Fechamento de fábrica de fertilizantes vai impactar setor agroindustrial, diz Federação

Francielly Azevedo

mpt fertilizantes

O fechamento da fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados (Ansa) deve aumentar a dependência da agroindústria brasileira da importação de insumos, afirma a FUP (Federação Única dos Petroleiros). O encerramento das atividades foi anunciado nesta terça-feira (14) pela Petrobras, que informou que quase 400 trabalhadores serão demitidos.

Somada às outras duas Fafens que a Petrobras arrendou no fim de 2019, na Bahia e em Sergipe, a unidade garantia o abastecimento de cerca de 30% do mercado brasileiro de ureia e amônia.

“Com o fechamento da Fafen do Paraná e o arrendamento das unidades da Bahia e de Sergipe, a agroindústria brasileira vai ficar nas mãos dos importadores de amônia e ureia, base para a produção de fertilizantes. As Fafens serviam como lastro para agroindústria escolher onde comprar. Agora, ela vai ficar à mercê das altas de preços no mercado internacional, da variação do dólar e do aumento dos preços dos fertilizantes no mercado interno, já que estes não estarão mais sob responsabilidade da Petrobrás”, afirma Deyvid Bacelar, diretor da FUP.

A Federação também acredita que pelo fato de o Brasil ser um grande exportador de commodities agrícolas, o aumento da importação de fertilizantes ainda pode refletir negativamente na entrada dos produtos nacionais no mercado externo. Um aumento dos custos na produção agrícola nacional ameaça a competitividade do país sobretudo em grandes mercados compradores, como a China.

PREJUÍZOS

Segundo a Petrobras, a decisão do encerramento da Ansa ocorre após o fim das tentativas de venda do ativo por mais de 2 anos. As negociações teriam avançado com uma companhia russa, mas não houve efetivação da venda.

O comunicado afirma que a Ansa vem apresentando recorrentes prejuízos desde que foi adquirida em 2013. Conforme a estatal, de janeiro a setembro de 2019, a Araucária gerou um prejuízo de quase R$ 250 milhões. Para o final de 2020, as previsões indicam que o resultado negativo pode superar R$ 400 milhões.

A Petrobras afirma que no contexto atual de mercado, a matéria-prima utilizada na fábrica, que é o resíduo asfáltico, está mais cara do que seus produtos finais – amônia e ureia – e as projeções para o negócio continuam negativas. A Ansa é a única fábrica de fertilizantes do país que opera com esse tipo de matéria-prima.

TRABALHADORES SURPRESOS

Segundo a FUP e o Sindiquímica-PR, não houve qualquer negociação anterior entre a diretoria da Petrobras e os trabalhadores da unidade sobre uma possível paralisação das atividades. Considerando ainda os empregos indiretos, o total de trabalhadores atingidos chega a 1.000 pessoas. A FUP destaca que pretende abrir negociações com a diretoria da empresa para a garantia dos direitos dos trabalhadores .

Em relação às demissões da fábrica de Araucária, a Petrobras afirma que os profissionais vão receber além das verbas rescisórias legais, um pacote adicional composto de valor monetário entre R$ 50 mil e R$ 200 mil, proporcional à remuneração e ao tempo trabalhado; manutenção de plano médico e odontológico; benefício farmácia e auxílio educacional por até 24 meses; além de uma assessoria especializada de recolocação profissional.

A Petrobras também ressalta que está em fase final de negociação de convênio para oferecer programas de capacitação e requalificação profissional para as comunidades que ficam no entorno da fábrica, no município de Araucária. Serão oferecidas 1000 vagas para moradores destas comunidades.

PRODUÇÃO

Usando resíduo asfáltico (RASF), a unidade é capaz de produzir diariamente 1.303 toneladas de amônia e 1.975 toneladas de ureia, de uso nas indústrias química e de fertilizantes. A planta também produz 450 mil litros por dia do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas.

A planta ainda pode produzir 200 toneladas/dia de CO2, que é vendido para produtores de gases industriais; 75 toneladas/dia de carbono peletizado, vendido como combustível para caldeiras; e 6 toneladas/dia de enxofre, usado em aplicações diversas.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.