Frigoríficos do Paraná investem R$ 100 milhões para manterem exportações durante Covid-19

Jorge de Sousa

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A pandemia da Covid-19 também impactou a produção de frangos no Paraná, com os frigoríficos tendo que investir com recursos próprios R$ 100 milhões para manterem as atividades e as exportações.

Para o presidente do Sindivipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná), Domingos Martins, os investimentos permitiram que o setor não registrasse perdas no período.

“Não houve prejuízos, porque o setor trabalhou dentro de um padrão, com todos os cuidados necessários para garantir a saúde dos trabalhadores e o abastecimento para a sociedade”, explicou Domingos.

Dentre as medidas adotadas pelos frigoríficos do Paraná se destacam:

  • Afastamento dos colaboradores identificados como do grupo de risco;
  • Elaboração e distribuição de conteúdos explicativos sobre processos de higienização em diferentes formatos dentro e fora da empresa;
  • Adoção de medidas para impedir aglomerações em ambientes da empresa;
  • Atenção especial aos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs);
  • Medição diária da temperatura de todos os colaboradores e acompanhamento médico junto aos funcionários;
  • Apoio aos caminhoneiros, responsáveis pela distribuição do alimento produzido.

“Nós estamos muitos bem aparelhados, com ótimas condições técnicas e proatividade para garantir a produção de qualidade e a saúde das pessoas. Isso faz parte da rotina, as atividades exigem protocolos. Assim, agindo dentro das boas práticas que é o nosso norte, exercemos a atividade da mesma forma”, prosseguiu Martins.

FRIGORÍFICOS ENFRENTARAM SURTO E RUÍDOS COM A SESA

Mas os investimentos para garantir que as medidas de proteção fossem cumpridas enfrentou dois problemas durante essa pandemia: surtos da Covid-19 em duas plantas no estado e um decreto restritivo emitido pela Secretaria de Estado da Saúde.

Os surtos da Covid-19 foram registrados nas cidades de Cianorte e Paranavaí, sendo que a planta da GTFoods em Paranavaí precisou ficar sem atividades por duas semanas.

Já a Nota Orientativa número 31 emitida pela Secretaria de Estado da Saúde não agradou o setor de proteína animal, recebendo críticas de entidades representativas do setor, em especial por não seguir as recomendações expressas por um decreto geral do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

“Precisa ter um tipo de distanciamento em cada lugar? Ou se existe uma regra nacional que aponta que há segurança? Só para dizer que o meu é mais e o seu é menos”, questionou o diretor-executivo da ABPA, Ricardo Santin em entrevista coletiva na última semana.

Na última sexta-feira (17), a Secretaria de Estado da Saúde revogou a Nota Orientativa e manteve as orientações expressas no decreto do Mapa.

PARANÁ CRESCE EM ABATE E EXPORTAÇÕES DE FRANGO

Mesmo com a pandemia da Covid-19 a avicultura do Paraná registrou crescimento em seus números no primeiro semestre de 2020.

Segundo dados do Sindiavipar, 984,7 milhões de frangos foram abatidos no Paraná de janeiro a junho deste ano, número 7,1% maior que o total de abates no mesmo período do ano passado, quando alcançou a marca de 919,4 milhões de cabeças.

Esse foi o maior índice registrado no primeiro semestre em toda história da avicultura do Paraná.

Já as exportações pelos frigoríficos apontaram 825,1 mil toneladas de frango embarcadas no período, volume 4,1% superior ao exportado nos primeiros seis meses de 2019, quando 792,3 mil toneladas da proteína foram destinadas ao mercado externo, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Os principais mercados importadores do frango do Paraná nesse período foram a China (177,3 mil toneladas), África do Sul (67,5 mil toneladas) e Emirados Árabes Unidos (58,3 mil toneladas).

“A princípio queremos continuar crescendo, trabalhamos em nível superior à média nacional, e mantendo os cuidados. Não tenho dúvidas que, dessa maneira, nós vamos continuar com nosso crescimento”, finalizou Martins.

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