Governo estuda cota de importação de leite do Uruguai

Mariana Ohde


O ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) deve negociar uma cota de importação de leite do Uruguai, atendendo a demandas de produtores brasileiros. A cota já é usada com a Argentina.

As negociações acontecem durante encontro na próxima semana, em São Paulo, com o ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Tabaré Aguerre.

Na terça-feira (22), representantes da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) se reuniram com Maggi para apresentar sugestões de medidas para diminuir o volume de importação de leite uruguaio, porque ela estaria desequilibrando os preços no Brasil. Além da OCB, o ministro tem recebido apelos de representantes do setor, do governador gaúcho José Ivo Sartori e da senadora Ana Amélia (PP/RS), entre outras autoridades para interceder junto ao governo do Uruguai.

Uma das propostas recebidas pelo ministro é de alterar a Instrução Normativa nº 11/1999, proibindo a compra para programas governamentais de produto lácteo não embalado no estabelecimento de origem, além da exigência da redução do período de validade em prateleira quando internalizado.

De acordo com a OCB, o Brasil foi destino de 86% do leite uruguaio em pó desnatado e 72% do integral, em 2017. Nos primeiros seis meses deste ano, já foram importadas 41.811 toneladas de leite em pó do país. A tarifa zero em vigor e a ausência de uma negociação de cota tem desagradado os produtores nacionais.

Comércio

Durante o primeiro trimestre de 2017 – de janeiro a março -, o Uruguai exportou US$ 147,48 milhões em produtos lácteos, um aumento de 41% com relação aos mesmos meses de 2016, segundo o Instituto Nacional do Leite (Inale), do Uruguai.

Em volume, foram exportadas 25.312 toneladas de leite em pó integral, 1% a mais do que 2016. Além disso, foram exportadas 4.171 toneladas de leite em pó desnatado, 8.161 toneladas de queijos (+4%) e 2.796 toneladas de manteiga (+0%).

Segundo o gerente geral do Inale, Gabriel Bagnato, o Uruguai, apesar de ter uma diversidade de aproximadamente 70 destinos, concentrou seus envios para os países do Mercosul. Ele comentou que o Brasil lidera as importações, ficando com 50% das exportações uruguaias.

Paraná

No Paraná, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), as importações de lácteos tiveram em salto significativo em 2016 em relação a 2015. Em volume a alta foi de 230% e em valores 223%. O principal fator para esse aumento foi a queda do dólar, que compensou o aumento dos preços internacionais, e a redução da disponibilidade no mercado interno. Este cenário tem estimulado a compra pelas indústrias de lácteos de fora do país a valores mais acessíveis.

Balança Comercial Lácteos

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal