Cooperativas retomam produção e distribuição de alimentos no PR

Redação e BandNews FM Curitiba


Com a liberação das estradas, as cooperativas paranaenses retomaram as atividades e o escoamento da produção. Durante a paralisação dos caminhoneiros, nove frigoríficos de aves, três de suínos, dois de peixes e cinco laticínios de cooperativas no estado, além de armazenadoras de grãos, estavam parados.

Os comboios de cargas começaram a se deslocar desde ontem. Os caminhões estão sendo escoltados pela Polícia Militar e a Defesa Civil. Um dos primeiros comboios organizados pelo Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) levou alimentos para abastecer supermercados de Curitiba.

Segundo o presidente da instituição, José Roberto Ricken, cargas de produtos como leite e carnes estão sendo deslocadas com destino a diversas cidades do Paraná, ao Porto de Paranaguá e a outros estados. A orientação aos cooperados é para que os caminhões se movimentem sempre em comboios, com apoio das forças de segurança.

A estimativa é de que as cooperativas tenham perdido R$ 547 milhões em faturamento em uma semana de paralisação dos caminhoneiros. O prejuízo é irreversível. Todas as indústrias cooperadas, como as de aves, suínos e de leite, ficaram totalmente paradas. Além de não escoarem a produção e enfrentarem dificuldade de espaço para armazenamento, produtores tiveram que sacrificar animais por causa da falta de ração ou porque o tempo de abate havia passado. As cooperativas eliminaram 6,9 milhões pintinhos de um dia.

O presidente da Ocepar, José Roberto Ricken, diz que a paralisação dos caminhoneiros provocou diferentes níveis de prejuízos e de riscos de desabastecimento na agricultura e na pecuária. “A situação é muito grave. Em risco elevado: trigo, já em desabastecimento, café e laranja, que se não colher vai cair no chão e perder. Em risco moderado: grãos e fertilizantes para a próxima safra. A gente tem dois meses para levar os fertilizantes para a área de produção, se não levar não vai ter plantio”, afirma.

Voltar ao normal

A Ocepar prevê que seja necessária pelo menos uma semana para que o setor restabeleça a produção e a distribuição no ritmo anterior à greve. A distribuição de alimentos organizada em comboios é resultado de um acordo firmado pelo G7, formado por instituições do setor produtivo, e o governo do estado. Na manhã desta quarta-feira, representantes do grupo estiveram reunidos com a governador Cida Borghetti (PP). De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal, o custo da carne de aves e suínos deve subir 30% até que a produção seja totalmente restabelecida.

Desde o início da paralisação dos caminhoneiros, cerca de 135 mil toneladas de carne de aves e suínos deixaram de ser embarcadas para exportação. Segundo a ABPA, as exportações seguem paralisadas nos portos. A associação informou que até as 17h desta quarta (30), 46 unidades produtoras de aves, ovos e suínos do país haviam retomado as atividades parcial e gradativamente.

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