Mapa vai enviar missão ao Uruguai para negociar importação do leite

Mariana Ohde


Uma missão técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vai à Montevidéu, no Uruguai, na próxima segunda-feira (30), para dialogar com autoridades sanitárias locais sobre a suspensão temporária das importações de leite daquele país pelo Brasil.

As reuniões se estenderão até 3 de novembro.

A paralisação das importações foi determinada pelo ministro Blairo Maggi, pois os produtores e representantes do setor na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) alegam que o produto uruguaio afeta negativamente a formação de preços no mercado doméstico, inviabilizando a produção local.

O ministro defende a fixação de cotas de importação do leite uruguaio. O Mapa estuda medidas para atender aos produtores nacionais.

O brasil tem mais de 1 milhão de produtores de leite. 99% dos municípios têm registro de atividade leiteira. Em toda a cadeia do leite, estão envolvidos cerca de 4 milhões de trabalhadores.

Crise do leite

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, disse, na segunda-feira (16), que a pasta não tem recursos para equilibrar o mercado do leite com compras governamentais e que é preciso esperar a economia melhorar. Segundo Maggi, o leite não precisa de incentivos para ser consumido no Brasil e a retomada da economia deve resolver a situação dos produtores, prejudicados pela queda dos preços internos.

“Todos nós consumimos leite pela manhã, compramos produtos com leite. Para aumentar o consumo tem que aumentar a renda. Quanto maior a renda dos consumidores, mais eles partirão para a compra de comida e de insumos pessoais”.

Suspensão do Uruguai

No começo do mês, atendendo a uma demanda do setor e da FPA, Maggi decidiu suspender as licenças de importação de leite do Uruguai. Mais barato, o leite uruguaio, de acordo com o ministro, tem contribuído para a crise no setor no Brasil. De acordo com ele, a situação está se transformando em “quase insuportável” para o produtor local, em função dos custos que inviabilizam competir com o produto do país vizinho.

O argumento usado pelo ministro foi de que o Uruguai exporta mais leite do que poderia produzir, o que poderia sinalizar que o país vende ao Brasil leite comprado de terceiros.

 

A suspensão da compra de leite uruguaio, segundo Maggi, valerá até que seja concluída a rastreabilidade do produto e só será revertida se conseguirem comprovar que 100% do volume exportado ao país são produzidos no Uruguai. O ministro defendeu o estabelecimento de uma cota de importação do produto pelo Brasil, o que ajudaria a regular o mercado.

Parceiro comercial

O comércio com o Brasil é estratégico para o Uruguai. Dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostram que o Brasil comprou 86% da produção de leite em pó desnatado uruguaio e 72% do integral, em 2017.

Nos primeiros seis meses deste ano, já foram importadas 41.811 toneladas de leite em pó do país vizinho. No total, 36% do comércio de produtos do agronegócio e 25% de todos os produtos comercializados entre os países referem-se a produtos lácteos.

Ao receber a notícia da suspensão, o governo uruguaio se disse surpreso e afirmou que a decisão foi tomada de forma unilateral pelo Brasil, sem nenhuma advertência anterior. Segundo o chanceler Rodolfo Nin Novoa, é “absolutamente insustentável que se diga que o Uruguai triangula leite para vender ao Brasil”.

Novoa diz que o Uruguai vende 100 mil toneladas de leite por ano ao Brasil. Por outro lado, importa apenas 300 toneladas de outros países.

O Uruguai advertiu que a postura do Brasil poderá prejudicar a abertura da União Europeia ao Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). “Quando os negociadores da UE virem como, entre nós, seguimos colocando travas, nossa posição se torna inconsistente”, afirmou Novoa. O governo uruguaio enviou uma nota ao Brasil expondo esses riscos.

De acordo com nota divulgada pela presidência do Uruguai, na última sexta-feira (13), o presidente Michel Temer conversou por telefone com o presidente Tabaré Vázquez. Segundo os uruguaios, Temer comunicou “seu compromisso pessoal de que não haverá inconvenientes no ingresso de produtos lácteos uruguaios no Brasil”.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
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