Atlas do Agronegócio será debatido em Curitiba

Redação e Assessoria


Curitiba recebe nesta terça-feira (25) um debate sobre o “Atlas do Agronegócio – fatos e números sobre as corporações que controlam o que comemos”, publicação lançada pelas fundações alemães Heinrich Böll e Rosa Luxemburgo no início do mês, no Rio de Janeiro.

Com riqueza de dados, mapas e infográficos,  o “Atlas do Agronegócio – Fatos e números sobre as corporações que controlam” o que comemos apresenta artigos de especialistas nacionais e estrangeiros que desvendam a cadeia do agronegócio no Brasil e no mundo e fazem um raio X da atuação das grandes corporações transnacionais que dominam o setor.

Propagandas de TV tentam vender a ideia de que o “Agro é Tudo”: motor da economia nacional, moderno, movido à alta tecnologia, gerador de empregos e divisas para o País. Há, no entanto, uma face obscura do agronegócio brasileiro que coloca o pais no topo de outras listas, menos lisonjeiras.  O Brasil é campeão mundial na produção de alimentos geneticamente modificados, no consumo de agrotóxicos, no desmatamento de ecossistemas nativos e em assassinatos de defensores e defensoras de territórios tradicionais e do meio ambiente.  É este o lado B do setor, uma realidade da qual o Brasil deveria se envergonhar profundamente

Segundo Maureen Santos, “a tendência crescente de concentração da produção e distribuição da cadeia faz com que as definições sobre qualidade, preço e acesso sejam determinadas pelas grandes corporações do setor. “Um exemplo é o mercado de sementes que, depois de fusões bilionárias, é dominado mundialmente por apenas quatro empresas transnacionais que impõem a utilização de transgênicos e a padronização da produção para atender as necessidades da indústria alimentícia. O resultado é o cultivo cada vez mais raro de espécies nativas e sementes crioulas que garantem a diversidade e variedade de espécies, colocando em risco as tradições alimentares de diferentes culturas e regiões do Planeta.

O Atlas aborda ainda a realidade brasileira ao desvendar o lobby dos ruralistas em governos e no Congresso Nacional, a alta concentração de terra no País e os impactos da recente reforma trabalhista nas relações no campo, que podem aumentar os índices de trabalho escravo.

Produção a que custo?

Longe de se preocupar com a erradicação da fome ou garantir alimentos acessíveis e saudáveis para a população mundial, a cadeia do agronegócio busca aumentar produtividade e lucros de forma acelerada e com altos custos ambientais e sociais, aponta o Atlas. Perda de fertilidade de solos, redução de biodiversidade, morte de oceanos e aumento crescente da emissão de gases de efeito estufa são algumas das consequências relacionadas à disseminação de novas tecnologias no campo e ao desmatamento.

No que diz respeito aos trabalhadores rurais e pequenos produtores, a situação não é diferente: postos de trabalho no campo estão sendo erradicados e produtores estão sendo expulsos de suas terras para dar lugar às grandes plantações de monocultura.

Temas como sementes, fertilizantes, maquinaria, marcas e cadeia de varejo, agrotóxicos, transgênicos, patentes, comércio global, lobby, investimentos, biofortificação, resistência e conflitos no campo, agroecologia e gourmetização da alimentação saudável são tratados de maneira direta, apontando os impactos desta realidade na alimentação da população mundial.

Embora a situação seja complexa e possa parecer desanimadora, há saídas e alternativas possíveis. O Atlas aponta ações de resistência de pequenos produtores, povos indígenas, comunidades tradicionais e quilombolas, e apresenta alternativas já aplicadas no Brasil e no mundo, como a agroecologia.

Debate:

O Atlas foi lançado no Rio de Janeiro com a presença de 200 pessoas, autores, Bela Gil e Gregório Duviver e ganhou atenção da imprensa com matérias no jornal O Globo, Intercept , Brasil de Fato, entre outros veículos. Em Curitiba, a ideia é reunir mais uma vez pessoas para ampliar este debate sobre a origem dos alimentos e os riscos de uma concentração de mercado no setor. Para Darci Frigo, coordenador da Terra de Direitos, organização anfitriã do evento, “É importante conhecer as contradições da agricultura, especialmente do agronegócio, para poder construir um projeto de país com alimentação soberana e saudável”.

 

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