Pesquisas reaproveitam biomassa da soja e etanol no Paraná

Brunno Brugnolo - Metro Curitiba

As pesquisas desenvolveram subprodutos para a indústria alimentícia e também para a avicultura e pecuária.

Duas pesquisas nascidas na pós-graduação da UFPR desenvolveram subprodutos para a indústria alimentícia e também para a avicultura e pecuária a partir da biomassa de dois elementos abundantes no país: o farelo de soja e a levedura da produção de etanol.

Uma das pesquisas, da mestra Juliana Teodoro, se aproveitou da levedura excedente da indústria sucroalcooleira e de bebidas e desenvolveu um processo obtendo diferentes frações da moléculas – com diferentes aplicações – gerando dois subprodutos.

Um deles são de substâncias flavorizantes, os realçadores de sabor usados na indústria alimentícia. O segundo subproduto foram substâncias imunoestimulantes para uso na ração animal. “O aditivo na ração tem a função de ligar bactérias com a salmonella e assim inibir infecções, aumentando a resistência do animal”, explica o professor Miguel Noseda, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFPR.

Os testes, feitos no laboratório do professor desde 2010, tiveram a parceria da Bio4 Soluções Biotecnológicas, empresa incubada na Universidade Positivo – foi a 1ª pesquisa aplicada deste setor da UFPR atrelada a uma empresa ativa no mercado.


Além disso, testes para avaliar as aplicações foram realizados em aves no aviário da UFPR, com o apoio da Imunova, incubada no Setor de Ciências Biológicas da UFPR. Já em outra pesquisa, Noseda orientou a tese da doutora Jenifer Rodrigues, que utilizou o farelo de soja, subproduto gerado da produção do óleo de soja, para também inibir infeções no aparelho digestivo dos animais.

“Normalmente o farelo é usado para ração animal, pois tem boa quantidade de proteínas. Esse farelo foi tratado termicamente, modificado e também virou um aditivo para ração, semelhante ao gerado pela levedura”, explica o professor.

Esses aditivos, na prática, servem como substitutos de medicamentos. “Tem muita pesquisa na procura de alternativas para o uso de antibióticos. Existe uma demanda para erradicar o uso em larga escala, como na União Europeia”, diz.

A ideia geral nas duas pesquisas, segundo Noseda, era aproveitar o potencial biotecnológico para gerar subprodutos de maior valor agregado e consequentemente diminuir o impacto na natureza, pois muitas vezes essas biomassas eram descartadas.

Ambas as descobertas já registraram pedidos de patente no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). A versão final da pesquisa de Juliana em 2015, após uma revisão da redação, e a de Jenifer em 2013. “Estamos no aguardo, os pedidos estão levando de sete a dez anos para serem deferidos”, conta o professor.

A expectativa agora é que uma vez que as patentes sejam concedidas, a universidade possa fazer a transferência de tecnologia para empresas interessadas. Dessa maneira, os royalties gerados seriam reinvestidos em pesquisa.

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