Inovações tecnológicas estão atraindo novos produtores para a sericicultura

Francielly Azevedo


No Paraná, a entrada de novos produtores na sericicultura (criação do bicho-da-seda) está modernizando a atividade com novas técnicas, aumentando o potencial de produtividade e de renda. O desempenho do setor, que está com um cenário de aumento de produção e nos preços de comercialização, indica que a produção de casulo de seda está sendo economicamente atrativa.
O Estado se destaca como o maior produtor de casulo de seda do País, com 84% da produção, e exporta todo o fio processado no Estado por uma única empresa compradora de casulo que é a Bratac.

Fios de seda produzidos no Paraná abastecem as tecelagens de mercados compradores importantes como Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Itália e França. O diferencial do fio paranaense é sua elevada qualidade e por isso é disputado pelas tecelagens dos mercados mais valiosos do mundo. Mais de 95% da produção de casulo é considerada de primeira qualidade.
Técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento destacam que o trabalho integrado entre Instituto Emater, Iapar e universidades paranaenses ajudaram a atividade a se manter atuante no Estado, e que agora ganha um fôlego com as inovações tecnológicas que estão sendo introduzidas.

A engenheira agrônoma Gianna Maria Cirio, que acompanha a atividade no Departamento de Economia Rural (Deral), destaca o crescimento da safra e a renda que pode ser obtida com a sericicultura. A última safra, 2016/17 foi 10% maior que a anterior e agricultores que estão alcançando a produtividade de até 1.500 quilos por hectare de casulo/ano podem conseguir renda líquida de dois salários mínimos, depois de pagar todos os custos de produção. Além disso, a sericicultura permite trabalhar com outras atividades na propriedade, propiciando a diversificação.

Tanto as inovações tecnológicas, a potencialidade e o desempenho do setor serão discutidos esta semana, no dia 19, em Londrina, durante o 35º Encontro Estadual de Sericicultores e 16º Encontro Nacional, que reúne também produtores de outros Estados. Entre as discussões estarão a substituição de máquinas e equipamentos no lugar do esforço braçal, em função da redução da mão de obra disponível no campo.

“É justamente a possibilidade de obter renda com um trabalho mais tecnificado que está atraindo a atenção de jovens, que estão retornando à propriedade rural”, disse a agrônoma. Por isso, eles estão empenhados em adotar as inovações necessárias para tornar o trabalho menos penoso e mais rentável.

O objetivo do encontro é oferecer um bom espaço para a troca de experiência entre os produtores e de apresentação dos resultados obtidos nas propriedades. Sericicultores acompanhados pela Emater, Iapar e Bratac têm propriedades consideradas modelo na aplicação de novas tecnologias e na gestão administrativa de seus negócios.

O Instituto Emater vem desenvolvendo o projeto Rede de Referências, na área da sericicultura, onde algumas das propriedades são consideradas referência para os seus vizinhos na demonstração da viabilidade da atividade, como a automação para o fornecimento do alimento e na limpeza dos casulos. A atividade manual de colher e limpar os casulos que duravam de três a quatro dias, pode ser feita em cerca de cinco horas com a mecanização.

PRODUÇÃO E PREÇOS

O Paraná conta hoje com 1.867 produtores de casulo de seda, com aproximadamente 2 mil barracões, distribuídos em 161 municípios, sendo a maior parte concentrada na região Norte do Estado.
A área total de produção de amoreira está estimada pelo Deral em 3.966 hectares, com produção obtida de 2.466 toneladas na safra 2016/17. A produtividade média atual é de 622 quilos por hectare, com tendência de aumentar esse rendimento a partir do melhor desempenho com a entrada de novos produtores.

Entre 2016 e 2017 os preços aumentaram em mais de 6%, passando de R$ 17,00 o quilo do casulo para R$ 18,46. Além disso, os produtores recebem um bônus pela qualidade do produto entregue, também pago pela indústria.

Segundo Gianna Cirio, os produtores descobriram que aplicar todo o conhecimento técnico aplicado nas lavouras, na condução dos plantios de amoreiras, cujas folhas servem de alimento às lagartas que vão produzir o casulo da seda, traz resultados positivos. Com isso, eles agora estão investindo em adubação, espaçamento correto, correção de acidez do solo, mecanização, enfim todas essas técnicas juntas levam ao aumento da produtividade e da produção, explicou Cirio.

De acordo com a agrônoma, a sericicultura é uma atividade que remunera o produtor e a renda fica no município. Ela diz que trata-se de uma cadeia produtiva organizada, com a participação de diferentes agentes como a instituição de extensão rural, de pesquisa, das universidades e da iniciativa privada. “Para reforçar, a cadeia produtiva conta com o apoio de uma câmara técnica que foi fundamental na obtenção de crédito em diferentes programas da Secretaria da Agricultura e Abastecimento como patrulhas mecanizadas e calcário”.

**Da Agência Estadual de Notícias**

Previous ArticleNext Article
Avatar
Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
[post_explorer post_id="536896" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]