Pecuária brasileira recebe certificado mundial de qualidade sanitária

Agência Senado

Para o senador Waldemir Moka (PMDB-MS),  que presidiu a sessão, a decisão da OIE é “um marco e uma grande conquista histórica” do Brasil. Ele ressaltou que o país é hoje, a despeito de grandes dificuldades, líder mundial na produção de alimentos e na exportação de carnes. E que a solicitação do reconhecimento do país partiu do próprio comitê científico da entidade.

“É algo de enorme relevância, de uma abertura ainda maior de mercados em todo o planeta para nossos produtos”, disse o senador, informando que 180 países fazem parte da OIE.

Moka enfatizou que o rebanho comercial do Brasil é o maior do mundo, com 217 milhões de cabeças, e que a pecuária brasileira responde por 18% das exportações mundiais de carne e por 7,4% do produto interno bruto do (PIB) do país. Ele apontou ainda a grande dimensão que o setor adquiriu no Brasil para a geração de riqueza, empregos e renda.

O ministro da Agricultura e senador licenciado, Blairo Maggi, fez um histórico do combate à febre aftosa no Brasil, desde o primeiro caso registrado, em 1895, no Triângulo Mineiro, até a criação do programa nacional de erradicação da doença, em 1992, e a obrigatoriedade da vacinação dos rebanhos em todo o país, em 1996.


“Tivemos uma batalha cheia de percalços, mas, graças a muito esforço, trabalho, conhecimento, dedicação e luta de produtores rurais, de gerações de técnicos e gestores, isso se tornou realidade”, disse.

Ele explicou que, em abril, o Brasil completa 12 anos sem ocorrência de febre aftosa, e em maio, Amazonas, Roraima, Amapá e parte do Pará deverão receber o reconhecimento internacional da OIE, passando a integrar todo o território brasileiro na condição de livre de febre aftosa com vacinação. Santa Catarina está um patamar acima, livre de febre aftosa sem vacinação.

“Essa condição traz para o país evidentes impactos positivos na consolidação e na ampliação de mercados para os produtores pecuários brasileiros. Por essa razão, a luta contra a febre aftosa é tarefa de todos”.

Carne Fraca

Durante a sessão, Cidinho Santos (PR-MT) disse que  os senadores ligados ao setor produtivo precisam se reunir com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Rogério Galloro, para falar sobre a Operação Carne Fraca.

Segundo o senador, enquanto o Brasil recebe certificados internacionais de qualidade sanitária, alguns profissionais da PF e do Ministério Público, “que não conhecem os esforços de décadas que têm sido feitos”, agem com pirotecnia e terminam por prejudicar as exportações.

“Este mercado é muito disputado internacionalmente e a última operação [3ª fase] tem provocado um grande dano”, disse.

Cidinho afirmou que a Carne Fraca vem sendo usada por produtores europeus para fechar mercados às exportações brasileiras, prejudicando especialmente a empresa BRF. Para o senador, que foi aplaudido pelo Plenário lotado, a conseqüência tem sido desemprego e férias coletivas.

Ana Amélia (PP-RS) lembrou que o próximo objetivo do país é ser reconhecido internacionalmente como livre da febre aftosa no status “sem vacinação” até 2023, mas que o Rio Grande do Sul trabalha autonomamente para conseguir essa condição já em 2019. Neste sentido, contou a senadora, atuam conjuntamente o governo estadual, a classe produtiva e o Ministério da Agricultura. As conseqüências do novo reconhecimento serão a valorização da arroba brasileira e a diminuição nos custos de produção.

Novo objetivo

Wellington Fagundes (PR-MT) reforçou que há 12 anos o país não registra casos de febre aftosa e que os avanços científicos e técnicos visando à erradicação da doença são notáveis. Ele destacou, entre outras ações, a vacinação em massa dos rebanhos no Brasil e em países vizinhos. Para o senador, a conquista do status “sem vacinação” exigirá uma interlocução ainda mais efetiva entre produtores, Poder Executivo, Congresso Nacional e profissionais da medicina veterinária.

“O novo objetivo só será atingido com o fortalecimento financeiro e institucional da Secretaria de Defesa Agropecuária [do Ministério]. Também será necessária autonomia aos auditores fiscais federais agropecuários, com o fortalecimento de suas carreiras”, disse Wellington, que é médico veterinário e colocou-se à disposição para esse diálogo institucional.

O presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Francisco Cavalcanti, lembrou que existem hoje no país 327 cursos superiores nessa área e 135 de Zootecnia. No Brasil, atuam profissionalmente 118 mil médicos veterinários e 9 mil zootecnistas.

Também participaram da sessão representantes de diversas entidades do setor pecuário.

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