Sem transporte, produtores descartam leite e empresas param abate de gado

Andreza Rossini e José Wille

Com informações da CBN Cascavel

As empresas Copagril, Frimesa, Aurora, Lar e C.Vale anunciaram, nesta quarta-feira (23), a suspensão do abate de animais, aves, peixes e suínos, devido a greve dos caminhoneiros que impossibilita o transporte das cargas.

Produtores de leite também começaram a descartar a bebida na região dos Campos Gerais do Paraná. Fazendas não mais onde estocar a produção e com a paralisação, não há transporte para doação ou entrega do produto.

A greve dos caminhoneiros contra o preço do óleo diesel começou na última segunda-feira (21) e atinge vários estados brasileiros. Hoje, o Paraná tem 80 pontos de manifestação nas estradas que cortam o estado, de acordo com as polícias rodoviária estadual e federal.

Carnes

A C. Vale, em Palotina, no oeste do Paraná decidiu suspender o abate de frangos e peixes a partir de hoje. São mais de 530 mil frangos e 50 mil tilápias processados por dia na cooperativa.


Outra empresa (Frimesa), também da região oeste, que tem unidades nas cidades de Medianeira e Marechal Cândido Rondon também decidiu suspender o abate de suínos e alegam prejuízos de 500 mil litros de leite ao dia. Ainda de acordo com a empresa, há matéria-prima suficiente para produção de lácteos até quinta-feira (24) e após isso deve haver desabastecimento.

A Lar Cooperativa Agroindustrial, em Medianeira, comunicou que o abate e industrialização de produtos de frango foram suspensos hoje, de acordo com a empresa, não há espaço para estocar os alimentos.  A BRF em Dois Vizinhos, no sudoeste, informou ontem que por falta de embalagens (caixas de papelão) também teria que suspender parte das atividades.

Vão suspender também a partir de amanhã o abate de animais Copagril e a Aurora.

Leite

Com colonização holandesa e alemã, a região dos Campos Gerais tem um dos leites de melhor qualidade do Brasil.

A propriedade que está descartando o leite fica na colônia alemã de Witmarsum, a 60 quilômetros de Curitiba. No final de semana o leite normalmente não é transportado. E logo a seguir, na segunda-feira, começou a paralisação dos caminhoneiros. O problema é que o rebanho tem que ser ordenhado diariamente, por uma questão de saúde dos animais. E com isso a produção de leite cresce continuamente, sem ter como ser estocada.

Até os tanques, que foram emprestados de vizinhos, nesta situação de emergência, também já estão cheios. O dono da fazenda e laticínios, Manfred Rosenfeld, que produz leite tipo A, afirma que não tem mais como evitar os prejuízos.

“Eu vou soltar o leite da nossa estanqueira e ele vai ser distribuído sobre as nossas pastagens, porque não tem outra coisa a fazer, preciso jogar fora”, afirmou.

Combustível 

Por meio de nota, o sindicombustíveis afirmou que as maiores cidades do estado não sofrem com desabastecimento de combustíveis, mas caso a greve continue pode ser afetadas nos próximos dias. Veja na íntegra:

No momento não há risco de abastecimento nas maiores cidades do Paraná, conforme informações levantadas pelo sindicato em Curitiba e Região Metropolitana, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu.
Nos próximos dias, caso o movimento continue se expandindo com o bloqueio de estradas, podem ocorrer situações pontuais de dificuldade no abastecimento por conta destas interdições.
Sindicombustíveis-PR é contrário a nova política de preços da Petrobras, mas entende que as manifestações devem ser pacíficas e não podem impedir o abastecimento.
Bloqueios em estradas são uma atitude extrema que prejudica toda a sociedade.
Por isso o sindicato entrou em contato com o governo estadual, Secretaria de Segurança Pública e Polícia Rodoviária Federal, na tarde desta terça-feira, solicitando que seja garantida a segurança necessária para a passagem dos caminhoneiros que decidirem não aderir ao movimento. Afinal, o desabastecimento de combustíveis seria um risco grande para toda a sociedade, atingindo, por exemplo, viaturas policiais e ambulâncias.
Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook