Agronegócio
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Família Zilli, de Morretes, há 110 anos produzindo e colhendo frutos da terra

Na estrada do Babau, ligação da rodovia Miguel Bufara com Estrada do Anhaia, em Morretes, encontramos a propriedade do p..

Pedro Ribeiro - 11 de dezembro de 2021, 19:42

Na estrada do Babau, ligação da rodovia Miguel Bufara com Estrada do Anhaia, em Morretes, encontramos a propriedade do produtor rural Luiz Bortolo Zilli – o filho do Babau – enraizada nas proximidades do Rio do Pinto há 110 anos.

Nos fundos do casarão, um antigo sobrado, estão 10 hectares de terras cultivadas com chuchu e maracujá, os carros-chefes da família de descendentes de italianos que desembarcou em Morretes em 1909.

Bortolo Zilli, com 86 anos de idade, sai pela manhã para o campo, ora para preparar a terra, em cima de um trator de arado, ora para plantar e colher chuchu e maracujá, produtos que são comercializados na Central de Abastecimento de Curitiba – Ceasa.

Luiz Carlos Zilli (51), ao lado de seu irmão, Sergio Zilli (61), filhos de João Jacinto e de Dona Maria Madalena Possiede Zilli (80), que também ainda ajuda na lavoura, além dos afazeres domésticos, selecionam mudas de chuchu para o plantio que se inicia neste mês de dezembro com colheita prevista para início em maio e vai até dezembro.

Nestes 10 hectares que representam 10 mil metros de parreirais de chuchu e maracujá, a família Zilli chega a uma extraordinária produção de 20 a 25 caixas de chuchu. Em apenas 1 ha são perto de 340 pés e, em cada pé, são colhidas entre 25 a 30 caixas por ha. Cada caixa, de aproximadamente 20 quilos, são vendidas entre R$ 30 a R$ 35.

Bortolo Zilli é um cidadão que conhece a agricultura de Morretes na palma da mão. Já produziu gengibre e banana que exportava para a Argentina. Passou por todos os tipos de hortis, arroz da seca e muita cana para abastecer mercado de garapa e melado de Curitiba.

Segundo ele, a produção agrícola de Morretes, do lado do Rio do Pinto, sofreu grandes alterações com a construção da BR-277 que liga Curitiba a Paranaguá e passa pelo município de Morretes, além do trágico derrame de óleo que atingiu vários rios da região. “Haviam até robalos nestas bandas do Rio Pinto”, lembra.

Zilli não reclama, criou os filhos, que criaram os netos, todos pelos frutos da terra. “Meu avô, João Batista Zilli, dizia e, aprendi com ele, que dificuldades sempre existem. Se antes, eram com cavalos e arados, hoje com tratores, sempre há um ou dois problemas e temos que seguir em frente”.

Luiz Carlos Zilli conta que, hoje, um dos principais problemas, além do alto preço dos insumos, como esterco e adubo, é a mão de obra. “Se você conseguir um trabalhador e pagar R$ 80 por dia, ele não fica mais do que dois dias na lavoura”.

A família Zilli é tradicional em Morretes. Participa de todos os eventos relacionados à agricultura, como feiras e exposições e também estão presentes em ações beneficentes da comunidade, seja na igreja ou fora dela.

Luiz Carlos Zilli, além de trabalhador, que levanta antes do sol nascer e se recolhe ao por do sol, é uma pessoa alegre e prestativa. Gosta de estar com amigos num churrasco e sempre está presente nas festas de igrejas, principalmente participando como voluntário.

Ele vende bem os produtos aos quais trabalha e gosta de mostrar. Conhecemos, através dele, a destacada vagem de metro, uma leguminosa que é vendida em maços. Bem maior do que as tradicionais vagens que compramos nos supermercados.

Tradicional em Morretes, a família tem muitas histórias para contar sobre a cidade e sobre a agricultura. Mas são os amigos que falam sobre os Zillis da estrada do Babau. Jean Carlo Hunzicker, muito amigo de Luiz Carlos Zilli lembra do que os mais velhos falavam sobre o “Cavalo Babau”. Um animal, de origem francesa, da raça Pechiron, comprado por um tropeiro que passou pela região.

Além de puxar carroça, esse cavalo, dócil, com quase e metros de altura, pesava em média 600 quilos e, além de muito bonito, que chamava a atenção quando passava, também fazia o trabalho de quatro cavalos comuns. Assim ficou conhecido em Morretes como o “Cavalo do Babau”.

Entre outras histórias e episódios da roça, Bortolo Zilli lembra de quando foi mordido por uma jararaca. “Mostrando o dedo minguinho da mão esquerda com séria atrofia, disse que foi surpreendido pelo animal quando estava no parreiral de chuchu. Ao largar um balde para apanhar o fruto no pé, foi atacado pela cobra. “Seu moço, não queira ter a dor que tive”, comentou. Teve que ser hospitalizado e tomar soro. E alertou: tem muita jaracuçu na nossa região. É preciso cuidado.