Febre aftosa: retirada da vacina atesta sanidade animal do Paraná

FAEP

Por Bruna Fioroni

O pleito pelo status de área livre de febre aftosa sem vacinação tem elevado o ânimo dos pecuaristas paranaenses, em virtude das vantagens econômicas e comerciais que o título carrega. Mas, junto a isso, o novo cenário levanta questões sobre as mudanças técnicas que ocorrerão daqui para frente.

Com o objetivo de sanar as dúvidas dos produtores e aprofundar a discussão, o Fórum Regional Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação percorreu mais três municípios em maio: Guarapuava (21), Pato Branco (22) e Cascavel (23). Os primeiros eventos ocorreram em Paranavaí (14) e Cornélio Procópio (15). As reuniões são uma iniciativa do governo do Estado com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR e diversas entidades estaduais e locais.

O presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Menguette, reafirma que o trabalho na sanidade animal paranaense já percorre um longo caminho, com participação expressiva das entidades. A FAEP e o SENAR-PR têm papéis fundamentais na construção do que é hoje o sistema sanitário do PaFEBRE AFTOSA raná. Nessa trajetória, Meneguette destaca a Lei Sanitária (Lei 11.504/1996), complemento na esfera estadual da legislação federal que facilita ao produtor cumprir as reponsabilidades na manutenção sanitária; participação nas reuniões da OIE a fim de entender como conduzir as políticas e ações para dotar o Estado de condições internacionais de sanidade animal; criação do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), para unir os elos da cadeia produtiva; criação do Fundepec; criação dos Conselhos de Sanidade Agropecuária (CSAs) em 170 municípios e criação da Adapar, em que o SENAR-PR foi mobilizador de diversos treinamentos dos funcionários.


“O Paraná está pronto para ser reconhecido como área livre de aftosa sem vacinação, condição essa de reconhecimento que o nosso sistema de defesa é eficiente e sério. Todo esse trabalho irá beneficiar milhares de pequenos e médios produtores e trabalhadores rurais e ampliará a indústria integradora do Paraná, distribuindo mais renda, que irá circular nos municípios, gerar mais empregos e, assim, vamos contribuir para o desenvolvimento social e econômico do Estado”, conclui Meneguette.

Um dos debates promovidos pelo evento envolve os aspectos técnicos da retirada da vacina, destacando as principais mudanças para os pecuaristas e o que permanece sem alterações. De acordo com o gerente de Saúde Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Rafael Gonçalves Dias, as campanhas de vacinação serão substituídas por atualizações cadastrais duas vezes ao ano, em maio e novembro.

“O principal foco é a orientação para manter os cadastros atualizados e, para isso, o produtor terá que declarar o rebanho. Não iremos fazer cadastro individual igual Santa Catarina. O produtor não terá gastos com implantação de chips ou brincos de identificação no animal”, afirma.

A atualização cadastral será realizada nas unidades da Adapar. A entidade pretende ampliar o serviço e instituir uma plataforma digital, para que o pecuarista possa declarar seu rebanho com mais facilidade. “A retirada da vacina não é o fim do processo, mas o início de outro. Vamos substituir por outras estratégias e, por isso, precisamos dos dados atualizados”, observa Dias.

Após os cadastros, a Adapar irá reforçar as fiscalizações in loco, incluindo contagem de rebanho, análises de risco e uso de sistemas para direcionamento desse serviço. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou, em abril de 2019, que a campanha de vacinação em vigência neste mês de maio é a última no Paraná. O próximo passo é a publicação da Instrução Normativa que reconhece, nacionalmente, o Paraná como área livre de febre de aftosa sem vacinação, alterando, então, o trânsito de animais. Além de proibida a vacinação, armazenamento, compra e venda de doses de vacina no Paraná, também não será permitido o ingresso de bovinos e bubalinos vacinados no Estado. A entrada de ovinos, caprinos e suínos, por serem animais que nunca foram vacinados no Brasil, continua sem alterações, apenas sendo necessária uma autorização prévia da Adapar.

Segundo o gerente de Saúde Animal da entidade, a possibilidade da entrada de bovinos vacinados direto para o abate está em discussão na OIE, situação que atualmente é proibida. Ainda sobre o trânsito, serão criados corredores sanitários para a passagem de animais vacinados vindos ou em direção a outros Estados. O ingresso de bovinos paranaenses em Santa Catarina, área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2007, só será permitido após o reconhecimento da OIE em 2021.

Dias também evidencia que a proibição da entrada de bovinos vacinados no Estado não é prejudicial, visto que o número de animais que adentram o território paranaense é baixo e, portanto, não significativo se comparado ao atual rebanho de 9,3 milhões de cabeças. Ainda, os trabalhos nos postos de fiscalização da Adapar foram e continuarão sendo reforçados, principalmente nas divisas com Mato Grosso do Sul e São Paulo, para controle de animais e produtos. No total, são 33 postos nas fronteiras do Estado, sendo quatro no Mato Grosso do Sul, 19 em São Paulo e 10 em Santa Catarina. “São feitas análises de trânsito e das GTAs [Guias de Trânsito Animal]. Verificamos quais são os tipos de animais que entram, quais são os produtos, os dias da semana”, detalha.

A Adapar também conta com um suporte via satélite para realizar as fiscalizações das propriedades e do trânsito de animais no Estado. Além disso, a entidade irá realizar um treinamento, em agosto de 2019, que fará a simulação de um foco de febre aftosa no Estado, com o objetivo de identificar as possíveis dificuldades da equipe. “O fortalecimento do serviço veterinário oficial é necessário sempre. Temos feito análises de risco para saber onde eventualmente poderia entrar febre aftosa e quais seriam as ações a serem tomadas”, compartilha Dias.

Veja a matéria no Boletim Informativo.

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