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Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

PANC - plantas alimentícias - FAO

Projeto visa divulgar plantas alimentícias não convencionais

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostra que o número de plantas consumidas pelo homem nos últimos cem anos se reduziu de 10 mil para apenas 170. No Brasil, apesar da riqueza e variedade de espécies encontradas na natureza, a demanda do mercado se concentra em algumas dezenas de itens, esquecendo milhares de outras espécies disponíveis.

Com base neste comportamento, desde 2013, o Departamento de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) vem resgatar a cultura popular do consumo de plantas alimentícias muito usadas no passado e cada vez mais esquecidas, através do projeto Pancs (Plantas Alimentícias Não Convencionais),

Em entrevista à Agência Brasil, a professora do departamento, Odara Boscolo, explica que os brasileiros, com o passar do tempo, perderam o hábito de consumir plantas que comiam antigamente, como aroeira, picão, mostardas, entre outras. “O pessoal foi perdendo o costume. O Pancs procura fazer o resgate de uma cultura popular que a gente tinha”.

FÁCIL ACESSO

O grupo que participa do projeto Pancs UFF procura preencher essa lacuna, levando à sociedade informações sobre plantas de fácil acesso e elevado teor nutritivo, valorizando, dessa forma, a flora nacional. Segundo Odara, a grande maioria dessas plantas é conhecida principalmente no interior do país. As redes sociais são um recursos usado pelo grupo para que a informação chegue à população.

Segundo a professora, além das folhas, muitas flores podem ser comidas. É o caso, por exemplo, do hibisco, do qual pode-se consumir as pétalas e as folhas, que contêm muito ferro. Outra é a capuchinha, semelhante à flor da abóbora e da mesma família que, além de rica em vitamina C e sais minerais, apresenta propriedades diuréticas, purificantes, analgésicas, anti-glicêmicas e anti-hemorrágicas. “A capuchinha tem aquele sabor azedinho, tipo trevinho, que é uma planta infestante, que as pessoas arrancam do vaso”, disse Odara Boscolo.

Dependendo da região do país, a professora citou como alimento de alto teor nutritivo a maria gorda, também conhecida como major gomes. “É uma planta que nasce em qualquer terreno e é riquíssima em ferro”. Há ainda o caruru, também chamado de bredo, muito usado na Bahia; a serralha, planta medicinal comestível considerada por muitas pessoas como erva daninha, entre outras.

Odara Boscolo destacou que antes de comer qualquer planta, é recomendável que as pessoas investiguem se é a planta certa, para evitar problemas de intoxicação. “Não é para sair comendo qualquer coisa”. Para tirar dúvidas sobre o que deve ou não ingerir, as pessoas podem recorrer à página do grupo de pesquisadores do Pancs no Facebook ou no Instagram, onde poderão também se inteirar de receitas que podem ser preparadas com esses ingredientes.

Como parte do projeto Pancs, o grupo idealizou um aplicativo para ajudar a população a reconhecer as Pancs, porém, segundo a professora, a bolsa de iniciação tecnológica oferecida pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBIT) ao projeto não foi renovada.

Com o objetivo de angariar fundos para ajudar na elaboração do aplicativo, o projeto Pancs prevê realizar, ainda no primeiro semestre deste ano, evento com palestras, mini-cursos, oficinas envolvendo receitas veganas, cosméticos naturais, e andanças nas ruas para ensinar a conhecer algumas plantas.

Mais de 50 estudos acerca de espécies vegetais produzidos pela equipe do projeto podem ser disponibilizados no aplicativo. A ideia é possibilitar a identificação das plantas comestíveis através de foto, formato de folha, cheiro, cor. “É como se fosse uma chave de identificação. No final, você descobre a planta”.

ATIVIDADES

O projeto Pancs leva a colégios e feiras de ciências jogos educativos e interativos, visando aproximar o público de uma alimentação mais diversificada e nutritiva, além de promover mini cursos em universidades. “A gente vai adequando as nossas atividades de acordo com o público- alvo”, pontuou Odara.

Gás veicular passará a ser comercializado em quilograma, em 2020

O padrão de comercialização do gás natural veicular (GNV), em todo o país, vai mudar do atual metro cúbico (m³), para massa, isto é, será vendido em quilograma.

Com o objetivo de receber sugestões e contribuições da sociedade para a proposta que vai regulamentar a mudança, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) abriu, na última segunda-feira (16), consulta pública. As contribuições podem ser enviadas até o dia 13 de fevereiro, no site do Inmetro.

Falando nesta quarta-feira (18) à Agência Brasil, o chefe da Divisão de Supervisão em Metrologia Legal do Inmetro, Maurício Condessa, disse que a mudança no padrão de medição baseia-se em estudo de técnicos do próprio órgão. “A mudança é crucial e tem que acontecer. É importante para trazer para a sociedade uma melhor qualidade nesse controle e mais segurança na medição”.

Condessa esclareceu que a mudança está alinhada com padrões da Organização Internacional de Metrologia Legal e deverá ocorrer no primeiro semestre de 2020, com prazo de adaptação de dois anos para que revendedores e distribuidoras de combustíveis façam os ajustes necessários em seus instrumentos. “O investimento é do mercado”, destacou. Não haverá mudança no kit para o consumidor.

DENSIDADE

Atualmente, o gás para uso automotivo vendido nos postos de combustíveis é medido em massa no dispenser (bomba) de GNV e passa por uma conversão, por meio de um fator chamado densidade, para ser apresentado em volume e, dessa forma, poder chegar até o cilindro dos automóveis. Maurício Condessa informou que o gás natural vendido no Brasil é uma mistura de gases de várias jazidas, incluindo o pré-sal e jazidas da Venezuela e Bolívia, principalmente. “Isso acaba fazendo com que ele não tenha uma densidade linear”. Para o consumidor, essa densidade variável acarreta em perdas no abastecimento.

Os valores de densidade são fornecidos pelas distribuidoras com defasagem de um mês e são inseridos manualmente nas bombas o que, segundo o Inmetro, favorece erros na medição e possibilidade de fraudes. “Esse fator de densidade pode ser colocado pelo próprio dono do estabelecimento comercial e isso possibilita que fraudes acabem acontecendo”. O estudo feito pelo Inmetro detectou erros de até 20% no volume que deveria estar sendo realmente entregue em alguns postos.

Condessa explica que, com a mudança, o consumidor terá certeza de que a medição, que passará a ser feita em massa, não estará sujeita a imprevisibilidades. Ele disse ainda que o gás liquefeito de petróleo (GLP), adquirido em bujões pela população, já é comercializado em massa. Por isso, assegurou que não vai ser difícil pra os brasileiros se acostumarem ao novo padrão de comercialização do GNV.

Os 1.759 postos de GNV do país terão as bombas ajustadas, com densidade 1, e lacradas pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), órgão delegado do Inmetro responsável pela fiscalização metrológica.

PREÇO FINAL

Maurício Condessa garantiu que a alteração no padrão de venda do combustível não vai acarretar em aumento do preço do produto, porque um quilograma de GNV chega a conter até 30% mais de gás (em massa) em relação ao metro cúbico: 1 quilo (kg) equivale aproximadamente a 1,3 m³. Ou seja, o consumidor precisará de menos unidades comercializadas (1,3 kg para cada m³) para encher o tanque do veículo.

“O preço final não muda para o consumidor”, tranquilizou o chefe do Departamento de Supervisão em Metrologia Legal do Inmetro. Ele disse, por exemplo, que o consumidor que gasta R$ 48 para encher o cilindro de 15 metros cúbicos ao preço de R$ R$ 3,20 o m³, gastará o mesmo valor para encher o tanque de 11,5 quilogramas ao preço de R$ 4,16 por quilograma. “Ele (consumidor) vai receber a mesma coisa e não vai pagar mais. O que ele vai ter é mais previsibilidade sobre o que está recebendo, com a certeza de que aquela densidade, naquele momento, está sendo de fato comunicada para aquele instrumento”.

Segundo Condessa, a economia do GNV para o consumidor vai continuar com o novo padrão. “Os mesmos reais que ele gasta agora vai continuar gastando”.

Ao final da consulta pública, será realizada uma reunião presencial do Comitê Técnico de Metrologia Legal em que as partes interessadas do setor de combustíveis serão convidadas, para consolidar o texto final do regulamento.

Mutirão fará diagnóstico gratuito de câncer de pele em todo o país

Cinco mil dermatologistas participam amanhã (7), no Dia Nacional de Prevenção do Câncer de Pele, do mutirão de atendimento gratuito à população para o diagnóstico precoce da doença. A iniciativa marca o início da campanha Dezembro Laranja, promovida anualmente pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

O atendimento será realizado de 9h às 15h, em todo o país, nos 130 postos espalhados em diversas cidades, que podem ser identificados no site da instituição. Em Curitiba, o atendimento será realizado no Ambulatório de Dermatologia SAM 4 anexo B prédio central, localizado na Rua General Carneiro, 181. no Alto da Glória.

O primeiro mutirão foi realizado em Goiânia (GO), em 1998, tornando-se uma ação nacional a partir do ano seguinte. Desde 1999, o evento já beneficiou mais de 600 mil pessoas.

Neste ano, a 21ª Campanha Nacional do Câncer de Pele deve atender 30 mil pessoas.

Há cerca de cinco anos, o mutirão entrou para o livro de recordes Guiness como a maior campanha de uma especialidade médica. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, há cerca de 180 mil novos da doença por ano. Quando descoberta no início, a chance de cura é noventa por cento.

O coordenador do Departamento de Cirurgia Micrográfica de Pele da SBD, Luiz Fernando Fleury, destacou hoje (6), em entrevista à Agência Brasil, disse que esse é o câncer mais frequente no ser humano, porque ocorre no maior órgão do corpo, que é a pele, onde há também a maior incidência. “Felizmente, a maioria não mata, mas isso não significa que não cause problemas, pois pode se infiltrar nos órgãos e levar à morte”.

MELANOMA

Há dois tipos de câncer de pele. O mais grave é o câncer de pele melanoma, que tem mais risco de provocar metástase. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), esse tipo de câncer “é mais frequente em adultos brancos” e pode aparecer em qualquer parte do corpo (pele ou mucosas), na forma de manchas, pintas ou sinais. Nas pessoas de pele negra, “pode ocorrer nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés”.

O número maior de diagnósticos feitos atualmente, aliada ao fato de que a população está vivendo mais, significa que haverámais câncer de pele, do qual um dos fatores de risco é o aumento cumulativo da exposição à radiação ultravioleta. “À medida que a população vive mais, é natural que haja mais câncer de pele”, ressaltou o médico.

A questão da proteção da pele contra os efeitos nocivos do Sol está mais fácil hoje do que há trinta ou quarenta anos, afirmou o dermatologista. “Temos mais recursos hoje, com filtro solar ou roupas de proteção”.

O mutirão e a campanha da SBD reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoces. “Mais do que prevenir contra os fatores de risco, é importante chamar a atenção para o diagnóstico precoce. Acho que esse é o grande mérito da campanha, porque o câncer de pele, assim como qualquer outro câncer, quanto antes for diagnosticado, melhores serão as taxas de cura. É maior a possibilidade de cura quanto antes for diagnosticado (o câncer)”, disse Fleury.

TIPO COMUM

O tipo mais grave e agressivo de câncer de pele, o melanoma, qcausa mais de 1.700 óbitos anualmente e representa 4% do total de cânceres de pele. O mais comum é o carcinoma basocelular, que responde por cerca de 75% a 80% do total de cânceres de pele no país. Ele pode afetar locais nobres como nariz, orelha e regiões próximas dos olhos, levando a mutilações graves, informou Fleury.

O segundo tipo de câncer de pele mais comum é o carcinoma espinocelular (15% dos casos de pele).

A SBD está divulgando também a campanha em redes sociais, com apoio da imprensa, marcada com as ‘hashtags’ #DezembroLaranja e #SinaisdoCancerdePele.

Luiz Fernando Fleury recomendou que a população reforce a atenção com a pele. “Ao observar sinais que não cicatrizam, lesões que aparecem de repente, pintas que mudam de cor, de formato ou de tamanho, as pessoas devem procurar um dermatologista sem demora para fazer o possível diagnóstico. Porque o câncer de pele tem tratamento, principalmente se diagnosticado mais cedo”.

O médico alertou que, quando o diagnóstico é feito mais tarde, a evolução da doença é ruim. “É um câncer grave que pode evoluir para metástese em pulmão, gânglios linfáticos, cérebro. É bem grave”, concluiu.

Prova da OBMEP será disputada por quase 1 milhão de estudantes

A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) realiza no próximo sábado (28) sua segunda etapa de provas deste ano, com a participação de 949.226 alunos de todo o país, sendo 898.263 de escolas públicas e 50.963 de escolas privadas, classificados na primeira fase. Os estudantes representam 50.663 unidades de ensino, das quais 45.036 são escolas públicas e 5.627, privadas.

A competição nacional é organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e se destina a estudantes do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. A coordenadora de Logística, Provas e Premiação da OBMEP, Érika Sholl, disse nesta semana à Agência Brasil que o número de escolas inscritas foi recorde na primeira fase (54.831), bem como o número de municípios: 5.554, ou o equivalente a 99,71% dos municípios do Brasil. A primeira fase da OBMEP reuniu 18,2 milhões de estudantes.

A OBMEP classifica para a segunda fase os 5% de alunos mais bem colocados de cada escola na primeira etapa. O Nível 1 (6º e 7º anos do ensino fundamental) terá 316.137 participantes; já o Nível 2 (8º e 9º anos do fundamental) contará com 277.852; e o Nível 3 (ensino médio), 355.237 alunos.

QUESTÕES DISSERTATIVAS

Érika Sholl explicou que diferentemente da primeira fase, cuja prova é de múltipla escolha, a prova da segunda fase da olimpíada tem seis questões dissertativas, valendo 20 pontos cada. Outra grande diferença é que, na primeira fase, a aplicação das provas é responsabilidade das escolas. Na segunda fase, as provas são aplicadas por fiscais designados pela coordenação da OBMEP.

“São questões dissertativas, onde o aluno deve explicar a questão e os cálculos, bem como o raciocínio empregado. O estudante explica e exibe os cálculos”, disse a coordenadora.

A divulgação dos premiados está prevista para o dia 3 de dezembro e a entrega dos prêmios acontecerá no decorrer de 2020. Os premiados com medalhas de ouro participarão de uma cerimônia nacional de premiação que, normalmente, acontece no primeiro trimestre do ano seguinte à realização da OBMEP. “Como a OBMEP é nacional, a gente pode escolher determinado estado para fazer essa premiação”, esclareceu Érika. “O ideal é que essa premiação rode mesmo. Como é um programa nacional, a gente não precisa privilegiar determinado estado. Todos podem ser contemplados com essa cerimônia”.

As medalhas de prata e bronze e as menções honrosas são entregues em cerimônias regionais. A OBMEP distribuirá o mesmo número de medalhas das edições anteriores a alunos de escolas públicas, sendo 500 de ouro, 1.500 de prata, 4.500 de bronze e até 46.200 menções honrosas. Os estudantes de escolas particulares receberão 75 medalhas de ouro, 225 de prata, 675 de bronze e até 5.700 menções honrosas. Professores, escolas e secretarias de Educação também concorrem a prêmios, de acordo com o desempenho dos alunos na segunda fase.

ESTÍMULO À MATEMÁTICA

Érika Sholl avaliou que a OBMEP serve para incentivar o aprendizado da matemática. “Com certeza. Incentivar esse aprendizado, mostrar que a matemática não é um bicho papão e descobrir os talentos. Você tem muitos alunos que não têm noção do talento que têm e até gosto pela matemática, que eles podem descobrir fazendo essa prova”. Explicou que a prova é composta por questões que precisam de criatividade e raciocínio lógico e não necessariamente de matemática pura e aplicada.

“Então, às vezes, você tem um menino que não tem noção ainda de que a matemática é interessante e ele descobre em uma questão dessas bem formulada, em que tem que atuar com o raciocínio lógico e com a criatividade e acaba tomando gosto e descobrindo que a matemática é bem legal. E isso acontece mesmo!”, disse.

Os estudantes classificados podem imprimir os cartões de confirmação e verificar os locais de prova na internet. A organização recomenda que os alunos cheguem aos centros de aplicação com ao menos trinta minutos de antecedência, portando documento original de identificação (carteira de identidade, certidão de nascimento ou carteira escolar), o cartão informativo da OBMEP, lápis, borracha e caneta esferográfica azul ou preta.

Criada em 2005, a OBMEP é uma realização do IMPA, com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e recursos dos ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e Educação.

tuberculose

Estudo revela compostos que podem combater um tipo de tuberculose

Uma equipe de alunos coordenados pela professora Vanessa do Nascimento, do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF), descobriu compostos que podem virar medicamentos para combate a infecções resistentes a antibióticos, com destaque para a chamada tuberculose multidroga resistente (TB-MDR), que mata em torno de 250 mil pessoas a cada ano no mundo. O estudo comprova a eficiência do material testado no combate à doença.

Pelo estudo, a professora da UFF recebeu o prêmio PeerJ Award, durante o 8º Workshop da Rede Científica Internacional Selênio Enxofre e Catálise Redox (WSeS-8), em junho, na Itália. O trabalho será publicado na revista inglesa de divulgação científica PeerJ Life & Environment ainda neste ano.

Falando à Agência Brasil, Vanessa explicou que existem, atualmente, cepas de bactérias que são resistentes a todos os fármacos liberados hoje para tratamento da tuberculose. “A gente sabe que bactéria vai sofrendo mutações e vai se tornando resistente”. Os compostos sintetizados na UFF apresentaram atividade frente a essas cepas resistentes, isoladas de humanos. “Eles podem virar medicamentos, não só por apresentarem essas características, mas eles são obtidos de substâncias baratas. Por exemplo, a gente consegue extrair derivados de vitamina K de plantas e também utiliza selênio, que é um micronutriente essencial à vida. A gente une essas duas espécies e obtém esses compostos”, disse a pesquisadora.

Foi verificado que mesmo em altas concentrações, os compostos não matam as células sadias. “Tem todos esses pontos que são positivos para essas moléculas que a gente desenvolveu”.

