Campo ganha área, mas perde trabalhadores e estabelecimentos rurais

Mariana Ohde e Assessoria

Dados preliminares do Censo Agro 2017 foram divulgados hoje (26).
Café Orgânico

Dados preliminares do Censo Agro 2017, divulgados nesta quinta-feira (26), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Brasil perdeu estabelecimentos rurais e trabalhadores desde a realização do último levantamento, em 2006. Porém, a área plantada cresceu no período.

Segundo o levantamento, o Brasil tem cerca de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários, com uma área total de 350,2 milhões de hectares. Em relação ao Censo Agro 2006, a área cresceu 5% e o número de estabelecimentos caiu 2% – 103.484 unidades a menos.

Entre os estabelecimentos com mil hectares ou mais, houve aumentos tanto em número (3,2 mil) quanto em área (16,3 milhões de ha). Sua participação na área total passou de 45% para 47,5% de 2006 para 2017. Já os estabelecimentos entre 100 e mil hectares viram sua participação na área total cair de 33,8% para 32% (menos 814,5 mil ha) e tiveram uma diminuição de 4.152 unidades.

Quanto à condição legal da terra, a proporção de estabelecimentos em terras próprias cresceu de 76,2% para 82%, mas a participação destes estabelecimentos na área total diminuiu de 90,5% para 85,4%.

Já a proporção de estabelecimentos com terras arrendadas caiu de 6,5%, em 2006, para 6,3%, em 2017, embora a participação da modalidade na área total tenha crescido de 4,5% para 8,6%.

Pessoas no campo

Em relação aos trabalhadores, em 2017, havia 15 milhões de pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários. Do total de pessoas, os produtores e trabalhadores com laços de parentesco com eles representaram 73% (10,9 milhões).

Em 11 anos, o Brasil perdeu 1,5 milhão de trabalhadores rurais, incluindo produtores, seus parentes, trabalhadores temporários e permanentes. Em 2006, eram cerca de 16,5 milhões de trabalhadores,

A média de ocupados por estabelecimento também caiu de 3,2 pessoas, em 2006, para 3 pessoas, em 2017. O percentual e o total de produtores e trabalhadores com laços de parentesco com eles caiu de 77% (12,8 milhões de pessoas), em 2006, para 73% (10,9 milhões de pessoas), em 2017.

Em contraponto com a queda no pessoal ocupado, o número de tratores aumentou 49,7% (cerca de 408 mil unidades a mais) na comparação com o Censo Agropecuário de 2006, chegando a 1.,2 milhão de unidades em 2017. Já o número de estabelecimentos que utilizavam este tipo de máquina aumentou em mais de 200 mil, alcançando um total de 734 mil produtores em 2017. Os dados indicam a mecanização da agricultura.

Entre os endereços visitados, apenas 6.582 (ou 0,13%) não responderam ao Censo Agro 2017. Os resultados apresentados nesta divulgação preliminar ainda não incluem cerca de 3 mil questionários que estão passando por processo de validação e 1.213 estabelecimentos de coleta especial (empresas e grande produtores).

Perfil dos produtores

Quanto ao perfil dos produtores, 15,5% declararam que nunca frequentaram escola; 29,7% não passaram do nível de alfabetização, e 79,1% não foram além do nível fundamental. Além disso, 1.163.354 produtores (23,05%) declararam não saber ler e escrever.

Apenas 0,29% dos produtores (14,4 mil) frequentaram mestrado ou doutorado, enquanto outros 5,58% (281,6 mil) cursaram ensino superior.

O censo ainda mostra que a participação das mulheres cresceu: entre 2006 e 2017, o total de estabelecimentos nos quais o produtor é do sexo feminino aumentou de 12,7% para 18,6% (945.490 pessoas), enquanto os homens passaram de 87,3% para 81,4% (4,1 milhões) do total.

Quanto à idade, houve redução na participação dos grupos de menores de 25 anos (3,30% para 2,03%), de 25 a menos de 35 (13,56% para 9,49%) e de 35 a menos de 45 (21,93% para 18,29%), enquanto os grupos mais velhos aumentaram sua fatia: de 45 a menos de 55 (23,34% para 24,77%), de 55 a menos de 65 (20,35% para 24,01%) e de 65 ou mais (17,52% para 21,41%).

Em números absolutos, o fenômeno se repete, com os grupos até 45 anos em queda e altas nas classes superiores. O maior efetivo se concentra no grupamento de 45 a 55 anos, que conta com 1.221.953 produtores, enquanto o maior crescimento ocorreu na classe de 55 a menos de 65, que ganhou 131.005 integrantes na comparação entre 2006 e 2017.

Além disso, pela primeira vez, o Censo Agro investigou a cor ou raça dos produtores. Isoladamente, a população branca é a maior entre os produtores, com 45% (2,29 milhões), seguida de perto pela parda, com 44% (2,24 milhões), além de 8% da população preta (422,5 mil). Completam os números os indígenas e os de cor amarela, com 1% (56 mil) e 0,6% (33 mil), respectivamente.

Na comparação com os números do módulo de Características Gerais dos Moradores e dos Domicílios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), de 2017, pode-se notar que a ­, sendo apenas um pouco maior o percentual de brancos (45% entre produtores e 43,6% no total da população) e ligeiramente menor entre os pardos (44% entre produtores contra 46,8% no total). Já o número de pretos é semelhante, com 8,6% da população geral, contra 8% entre os produtores.

Agrotóxicos crescem 20,4%

Em 2017, cerca de 1,6 milhão de produtores utilizavam agrotóxicos, um aumento de 20,4% em relação a 2006, quando 1.396.077 produtores declararam ter utilizado agrotóxicos.

No período, 134.360 produtores afirmaram que utilizam os produtos, mas não houve necessidade de aplicação no período de referência.

Áreas de matas naturais 

Em relação ao uso da terra nos estabelecimentos agropecuários, entre 2006 e 2017, observou-se redução de 31,7% na área utilizada para lavouras permanentes, como frutas e café, por exemplo. Já a área destinada a lavouras temporárias, como grãos e cana de açúcar, cresceu 13,2%.

Houve, também, redução de 18,7% nas áreas de pastagem natural e crescimento de 9,1% nas áreas destinadas a pastagens plantadas. O Censo mostra, ainda, elevação da quantidade de hectares destinados a matas naturais (11,4%), que são as florestas naturais, e plantadas (79,2%), que são as áreas destinadas a silvicultura.

Acesso à internet cresce 1.790,1%

Em 2017, 1,4 milhão de produtores declararam ter acesso à internet, sendo que 659 mil (46,2%) através de banda larga, e 909 mil (63,77%), via internet móvel. Em 2006, o total de estabelecimentos agropecuários que tinha acesso à internet era de apenas 75 mil, o que representa um aumento de 1.790,1% em 2017.

O acesso ao telefone também cresceu. Pode-se destacar a evolução observada na existência do aparelho nos estabelecimentos, passando de 1,2 milhão para 3,1 milhões de propriedades com acesso a telefone entre 2006 e 2017, um acréscimo de 1,9 milhão ou 158%.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
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