Leitura de DNA ajuda a melhorar qualidade do leite no sudoeste do Paraná

Mariana Ohde


Com Sebrae/PR

Foi realizado na última sexta-feira (25), em Francisco Beltrão, um encontro para a devolução dos resultados da primeira fase do projeto Genética Genômica do Sudoeste. O objetivo é aprimorar o setor de bovinocultura e a qualidade do leite na região por meio das informações obtidas com o mapeamento genético. Foram analisadas 567 das 615 amostras coletadas em fêmeas de 54 propriedades rurais da região.

O trabalho de leitura de DNA foi desenvolvido pelo DNA Genética do Brasil, empresa de Chapecó (SC). O projeto é idealizado pela Agência de Desenvolvimento Regional do Sudoeste do Paraná e pelo Sebrae/PR, com apoio da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop).

Celso Barbiero Alves, geneticista e diretor técnico da DNA Genética do Brasil, apresentou aos presentes no auditório da Agência os principais resultados quanto ao rebanho analisado. Sob o ponto de vista técnico, o rebanho leiteiro da região, composto por fêmeas das raças Holandesa (83%) e Jersey (17%), precisa de correções, segundo o especialista.

Em função das características da região, que tem mais de 80 laticínios voltados principalmente para a produção de queijo, os teores dos chamados sólidos (proteínas e gorduras) do leite podem limitar a cadeia produtiva. “Apenas 37% do rebanho foi considerado bom ou ótimo para produção de sólidos, o restante dos animais é ruim para a finalidade. Se os índices seguirem sem correção rápida e eficiente, haverá aumento nos custos de fabricação, com a necessidade de mais litros de leite para fazer um kg de queijo”, alerta Alves.

O geneticista ainda destaca outros pontos que precisam de correção. No Composto de Úbere (sistema mamário) do rebanho, apenas 18,2% são considerados animais bons ou ótimos. As demais fêmeas analisadas são regulares (50,2%), ruins (13,4%) e péssimas (18,2%).

“O sistema mamário representa o maior desafio dos produtos. Os problemas nos úberes resultam em perda de produção e até descarte dos animais”, resume Alves.

No quesito Patas e Pernas, a leitura mostrou que 76,2% dos animais foram considerados regulares e apenas 2,5% bons ou ótimos. “A proporção deveria ser inversa, especialmente pelo fato da região ser de terrenos íngremes e que exigem mais das patas e pernas”, reflete.

Solução

Para Alves, a solução está na melhoria genética do rebanho, com a seleção de touros que tenham as características desejadas. “É um processo que terá resultados entre dez e 15 anos, mas é preciso começar de imediato”, alerta o geneticista, graduado em Genética de Rebanhos em Madri, Espanha.

Sabino Oltramari, consultor do Sebrae/PR na Regional Sul, informa que a iniciativa faz parte de projeto-piloto na região e que a genética genômica traz inovação para o setor leiteiro. “A preocupação é fornecer matéria-prima de qualidade que atenda as demandas, principalmente no momento em que se trabalha com a ideia de produzir queijos diferenciados”, comenta.

O consultor ressalta que, após a leitura genética realizada no ano passado, o projeto continua em 2017, com a adesão de novos produtores, ampliando para aproximadamente mil animais diagnosticados.

Grupo de trabalho

Célio Boneti, diretor executivo da Agência de Desenvolvimento, relata que, após a apresentação dos resultados, foi formado um grupo de trabalho, constituído por pesquisadores de instituições de ensino, da Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná) e Amsop, entre outros. Laticinios, empresários e Prefeituras deverão participar pontualmente.

“Os próximos passos do grupo serão definir a forma de funcionamento e esboçar um modelo animal para a região, conforme a genética genômica. Para a implantação, será necessário um plano de trabalho, somando as áreas de pesquisa, assistência técnica, política e econômica”, antecipa Boneti.

Produtores e laticínios

Aliados do projeto, produtores e representantes de laticínios são os maiores interessados no desenvolvimento das ações. Angelo Calgaro, que tem rebanho com 168 animais da raça Jersey em Mangueirinha, confessa que não esperava que a tecnologia de leitura de DNA chegasse tão cedo à região e acredita que seja apenas o começo de uma nova realidade.

“Agora sei exatamente a qualidade e as características do meu rebanho (considerado um dos melhores entre os produtores analisados). A partir de agora, é trabalhar para corrigir algumas deficiências”, afirma.

Calgaro, que também é gerente-geral do laticínio Vila Nova, em Mangueirinha, aponta que o projeto é uma “chama que foi acesa” e que as indústrias do leite também precisam aderir à iniciativa. “Os laticínios têm que entrar, pois são os maiores interessados, junto com os produtores”, atesta Angelo Calgaro.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal