Agronegócio
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Coopera Paraná ajuda a promover agricultura orgânica no estado

Aos poucos as organizações paranaenses que investem em orgânicos estão reduzindo custos, se modernizando e superando dificuldades

Redação - 08 de abril de 2022, 11:35

Foto: Cooperativa Frutispérola
Foto: Cooperativa Frutispérola

O desafio de aumentar a produção de alimentos orgânicos no Paraná conta com intenso trabalho junto a associações e cooperativas de pequenos produtores. Por meio de iniciativas como o programa Coopera Paraná, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, aos poucos as organizações que investem em orgânicos estão reduzindo custos, se modernizando e superando dificuldades.

Mais de um terço das organizações atendidas pelo Coopera Paraná trabalha com produtos orgânicos. Das 106 cooperativas inscritas, 42 são de agricultura orgânica.

Entre as 64 associações, 30 são desse tipo de alimento. E a produção é diversificada: inclui olericultura, fruticultura e temperos, entre outros produtos. Diante do aumento da demanda por alimentos saudáveis e de ameaças externas como a deriva de agrotóxicos e a expansão de monoculturas, fortalecer essas pequenas organizações é um dos pilares do programa.

No caso do Coopera Paraná, o estímulo aos alimentos sem agrotóxicos já começa nos critérios para pontuação no edital. Assim, quanto mais ações apresentadas para estimular a produção agroecológica ou orgânica, maiores as chances de um projeto ser aprovado. Com recursos de até R$ 600 mil, as entidades selecionadas conseguem financiar obras, adquirir matéria-prima, veículos, máquinas e equipamentos, e contratar profissionais.

“A ideia é melhorar a renda das famílias, garantir alimentos cada vez mais saudáveis e fazer com que a agricultura familiar possa industrializar os alimentos, agregando valor à produção”, diz o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.

Segundo o coordenador do Coopera Paraná, Jefferson Meister, o programa também fornece acompanhamento técnico-gerencial, capacitação e auxílio com comercialização e acesso a mercados. “Buscamos atender as necessidades das organizações desde o campo até a agroindustrialização e a chegada ao consumidor. São instrumentos para melhorar a competitividade e a renda. Para quem trabalha com orgânicos, isso faz toda a diferença”, explica.

FRUTICULTURA

Uma das entidades atendidas é a Associação de Fruticultores de Pérola (Frutiperola), no Noroeste, que tem 64 associados e atua principalmente com acerola orgânica, produzindo cerca de 300 toneladas por ano, vendidas, em sua maioria, para empresas de outros estados.

Uma das dificuldades era o gasto com energia para as câmaras frias, segundo o presidente da associação, Edson Pinguello. Com os recursos obtidos por meio do programa, no ano passado, foi possível instalar um sistema de energia solar e obter uma economia expressiva. O gasto anual de energia elétrica era de R$ 100 mil. Com o sistema de energia solar, a previsão para o ano será de, no máximo, R$ 15 mil.

“Inicialmente, nossa entrada na atividade orgânica foi imposição de uma empresa compradora. Depois, passou a ser uma escolha nossa, já que a atividade, além de oferecer vantagem na comercialização, traz economia e também nos livra do uso de agroquímicos”, diz o presidente.

Em Nova Tebas, na região Central, a Cooperatvama, com 51 cooperados, investe em dois produtos principais: acerola e manga, vendidas no Paraná e em São Paulo. Agora pretende expandir a produção para abacate e olericultura. “O Coopera vai nos ajudar a dar sequência nos trabalhos da agroindústria e, principalmente, nas questões ambientais necessárias”, explica a presidente da cooperativa, Lucy de Fátima, que vê na produção orgânica uma forma de aproximação com a natureza.

“Os benefícios maiores são na saúde e em tentar deixar para as gerações futuras, nem que seja de forma pequena, uma contribuição e prova de que tentamos fazer o melhor por elas”, afirma.