Palmeira juçara é opção para produtores rurais no litoral do Paraná

Redação

Palmeiras juçara - litoral do Paraná - produtores

Produtores rurais do litoral do Paraná tem aliado sustentabilidade e renda com a produção de palmeiras juçara. Com a aposta na conservação da árvore e na colheita dos frutos, a iniciativa de 35 empreendedores tem dado bons resultados.

Os produtores estão baseados nos municípios de Antonina, Morretes, Paranaguá e Guaraqueçaba e fazem parte do projeto Natureza Empreendedora, de responsabilidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. O projeto também conta com o apoio do Sebrae-PR (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná).

O fruto da palmeira juçara tem em sua polpa características semelhantes com o açaí, uma das frutas que mais cresceram em consumo no Brasil na última década.

Estudos conduzidos pelo Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) revelam que a polpa do fruto da palmeira juçara tem teores de lipídios, proteínas, vitaminas, ferro, potássio e zinco superiores ao do açaí.

“Queremos mostrar que desenvolvimento econômico e conservação da natureza conseguem andar lado a lado, gerando benefícios para o meio ambiente e para a comunidade local. É o chamado ‘negócio de impacto’ que gera resultados financeiros positivos de forma sustentável e ainda protege e valoriza o patrimônio natural”, explica Guilherme  Karam, coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

COMBATE AO DESMATAMENTO

A palmeira juçara foi muito explorada durante décadas para a produção de palmito em conserva. Entretanto, a árvore morre ao ser cortada e uma muda leva pelo menos 10 anos para chegar à fase adulta.

A derrubada desenfreada da palmeira fez com que ela entrasse na lista de espécies ameaçadas de extinção e desencadeasse desequilíbrios ecológicos, como a dificuldade de sobrevivência da jacutinga, ave que se alimenta do fruto da planta.

“A juçara é uma espécie ameaçada de extinção e o seu corte para a extração do palmito é proibido por lei. Por isso, encontrar novas formas de gerar renda a partir da planta valoriza a espécie para que os produtores sigam cultivando-a, preservando-a e fortalecendo os ecossistemas onde ela é encontrada”, complementa Karam.

Iniciado em 2018, o Natureza Empreendedora foi estruturado a partir da identificação do potencial empreendedor aliado à conservação da Mata Atlântica em alguns municípios da região do Lagamar paranaense.

O estudo concluiu que há espaço para inovação, melhoria da qualidade de vida da população e agregação de valor, com impacto socioambiental positivo. A pesquisa também mapeou que os jovens desejam continuar na região, mas não encontram oportunidades, e que existe pouco senso de valorização e identidade da Mata Atlântica.

“No final da década de 90, toneladas de sementes da palmeira juçara foram lançadas no solo e estimava-se, na época, o nascimento de 2,5 milhões de árvores que nunca foram extraídas devido à proibição do corte pelo risco de extinção da espécie. Abrimos os olhos para essa riqueza enorme e vamos trabalhar com os frutos da árvore, gerando empregos na região e um impacto ambiental positivo”, afirma Rachel Siviero, uma das idealizadoras do projeto.

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