Pesquisa da Conab indica queda na produção nacional de café em 2021

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

café tem queda na safra

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção total de café neste ano deve ficar entre 43,8 milhões e 49,5 milhões de sacas. Isso indica uma queda entre 30,5% e 21,4%, em comparação ao resultado apresentado na safra passada. As razões são a falta de chuvas e o efeito da bienalidade negativa. As informações constam no 1º Levantamento da Safra 2021 de Café, divulgado hoje (21) pelo órgão. O estudo inclui as variedades de café conilon e arábica.

O superintendente de Informações da Agropecuária da Conab, Cleverton Santana, explicou que esse efeito: a planta possui uma produtividade alta em uma safra e na próxima, devido a necessidade de recomposição do vegetal, a produção sofre queda. Segundo o especialista, a bienalidade tem mais influência no café arábica.

“Sendo um ano de bienalidade negativa, sempre há um aumento da área em formação. O produtores escolhem suas áreas onde ocorrem menores produtividades, por esgotamento da planta, e aproveitam esse ano para levar essa área para formação. Assim, fazem o manejo para que no ano de bienalidade positiva ela expresse todo seu potencial de produtividade”, disse durante a apresentação virtual do levantamento.

 

Mais área em formação

Por essa razão, enquanto a área em produção é a menor dos últimos 20 anos, de acordo com a Conab, a área em formação é a maior desse período.  Isso ainda porque a seca que assolou os cafezais também induziram os produtores a aproveitar o ano de bienalidade. A área de produção indicada é de 1,76 milhão de hectares, com uma redução de 6,8% frente a 2020.

Em relação às condições climáticas, Santana explicou que o principal período que afeta a produção de café está concentrado entre setembro e dezembro do ano anterior. É quando há a floração. Em anos de falta de chuvas, a característica natural da planta é derrubar suas flores para manter-se viva.

Na última safra, tivemos áreas com chuva abaixo da média no início da primeira floração. Essas flores foram abortadas. Mas a segunda floração veio no momento de chuvas favoráveis e até a produção foi superada em algumas regiões. Nessa safra não, tivemos a primeira e segunda floração ocorrendo em chuvas abaixo da média, altas temperatura e foi o que aconteceu em muitas regiões”, disse.

Produção de café em 2021

A despeito da redução da produção total, calcula-se uma produção recorde para a espécie conilon, se atingir o limite superior de 16,6 milhões de sacas de café beneficiado. Isso significaria um incremento de 16% em relação a 2020. Pelo limite inferior, a previsão é de pouco mais de 14 milhões de sacas.

Para o arábica, que responde pelo maior volume nacional, a estimativa é de uma colheita entre 29,7 milhões e 32,9 milhões de sacas. Representa uma queda de 32,4% e 39,1%, respectivamente, em comparação com a safra passada. A produtividade no limite inferior está próxima à da safra 2017 (de 24,14 sacas por hectare). E no limite superior, à da safra 2019 (de 27,2 sacas por hectare). Esses também foram anos de bienalidade negativa.

Sobre a conjuntura de mercado, o boletim da Conab indica que o preço para o arábica são os mais altos dos últimos quatro anos. Chegou em R$ 604,90 por saca no mês de dezembro, com 22,6% de aumento durante o ano de 2020. Já o preço do café conilon, no mesmo mês, foi de R$ 379,60, com valorização de 31,67%. “A valorização dos preços neste momento auxilia os produtores de café que, nos últimos três anos, enfrentaram a comercialização de suas safras com preços menos atrativos”, informou o órgão.

O boletim completo do 1° Levantamento da Safra de Café 2021 está disponível no site da Conab.

 

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