Desafio

O próximo passo é despertar o interesse da indústria farmacêutica, uma vez que essa tuberculose resistente a medicamentos tem sido um desafio para ser atacada e é a principal causa de morte dos portadores da doença. As informações recebidas por Vanessa de secretarias de saúde relatam grande número de casos positivos no país, e especialmente positivos para essas bactérias resistentes.

“É, realmente, um SOS, um pedido para que se dê mais atenção, porque a tuberculose acomete principalmente a população de baixa renda”. Segundo Vanessa, um dos sonhos dos pesquisadores é contribuir para essa população que tanto precisa. “Pensando no futuro, eu vejo aí uma boa promessa para ser desenvolvida em relação a esses compostos”.

Mal do século

A tuberculose assolou o mundo no século 19 e ficou conhecida como o “mal do século”. Vista como enfermidade do passado, a doença, entretanto, provocou em todo o mundo, somente em 2017, 1,3 bilhão de mortes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença atinge os pulmões, em geral, mas pode afetar outros órgãos do corpo. Um dos obstáculos em relação ao tratamento é a resistência das bactérias aos medicamentos existentes hoje no mercado.

Queimadas etapas

Para que haja a manifestação de interesse da indústria farmacêutica, Vanessa explicou que têm de ser queimadas etapas. Nesse momento, os resultados foram excelentes, Ela alertou, porém, que são resultados ‘in vitro’, ou seja, em laboratório. Agora, é preciso que a equipe elabore documento para comunicar à comunidade científica a descoberta. “A partir daí, a gente consegue respaldo para estudos mais aprofundados, principalmente ‘in vivo’ (em animais)”.

Vanessa acredita que em um estágio mais avançado é possível que os pesquisadores consigam despertar o interesse da indústria. Destacou que tudo precisa ser feito em etapas, até no sentido de proteger a invenção, porque é necessário ter, no mínimo, o depósito da patente. Na terceira etapa, conhecida como fase clínica, os testes serão realizados em humanos. Todas as fases têm de ser aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dependendo dos resultados, Vanessa afirmou que é um caminho que pode ser acelerado, em especial diante dos surtos de tuberculose que estão acontecendo.

O capital usado para a manutenção do laboratório é oriundo do Programa de Fomento à Pesquisa da UFF (FOPESQ) e de um auxílio do Programa de Pós-graduação em Química aos docentes. De acordo com Vanessa, os estudos com selênio orientam a equipe na criação de novos produtos para o tratamento da tuberculose e de outras doenças negligenciadas.

Tratamento no Brasil

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou no dia 9 de setembro a simplificação na medicação de combate à tuberculose em crianças de até dez anos. Atualmente, o tratamento é feito com três comprimidos na fase intensiva do combate à doença e dois comprimidos na fase moderada. A partir de 2020, um comprimido efervescente, aplicado em cada fase, reunirá os compostos de toda a medicação necessária. A medida se justifica, segundo o ministro, para facilitar a estocagem e distribuição do medicamento. Além disso, segundo ele, uma única dose, com um comprimido efervescente, garante a ingestão correta e a efetividade do tratamento.

Valor da produção agrícola tem alta de 8,3% e bate recorde

A agricultura brasileira bateu recordes em várias culturas importantes no ano passado, que fizeram com que o valor de produção atingisse o recorde de R$ 343,5 bilhões, alta de 8,3% em relação ao ano anterior. A informação foi divulgada hoje (5), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na publicação Produção Agrícola Municipal (PAM 2018).

Segundo o IBGE, o valor de produção é o mesmo que valor bruto de produção. Eles pegam o chamado “preço de porteira”, que é o preço livre de fretes e impostos, e multiplicam pelo total produzido. O resultado é o valor de produção.

De acordo com o gerente de Agricultura do IBGE, o engenheiro agrônomo Carlos Alfredo, as principais explicações para o recorde no valor de produção foram as condições climáticas, boas no início do ano para algumas culturas. O clima foi ruim para a segunda safra do milho mas, em termos de valor, a falta do milho fez com que o preço do produto subisse, explicou à Agência Brasil. “Então, impactou também nesse valor da produção”, disse Alfredo. Foram plantados ao todo 78,5 milhões de hectares, redução de 0,6% na comparação com 2017.

O gerente de Agricultura observou que quando se olha o grupo dos grãos, principais produtos na categoria de cereais, leguminosas e oleaginosas, percebe-se que não conseguiu ser batido em 2018 o recorde de 2017, quando o clima foi excelente para as culturas. “Mesmo assim, a gente teve uma produção de 227,5 milhões de toneladas. É uma queda de 4,7% em relação ao ano anterior, mas, mesmo assim, foi uma produção boa”. Em termos de valor da produção, que atingiu para essa categoria de produtos R$ 198,5 bilhões, foi apurada expansão de 13,6%. “É a questão dos preços, que aumentaram bastante em 2018”. Carlos Alfredo disse que apesar da queda de 16% na produção de milho, ocorreu aumento de 14,1% no valor.

