Fraude em frigoríficos preocupa cadeia produtora e pode afetar exportações

Jordana Martinez


Jordana Martinez e Francielly Azevedo

Um dos maiores produtores de carne do país, o Paraná pode sofrer impactos após a deflagração da operação Carne Fraca. O estado tem o décimo maior rebanho, com 9,2 milhões de cabeças, o que representa 4,3% do total do Brasil e é o maior exportador de proteína animal do país.

Segundo o diretor do Deral, Departamento de Economia Rural do Paraná, Francisco Simioni, toda a cadeia de produção agropecuária fica preocupada com os possíveis efeitos das irregularidades denunciadas nesta sexta-feira (17), pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF), no mercado interno e externo.

“É precoce ainda estimar a extensão dos danos em relação ao mercado. O setor fica apreensivo porque é algo muito sério, desde o produtor, toda a cadeia fica preocupada. Nós esperamos aclarar as investigações e que os responsáveis sejam responsabilizados. Esperamos que o mercado reaja de forma adulta e isso tudo não afete a cadeia e as exportações”, afirmou em entrevista ao Paraná Portal.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Kroetz, apesar do problema não ser de sanidade da matéria prima, mas de corrupção, as denúncias podem colocar em cheque toda a credibilidade do sistema: “o nome disso é corrupção, não tem o que por nem o que tirar! Mesmo assim é preocupante como o mercado, como o consumidor e o importador vão entender isso”, desabafou. Segundo ele, a qualidade da matéria prima está assegurada: “o bovino, o suíno, as aves estão garantidos. O problema aconteceu da porteira do frigorífico para dentro, após o abate!”, explicou.

Em nota, A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), repudia a ação criminosa de fiscais do Ministério da Agricultura (MAPA) e indústrias que manipulam produtos de origem agropecuária.

“Os produtores rurais fazem grande esforço no sentido de ter uma produção que atenda as boas práticas preconizadas e a segurança alimentar, para agora ver indústrias utilizando de suas matérias-primas de forma fraudulenta. Indústrias que deveriam estar ao lado do produtor rural e do consumidor na defesa da sanidade agropecuária. Esperamos que a justiça seja feita e que pessoas envolvidas em operações fraudulentas e corruptas sejam investigadas e punidas, para que os bons produtores, que se esforçam na produção de alimentos, não sejam julgados e condenados pelas ações de integrantes de um elo da cadeia”, diz a nota.

O Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (DESAN), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná (SEAB), irá levar à Brasília, nos próximos dias 20 e 21, um manifesto de repúdio às empresas envolvidas na Operação Carne Fraca. Os técnicos do DESAN participarão de uma reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e pretendem voltar ao Paraná com diretrizes para evitar casos como os da operação deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (17).

De acordo com a diretora do DESAN, Valéria Nitsch, o departamento não tem poder de fiscalização, mas pode enviar as demandas para órgãos específicos. “É uma coisa absurda você imaginar que isso acontece nesse nível. O que mais surpreende é que são grandes empresas, consideradas seguras pela população”,  afirmou Valéria Nitsch, diretora DESAN, em entrevista ao Paraná Portal.

 

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Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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