‘Açaí da Mata Atlântica’: fruto de palmeira juçara é alternativa de renda aos produtores do Paraná

Redação

jucara

O fruto das palmeiras juçara pode ser uma boa alternativa para os produtores rurais do Paraná. Isso porque a polpa do fruto da palmeira é transformada em sobremesa com cor, sabor e composição semelhantes ao tradicional açaí da Amazônia, mas com ingredientes da Mata Atlântica.

Nativa da região, a palmeira foi muito explorada durante décadas para a produção de palmito em conserva. Entretanto, a árvore morre ao ser cortada e uma muda leva pelo menos 10 anos para chegar à fase adulta.

A exploração da palmeira fez com que a árvore entrasse na lista de espécies ameaçadas de extinção. Isso gera um desequilíbrio ecológico, já que a ave jacutinga é um dos animais que se alimenta do fruto da planta.

Contudo, na retirada da polpa, as sementes podem voltar para a mata, o que acaba gerando novas palmeiras.

“A juçara é uma espécie ameaçada de extinção e o seu corte para a extração do palmito é proibido por lei. Por isso, encontrar novas formas de gerar renda a partir da planta valoriza a espécie para que os produtores sigam cultivando-a, preservando-a e fortalecendo os ecossistemas onde ela é encontrada”, conta Guilherme Karam, coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Estudos conduzidos pelo Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) também revelam que a polpa do fruto da palmeira juçara tem teores de lipídios, proteínas, vitaminas, ferro, potássio e zinco superiores ao do açaí.

NATUREZA EMPREENDEDORA

Promovido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza para articular e capacitar atores e desenvolver negócios inovadores para a região do litoral norte paranaense, a Natureza Empreendedora visa explorar o potencial econômico da região, capacitar a comunidade local e aumentar a quantidade de negócios com impacto positivo ao meio ambiente.

Ao todo, 35 empreendedores de Antonina, Morretes, Paranaguá e Guaraqueçaba estão envolvidos no Natureza Empreendedora, que também conta com o apoio do Sebrae-PR na fase de ideação de propostas.

“Queremos mostrar que desenvolvimento econômico e conservação da natureza conseguem andar lado a lado, gerando benefícios para o meio ambiente e para a comunidade local. É o chamado ‘negócio de impacto’ que gera resultados financeiros positivos de forma sustentável e ainda protege e valoriza o patrimônio natural”, destaca Karam.

Iniciado em 2018, o Natureza Empreendedora foi estruturado a partir da identificação do potencial empreendedor aliado à conservação da Mata Atlântica em alguns municípios da região do Lagamar paranaense.

O estudo concluiu que há espaço para inovação, melhoria da qualidade de vida da população e agregação de valor, com impacto socioambiental positivo. A pesquisa também mapeou que os jovens desejam continuar na região, mas não encontram oportunidades, e que existe pouco senso de valorização e identidade da Mata Atlântica.

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