As dez principais culturas (soja, cana-de-açúcar, milho, café, algodão herbáceo, mandioca, laranja, arroz, banana e fumo) representaram quase 85,6% de todo o valor gerado no ano passado. A soja liderou, com participação de 37% no valor da produção, seguida pela cana-de-açúcar (15%) e milho (11%). A soja teve R$ 127,5 bilhões arrecadados, expansão de 13,6%; cana-de-açúcar, R$ 52,2 bilhões (-3%); e milho, R$ 37,6 bilhões (+14,1%).

Alta em 25 anos

A PAM 2018 revela que desde o Plano Real, em 1994, a soja liderou o ‘ranking’ de culturas nacionais em termos de valor da produção, à exceção de 1996, quando foi substituída pela cana-de-açúcar. Em 25 anos, a soja subiu de um patamar anual de R$ 3,8 bilhões para R$ 127,5 bilhões, em 2018, incremento de 3.222,1%, com a área colhida evoluindo 201,6% (de 11,5 milhões de hectares para 34,8 milhões de hectares. A produção de soja cresceu 372,8% no período (de 24,9 milhões de toneladas para 117,9 milhões de toneladas). A cana-de-açúcar também ampliou o valor da produção em 25 anos em 1.539,6% (de R$ 3 bilhões para R$ 52,2 bilhões), enquanto o milho aumentou o valor arrecadado em 1.111,7% (de R$ 3,1 bilhões para R$ 37,6 bilhões). Houve crescimento também da área plantada de cana-de-açúcar, de 4,4 milhões de hectares para 10 milhões de hectares; e de milho, de 14,5 milhões de hectares para 16,5 milhões de hectares.

Também no café foi registrada safra boa, com recordes na produção (3,6 milhões de toneladas produzidas, alta de 32,5% ante o ano anterior) e no valor de produção (R$ 22,6 bilhões, expansão de 22%). Carlos Alfredo salientou que “a questão climática ajudou bastante” nos resultados apresentados por essa cultura. A espécie café arábica teve um ano de bienalidade positiva em 2018, de alta produção. “A gente teve um recorde na produção de café no ano passado”. Ele explicou que no caso do café, houve queda no preço, que vem caindo nos últimos anos, provocando reclamações dos produtores, que se ressentem do aumento do custo de produção, enquanto os preços não acompanham esse aumento.

O gerente de Agricultura do IBGE afirmou que o mercado internacional está cheio de café, o que fez com que o preço dessa ‘commoditie’ (produtos agrícolas e minerais comercializados no exterior) fosse reduzido. Além disso, o Brasil enfrenta a concorrência da Colômbia e da Indonésia, que têm produzido bastante. “Isso tem aumentado muito a quantidade de café no mercado”.

Também o algodão herbáceo (em caroço) elevou muito a produção no ano passado, alcançando o recorde de 3 milhões de toneladas (aumento de 29%), considerado o maior da série histórica iniciada em 1974. Também o valor da produção subiu 52,3% (R$ 12,8 bilhões). “A demanda por algodão tem sido muito grande, principalmente por causa da China, cujos estoques caíram bastante. Eles estão recompondo os estoques e aí aumentaram bastante a demanda. E mesmo tendo muito algodão, o preço continua alto, diferente do café”, disse o gerente do IBGE.

Pesquisa: vírus Zika traz prejuízos motores e de memória a adultos

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriu que o vírus Zika, além de se replicar no cérebro de pessoas adultas, também causa prejuízos de memória e problemas motores. O estudo foi publicado hoje (5), em Londres, no Nature Communications.

O estudo foi iniciado na época do surto de Zika no país, nos anos de 2015 e 2016. “[Na época] aumentou o número de casos e, junto com a microcefalia, que foi o que chamou mais a atenção, começaram a aparecer complicações em pacientes adultos”, disse uma das coordenadoras da pesquisa, a neurocientista Claudia Figueiredo.

Apesar de a doença ser autolimitada, com sintomas leves, muitos pacientes apresentavam quadro mais grave: alguns entravam em coma ou tinham internações por períodos mais longos. “Então, surgiu a nossa pergunta: os pesquisadores têm mostrado que o vírus se replica em células progenitoras, que são aquelas do feto, do nervo central. Será que esse vírus não infecta também o neurônio maduro? Foi aí que começou a nossa abordagem”, relatou Claudia.

