O “lobby do agrotóxico” está mandando no Brasil, denuncia líder do MST

Jordana Martinez

O líder do MST João Pedro Stédile participou do penúltimo dia da 17ª Jornada de Agroecologia, nesta sexta-feira (08), em Curitiba. O evento é organizado por mais de 40 movimentos e entidades do Paraná, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a UFPR e a UTFPR.

Stédile questionou o atual modelo de agricultura de produção em larga escala com “abuso de agrotóxicos” e transgênicos mas afirmou que, aos poucos, o consumidor está se conscientizando das vantagens dos orgânicos e agroecológicos para a saúde.

“Nós criamos uma consciência na população que os produtos (agrícolas) das grandes redes de supermercados estão contaminados (com agrotóxico)… o Instituto do Câncer e várias pesquisas acabaram comprovando que muitos casos de câncer e de parkinson tem relação com o consumo de alimentos contaminados com agrotóxico”, afirmou.

Para Stédile, o grande desafio é regulamentar a produção agrícola sem a influência do chamado “lobby dos agrotóxicos”.


“As grandes empresas transnacionais é que estão mandando no Brasil e na legislação e nos deputados. Estão tentando liberar os agrotóxicos e transgênicos… nosso legislativo é dominado pela bancada ruralista, muitos políticos mancomunados e financiados por empresas transnacionais, estão acelerando para fazer todas as mudanças que a sociedade brasileira, tenho certeza, se tivesse conhecimento, não aceitaria”, disse.

Há quase um mês, a comissão especial da Câmara Federal que analisa o projeto que altera as regras de comercialização de agrotóxicos tenta, sem sucesso, debater o relatório apresentado pelo deputado Luiz Nishimori (PR-PR). O texto (PL 6299/2002) limita a atuação de órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) na liberação dos agrotóxicos. Segundo o relator, a ideia é “modernizar” o processo de liberação dos produtos.

Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo

A contaminação dos alimentos por agrotóxicos é uma realidade confirmada por um Dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), divulgado em 2015. Segundo a pesquisa, 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos, e 28% desses alimentos contém substâncias não autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os impactos do consumo cotidiano de alimentos contaminados ainda não são mensurados de maneira completa, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que os agrotóxicos causam 70 mil intoxicações agudas e crônicas por ano.

O Paraná é conhecido como estado forte no agronegócio, fato que o coloca na posição de terceiro maior consumidor de agrotóxicos do país. A cada ano, cerca de 96,1 milhões de quilos de agrotóxicos são utilizados no estado, de acordo com dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), de 2013. De todo o estado, a região de Cascavel é a que mais consome veneno na agricultura.

Veja a programação completa da 17ª Jornada de Agroecologia em  http://www.jornadaagroecologia.com.br

 

 

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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