Mercado de carnes tem projeção otimista nas exportações para o segundo semestre

Jorge de Sousa

Exportações de frango e carne suína crescem

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) não tem conseguido diminuir o ritmo do agronegócio brasileiro, em especial do setor de carnes.

Junto do complexo soja, as carnes auxiliaram o Brasil a registrar 0,6% de crescimento no primeiro trimestre de 2020 em comparação ao último trimestre de 2019.

Nenhum outro setor da economia nacional apresentou crescimento nesse período.

E o cenário para o segundo semestre segue positivo para as exportações desse setor, com tendência de crescimento em comparação ao último ano.

“Os problemas de produção ao redor do mundo, como a peste suína africana na China, problemas sanitários em frigoríficos australianos e norte-americanos deixa um cenário consistente ao Brasil”, explicou o pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da USP (Universidade de São Paulo), Thiago Carvalho.

Para Carvalho a tendência é que mesmo com esse aumento nos embarques, o mercado interno não registre grande elevação nos preços das carnes, em especial dos bovinos, como visto no final do ano passado.

“Esse cenário deve manter estável o preço das carnes no país, obviamente com algumas oscilações, até pela entressafra bovina (maio e junho). Mas a tendência é de firmeza de preços”, pontuou o pesquisador.

Carvalho ainda destacou que o consumidor tem modificado seus hábitos de consumo durante a pandemia, tentando se adequar a nova realidade financeira.

“Os valores de consumo de roupas e combustíveis têm sido transferido diretamente para os alimentos, que são os itens com maior variação de preço nessa pandemia. Por isso, se deixa de consumir um iogurte grego para manter o leite para todos os filhos ou se troca um queijo importado pelo tipo minas”, apontou Carvalho.

EXPORTAÇÕES DE SUÍNOS PODE CRESCER ATÉ 20%

Dentro do setor de carnes é o mercado de suínos que deve registrar o maior crescimento nas exportações. Após embarcar seu recorde com 750 mil toneladas em 2019, os produtores nacionais devem conseguir 20% de alta nesses índices até o final de 2020, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal)

“O fator “China” continua a impulsionar as vendas externas do setor, aliado a outros mercados relevantes dentre os 150 países que importam os produtos brasileiros.  Em carne suína, é possível que superemos a marca de 900 mil toneladas exportadas”, explicou o presidente da ABPA, Francisco Turra.

Ainda de acordo com a ABPA, somente nos quatro primeiros meses de 2020, as exportações de carne suína chegaram a 280,8 mil toneladas, volume 28,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Já as receitas foram puxadas pelo câmbio favorável e chegaram a uma alta de 53,5%, com US$ 650,3 milhões gerados entre janeiro e abril deste ano.

Dentro do mercado interno, os produtores de suínos já têm conseguido observar um aumento no preço dessa carne no varejo, puxado pelo distanciamento social causado pelo coronavírus.

“Em uma época de restrição de renda, opções como a salsicha e o ovo ganham espaço. Também existe a troca de cortes, como o filé mignon para consumir um filé mignon suíno ou um contra filé e também um peito de frango para a coxa e sobrecoxa”, contextualizou Carvalho.

MERCADO DE FRANGO MAIS CAUTELOSO NAS PROJEÇÕES

O frango brasileiro tradicionalmente ocupa posições de destaque nas exportações nacionais. Mas o setor ainda se mantém cauteloso sobre um possível crescimento nos números deste ano.

“É necessário avaliar diariamente, pois estamos em um momento de volatilidade. Pelo frango ter um ciclo produtivo mais rápido se comparado ao de outras proteínas, o mercado possui maior variação, apresentando diferenças ao longo das semanas”, explicou o presidente do Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná), Domingos Martins.

Recentemente o setor foi impactado com a paralisação das atividades em diversos frigoríficos pelo país, incluindo uma planta da empresa GTFoods no município de Paranavaí, região noroeste do Paraná.

Mas os números nos primeiros quatro meses de 2020 se apresentaram positivos, com 1.365 milhão de toneladas exportadas no primeiro quadrimestre, sendo 536,96 mil toneladas somente dos produtores paranaenses, segundo números da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Com esse início de ano promissor, a ABPA estima que o setor registre novamente crescimento nas exportações, chegando a 6% de alta nos 4.212 milhões de toneladas embarcadas no ano passado.

Já no mercado interno, o setor tem observado um padrão de equilíbrio nos preços e na demanda. “A redução do volume de produto entregue aos restaurantes, por exemplo, passa a ser destinado diretamente aos supermercados e para a casa dos brasileiros”, finalizou Martins.

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