No agronegócio, Brasil dá muito a americanos e recebe pouco

Folhapress

O Brasil cedeu muito e volta de mãos vazias dos Estados Unidos quando se trata de agronegócio. O país zera a taxa de importação de trigo para até 750 mil toneladas e abre o mercado brasileiro para a carne suína dos americanos.

Em troca, os Estados Unidos vão mandar uma missão técnica e sanitária para avaliação das condições brasileiras de produção de carne bovina. Só depois vão avaliar se abrem ou não o mercado dos EUA para a carne “in natura” do Brasil.

A ação do governo brasileiro no setor de trigo deixou os produtores muito preocupados. A medida deve reduzir ainda mais a produção brasileira, uma vez que parte do trigo do Paraná era destinada ao Nordeste.

O trigo americano, devido à proximidade e à boa logística, terá vantagens sobre o produto brasileiro das regiões Sul e Nordeste.


O volume liberado com taxa zero para países fora do Mercosul representa 11% das importações de 2018. Essa cota está liberada também para outros países, como Canadá e Rússia. A Argentina, principal fornecedora do Brasil, já não paga a taxa, que é de 10%.

No setor de suínos, os produtores e exportadores brasileiros querem reciprocidade. Os Estados Unidos podem exportar para o país, mas eles querem que todos os estados brasileiros produtores sejam aptos a colocar carne no mercado americano. Atualmente, Santa Catarina pode exportar, mas a quantidade é pequena, segundo o presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

A abertura do mercado brasileiro de suínos para os americanos é um perigo, não pela concorrência, mas por problemas sanitários.

Os Estados Unidos convivem com a ocorrência de várias doenças no setor, inclusive a diarreia suína e a peste suína africana. Já o Brasil não tem problemas sanitários relevantes. O sistema de inspeção brasileiro vai ter de fazer bem a tarefa de casa com a carne importada.

 

*** por Mauro Zalafon

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