Estudos na UEL avaliam resistência de pragas da soja a defensivos agrícolas

Redação

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Pesquisadores da UEL (Universidade Estadual de Londrina) estudam alternativas de driblar a alta resistência de pragas da lavoura de soja, como a lagarta e o percevejo, a defensivos agrícolas, biológicos e químicos. Esse foco é o alvo de duas pesquisas das doutorandas do Programa de Pós-graduação de Genética e Biologia Molecular, do Centro de Ciências Biológicas.

A lagarta da soja e o percevejo marrom são incômodos persistentes dos produtores apesar da expectativa pelas exportações do grão contabilizarem 135 milhões de toneladas neste ano, segundo dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Para Renata da Rosa, do Departamento de Biologia Geral da UEL e coordenadora do projeto denominado “Sequenciamento e Análise do Genoma de Duas Espécies de Insetos-Pragas da Soja: Euschistus heros e Anticarsia gemmatalis”, o controle do percevejo marrom e da lagarta são essenciais para melhorar a produtividade e, também, as formas de interação entre produtor e meio ambiente.

“Ao encontrar formas de conter a resistência aos defensivos, também pretendemos ajudar a mudar as práticas de controle”, afirma a pesquisadora.

Renata orienta os trabalhos de Larissa Forim Pezenti, que estuda a resistência da lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis) a um agrodefensivo biológico feito com base no BT (bacillus thuringiensis), e de Jaqueline Dionísio, que analisa a resistência do percevejo marrom (Euschistus heros) ao inseticida químico organofosfarato.

“Ambas as pesquisas estudam insetos que estão em estágio descontrolado de reprodução. São problemas sérios nas lavouras”, avalia Renata.

A pesquisa na UEL é feita em parceria com a Embrapa Soja, com o pesquisador Daniel Ricardo Sosa Gomez, e o professor Rogério Fernandes de Souza, coordenador do Laboratório de Bioinformática e professor do Departamento de Biologia Geral.

PERCEVEJO MARROM E LAGARTA DA SOJA

Segundo Jaqueline, a resistência do percevejo marrom ao inseticida ocorre por motivos variados, desde a aplicação contínua do defensivo a problemas de ordem ambiental. Ao não observar resultado com a pulverização, o produtor aplica mais e mais em uma mesma região, o que seleciona percevejos resistentes por seleção genética.

“O modo de ação é o mesmo e os insetos tendem a ficar concentrados, sem se dispersar. Isso cria mecanismos de resistência, os quais estamos avaliando”, comenta a pós-graduanda da UEL. Entre os mecanismos, que são provocados por alterações genéticas dos percevejos, estão o de identificação do odor do inseticida, o da alteração da cutícula (que retarda a entrada do inseticida no organismo) e, por fim, o de um conjunto de genes que retarda o metabolismo do inseto e dificulta a absorção.

Em todos os casos, a pesquisa passa por encontrar um controle biológico não agressivo ao meio ambiente, ou reduzir a aplicação dos defensivos químicos. “São produtos ofensivos à saúde e ao meio ambiente, se usados demais. Tudo isso ocorre, também, pois muitos produtores não respeitam os 10% de refúgio para não cultivo de soja transgênica”, avalia a pesquisadora.

Já o controle da lagarta da soja – que pode desfolhar todas as regiões da planta, das folhas à raiz – é feito pelo BT (bacillus thuringiensis). A pesquisa confronta o desempenho de plantas expostas ao bacilo e não expostas para avaliar prováveis mudanças genéticas.

“Encontramos nos genes dos insetos analisados que tiveram contato com o inseticida receptores de toxinas, mas o comportamento delas é bem complexo. É o que estamos estudando daqui para frente”, encerra a pós-graduanda da UEL.

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