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Principais alvos de operação que apura desmatamento ilegal são paranaenses

Por Narley ResendeOs principais alvos da operação Anhangá Arara, da Polícia Federal (PF), são paranaenses. A ope..

Mariana Ohde - 06 de outubro de 2017, 08:26

Por Narley Resende

Os principais alvos da operação Anhangá Arara, da Polícia Federal (PF), são paranaenses. A operação, que investiga um esquema de desmatamento na Amazônia e no Pará, foi desencadeada na quarta-feira (4) em três estados. Os prejuízos causados pelo esquema criminoso são estimados em quase R$ 1 bilhão.

Os principal alvo da operação é a família do madeireiro paranaense de União da Vitória, Nelson da Silva, que seria o líder do esquema. Os mandados expedidos pela Justiça Federal de Altamira, no Pará, foram cumpridos em imóveis dos investigados em Curitiba e União da Vitória, cidade de origem da família, além de Porto União, em Santa Catarina.

As investigações tiveram início com base em irregularidades nas atividades da Madeireira Silva & Suski, que está em nome do filho de Nelson, o engenheiro florestal Daniel Antonio da Silva. As apurações acabaram envolvendo outras duas empresas: a Tropicalmad Indústria de Madeiras, com sede em União da Vitória, em nome da ex-esposa de Nelson, que seria responsável pela exportação; e uma empresa intermediária chamada Nelson da Silva Indústria.

"O patriarca da família é responsável pela coordenação da extração ilegal e pelo escoamento da madeira para essas três empresas", explica o delegado responsável pela operação, Yuri Rodrigo de Oliveira.

"A empresa base, a Silva & Suski, era responsável por receber toda madeira extraída e legalizar essa madeira aqui. Após a legalização, através da inserção de dados falsos no Sisflora, e através de fraude em créditos florestais, dava um teor legal à madeira, transmita a uma empresa intermediária - Nelson da Silva Indústria - e depois transmitia, já com teor legal, para a empresa Tropicalmad que era responsável pela exportação. Um esquema criminoso altamente arquitetado. Não são amadores", afirma.

Tanto a Madeireira Silva & Suski quanto a Nelson da Silva Indústria foram fechadas pela Justiça. A juíza federal Maria Carolina Valente do Carmo, da Vara Federal de Altamira, também determinou o bloqueio de bens dos investigados. Os valores não foram informados.

 

Um dos levados a depor na operação da PF é funcionário da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Ele é suspeito de fraudar guias florestais para legalizar a madeira. Além de Nelson, que seria o líder do esquema, foram ouvidos, após condução coercitiva, dois funcionários dele.

A reportagem entrou em contato com o filho de Nelson da Silva, que não quis se pronunciar. O advogado Maurício Dieter, que representa a família, afirmou que o inquérito está finalizado e que vai se manifestar em juízo, no devido processo legal.

Investigações

De acordo com a PF, madeiras nobres na Terra Indígena Cachoeira Seca, no oeste do Pará, eram extraídas de maneira ilegal pelas madeireiras investigadas e depois exportadas. O escoamento era feito pelos portos de Paranaguá, no Paraná, Itajaí, em Santa Catarina, e de Belém, no Pará, depois que a carga passava por uma rota de fachada para dar impressão de legalidade.

A investigação da madeireira Silva e Suski teve origem em uma fiscalização do Ibama, em 2015. O instituto confiscou maquinário da madeireira dentro da reserva Cachoeira Seca. Com o relatório do Ibama, a PF passou a investigar a operação. O delegado afirma que mesmo com a ação do Ibama, a empresa não parou de desmatar.

O principal alvo dos madeireiros é o ipê, uma madeira de alto valor comercial e facilmente identificada na floresta pela cor das flores. O lucro com o ipê compensaria a abertura de centenas de quilômetros de estradas. Um levantamento do Instituto Socioambiental mostra que a exploração ilegal de madeira foi responsável por abrir 892 quilômetros de vias clandestinas dentro da Cachoeira Seca ao longo dos últimos cinco anos.

O método de desmatamento consiste em abrir estradas e ir até as árvores, sem que grandes clareiras fiquem expostas ao registro de satélites e aeronaves. "Como eles procuravam madeira de espécia nobre, como o Ipê, eles instalavam rádios nos locais, para que houvesse comunicação em caso de fiscalização. Eles enterravam a madeira. A fiscalização chegava, não via a madeira extraída. Depois disso, eles retiravam essa madeira e davam destino", explica o delegado.

A investigação aponta também que grupo fraudava créditos florestais por meio de inserção de dados falsos no Sisflora – um sistema de controle de produtos florestais. Eles também usavam Planos de Manejo Florestal que não eram cumpridos.

"Após a fraude em créditos florestais mediante a inserção de dados falsos no sistema Sisflora, após o esquentamento da madeira, o grupo escoava a madeira para outras empresas, com destino final na exportação", completa. Segundo ele, a madeira era vendida para países como Estados Unidos, Paraná, Argentina e países da Europa e Ásia.

Área desmatada

Habitada por um grupo indígena da etnia Arara, que se manteve isolado até 1987, Cachoeira Seca é a terra indígena do país com a maior taxa de desmatamento recente. Somente no ano passado, foram desmatados 1.315 hectares, segundo Instituto Socioambiental.

Não há um levantamento para estimar a área desmatada pelo grupo investigado na Operação Anhangá Arara. O processo está em sigilo.