Neurônio maduro

Os pesquisadores da UFRJ usaram tecidos de acesso, ou seja, tecidos sem doença, de pacientes adultos que haviam se submetido a cirurgias do cérebro, mas não tinham Zika. Eles fizeram cultura em laboratório e colocaram o vírus Zika nesse tecido, que tem neurônio maduro. Observaram então que o vírus infectava aquelas células, principalmente os neurônios desse tecido, e se replicava nesse tecido. Ou seja, produzia novas partículas virais.

Nesse meio tempo, surgiram achados clínicos de que em alguns pacientes se detectava o vírus no sistema nervoso central, no líquor, que é o líquido que envolve o cérebro. Os pesquisadores da UFRJ decidiram então ver que tipo de efeito aconteceria se infectassem o cérebro de um animal adulto com esse vírus. “A gente fez a administração do vírus dentro do cérebro do camundongo adulto e observou várias coisas”, disse Cláudia.

Replicação

Constatou-se então que o vírus se replicava no cérebro do animal adulto e tinha preferência por áreas relacionadas com a memória e o controle motor. “E era justamente isso que estava alterado nos pacientes quando eles tinham o vírus em quadros mais complicados. Não só o vírus se replicou, mas ele [camundongo] ficou com prejuízo de memória e prejuízo motor”. Isso pode acontecer com pessoas adultas também, confirmou a coordenadora do estudo. “Quando o vírus infecta, em algumas pessoas, não se sabe por quê, o vírus chega ao sistema nervoso central, em outras não, depende de vários fatores, e pode causar esse tipo de dano”.

A neurocientista destacou que o prejuízo de memória ocorreu não apenas na fase adulta da infecção. Os cientistas perceberam que os sintomas permanecem mesmo após a infecção ter sido controlada nos camundongos. O vírus se replicou e teve um pico de replicação de vários dias. “Só que até 30 dias depois que o vírus já está com quantidade baixa no cérebro, o animal ainda continua com prejuízo de memória. O prejuízo de memória persiste”. A pesquisadora esclareceu que 30 dias na vida de um animal equivalem a dois, três ou quatro anos na vida de um humano. “É muito tempo”.

A pesquisa alerta que talvez seja necessário avaliar a memória dos pacientes infectados após alguns anos. O estudo também concluiu que o vírus induz uma informação importante no cérebro: que esses períodos de memória estão associados a quadros inflamatórios muito intensos. Os pesquisadores usaram um anti-inflamatório e viram que esse tratamento melhora o prejuízo de memória, levando o paciente a recuperar a função prejudicada. Os cientistas acreditam que a descoberta pode contribuir para a elaboração de políticas públicas para tratamento de complicações neurológicas por Zika em pacientes adultos.

Doenças neuropsiquiátricas

A pesquisa agora deverá estudar outras alterações, isto é, se os pacientes que saem de um quadro de infecção de Zika ficam mais suscetíveis a outras doenças neuropsiquiátricas. Para isso, estão submetendo um animal que já se recuperou e melhorou do prejuízo de memória, para ver se ele fica mais suscetível, por exemplo, a eventos de estresse que podem levar a um quadro depressivo. Claudia Figueiredo afirmou que a continuidade dos estudos depende de novos apoios financeiros. A Faperj, por exemplo, já ampliou a Rede Zika por mais um ano.

Os pesquisadores querem avaliar ainda o efeito de outras arboviroses, isto é, os vírus transmitidos por mosquitos, entre os quais a Chikungunya, sobre esse tipo de alteração, principalmente na questão da dor. “Que tipo de dor induz. Se é um quadro similar à artrite, se há um componente neurológico nessa dor, algum componente central”, informou a pesquisadora.

A pesquisa contou com financiamento da Rede de Pesquisa em Zika, Chikungunya e Dengue no Estado do Rio de Janeiro, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Além de Claudia Figueiredo, também coordenou a pesquisa, Sergio Ferreira, do Instituto de Bioquímica da UFRJ. A virolgista Andrea Da Poian, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ colaborou.

Encontro discute fertilidade masculina em Curitiba até a próxima terça (27)

Enquanto a mulher esgota seu potencial reprodutivo com a menopausa, o homem não passa por isso, diz o médico Marcelo Vieira, coordenador da Área de Infertilidade Masculina da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A infertilidade masculina é um dos temas em debate no 37º Congresso Brasileiro de Urologia, que começou hoje, em Curitiba. O evento é promovido pela SBU e vai até terça-feira (27).

“O homem vai produzir espermatozoides até o último dia de vida”, destaca Marcelo Vieira, em entrevista à Agência Brasil. Segundo o médico, permanece a visão que se tinha antigamente de que a mulher tem uma melhor época para ser mãe e o homem pode ser pai a qualquer momento. “Isso continua verdadeiro, porém, existem algumas considerações”, ressalta Vieira.

