Paraná quer se tornar área livre de febre aftosa sem vacinação

Mariana Ohde


A Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) solicitaram ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) uma auditoria para atestar o Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação. Um dos principais objetivos é alcançar mercados mais disputados.

A medida é consenso nas lideranças das cadeias produtivas de proteína animal no Paraná como bovinos, suínos, aves, leite e peixes. A ideia é fazer a última campanha de vacinação contra febre aftosa em maio de 2018, segundo o secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara. “Os líderes decidiram, em conjunto, suspender a campanha de vacinação”, complementou.

“A meta é, em 2018, termos passado pelas auditorias e termos adequado nossa defesa agropecuária, especificamente nosso serviço veterinário, possibilitando que não se necessite mais, para proteção contra a febre aftosa, vacinar”, explica o presidente da Adapar, Inácio Afonso Kroetz.

Abertura de mercados

De acordo com Ortigara, ao tornar o estado área livre da doença sem vacinação, será possível alcançar mercados mais disputados. “Temos que deixar de usar ferramentas antigas e partir para a inteligência no controle sanitário”, defendeu.

“65% do mercado suíno no mundo não compra carne suína do Brasil porque o país ainda vacina contra febre aftosa. Não conseguimos acessar mercados importantes como Japão e Coreia do Sul, que só compram carne suína de países sem vacinação contra aftosa”, complementou.

“Alguns países asiáticos são muito restritivos em relação a serviços veterinários que ainda necessitam que se aplique a vacinação no gado bovino e de búfalos para garantir que não ocorra a febre aftosa”, explica Inácio Afonso Kroetz. Ele ressalta que a vacinação afeta até a comercialização de animais que não recebem a vacina. “No mercado de suínos, o maior é o Japão. Ele não admite comprar de países, regiões, zonas, estados que pratiquem a vacinação contra a febre aftosa. Embora a vacina não seja aplicada no suíno, ele é criado em regiões onde a febre aftosa é combatida com a vacinação”, diz.

Processo de retirada

De acordo com o diretor-presidente da Adapar, Inácio Afonso Kroetz, a agência está trabalhando para que seja possível recomendar tecnicamente, e com segurança, a suspensão da vacinação contra a febre aftosa. A ideia é tornar prazo entre a retirada da vacinação e o reconhecimento nacional e internacional o menor possível.

Historicamente, os índices de vacinação contra a febre aftosa no Paraná estão acima de 95% e as propriedades com avicultura e suinocultura comercial estão todas georeferenciadas, bem como 92,38% das propriedades cadastradas com bovinos. A meta é atingir 100% de georeferenciamento nas propriedades com bovinos até o final de novembro. “Os resultados da auditoria são decisivos para os encaminhamentos oficiais da condição para a suspensão da vacinação e o reconhecimento de Zona Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação”, disse Kroetz.

Os preparativos para almejar o status são construídos segundo as normas e recomendações do Mapa e Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), responsáveis pelo reconhecimento nacional e internacional.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal