia.

Dengue e malária

O pesquisador da Embrapa espera que a técnica seja repetida com várias outras moléculas, para emprego em vacinas contra a dengue e malária e em tratamentos contra o câncer de mama, por exemplo. Só na África, 20% das mortes são em decorrência da AIDS. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 20% da população adulta na Zâmbia e na África do Sul vive com a doença.

No Brasil, de acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a taxa de pessoas vivendo com o vírus subiu 3% entre 2010 e 2016, na contramão do restante do mundo, que registrou queda de 11% no mesmo período.

Previous ArticleNext Article
Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.