O médico cita estudos recentes segundo os quais, clinicamente, homens acima de 40 anos demoram maior tempo para conseguir engravidar a parceira. “O que vemos nessa faixa etária é que a qualidade do sêmen piora e aumenta a fragmentação do DNA”.

E isso explicaria por que homens nessa faixa de idade demoram mais a ser pais. “Isso acontece por um processo natural de envelhecimento. As células que produzem espermatozoides, apesar de continuarem renovadas a cada divisão celular, sofrem o efeito do estresse oxidativo, que é o efeito básico do envelhecimento celular”, diz o urologista.

Associação

Marcelo Vieira lembra que estudos populacionais constatam uma associação entre o aumento da idade masculina, a piora da qualidade seminal e a demora para levar uma mulher à concepção em homens com mais de 45 anos. No entanto, alerta Vieira, esse tipo de estudo não consegue comprovar causa e efeito para isso. De acordo com o médico, outros estudos epidemiológicos de análise populacional comprovam a existência maior de autismo em pais com mais idade.

Além do tema de envelhecimento e fertilidade, o congresso da SBU vai debater ética em reprodução humana, ou seja, até onde a medicina pode chegar. Marcelo Vieira lembra que, antes de 1992, quando foi publicada a técnica de ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), era considerado antiético o tratamento de fator masculino grave nos homens que têm poucos ou quase nenhum espermatozoide. “Não se podia violar o óvulo com uma agulha para introduzir o espermatozoide. Dizem que, acidentalmente, isso aconteceu e foi desenvolvido um método”.

Hoje, as pesquisas são no sentido do desenvolvimento de gameta artificial a partir de célula-tronco, mas o especialista considera que ainda vai demorar algum tempo para isso se tornar efetivo.

A programação destaca, na segunda-feira (26), a mesa A Idade do Homem e Fertilidade: Existe Relação, com participação do urologista norte- americano Paul Turek, ex-professor titular da University of California San Francisco. O debate está previsto para as 8h10  na plenária do congresso.

Aspectos clínicos

Segundo Marcelo Vieira, outros temas de plenárias e cursos do congresso são voltados mais para aspectos clínicos da infertilidade conjugal. “Vamos discutir os temas [em] que nós, especialistas, temos dúvida no tratamento da infertilidade conjugal”. Por exemplo, se existe uma melhor técnica cirúrgica para recuperar espermatozoide dentro dos testículos, para homens que não têm espermatozoide na ejaculação.

Outro tema importante é a varicocele, ou varizes nos testículos, doença comum que causa infertilidade masculina. Vieira ressalta que a varicocele é tratável e admite correção cirúrgica, levando à melhora da qualidade seminal e à gravidez em casa após a correção do problema. O congresso discutirá a melhor forma de diagnóstico e situações de exceção no tratamento. “Se vale a pena tratar, ou não”, diz o especialista.

De acordo com o urologista, a varicocele é responsável por cerca de 40% das causas de infertilidade masculina, mas é corrigível. O homem pode operar e melhorar a qualidade seminal e engravidar a parceira naturalmente em casa ou ter seu espermatozoide melhor preparado para depois fazer um bebê de proveta. Marcelo Vieira esclarece que o resultado do tratamento com técnicas de reprodução assistida é melhor em homens operados de varicocele em comparação com os que não se submeteram à cirurgia.

Congressistas

Mais de 3 mil urologistas são esperados no congresso, que é considerado o maior evento da especialidade na América Latina e o terceiro no mundo em número de participantes. Estarão presentes nomes de destaque da urologia do Brasil e do exterior.

Países se mobilizam contra exportação de animais vivos

Pelo terceiro ano consecutivo, um movimento internacional, liderado pela organização não governamental (ONG) Compassion in World Farming, mobiliza a população mundial em torno do Dia Internacional contra a Exportação de Gado Vivo, celebrado amanhã (14), com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre o sofrimento dos animais que são exportados vivos para abate em outros mercados.

O movimento foi iniciado em 2017 e contou com 30 países participantes. O Brasil aderiu no ano passado, quando a mobilização envolveu 33 nações. Este ano, 41 países farão manifestações. No Brasil, elas começaram hoje (13) e se estenderão até o próximo dia 16, coordenadas pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, em conjunto com organizações de diversas cidades. Ao todo, 12 cidades brasileiras participam do movimento global.

Falando à Agência Brasil, a diretora de Educação do Fórum, geógrafa Elizabeth MacGregor, disse que embora existam leis que determinem tratamento humanitário para o transporte de gado vivo, “a questão do bem-estar animal é zero”. Destacou que para o país, essa exportação é ruim economicamente, porque representa apenas 1% de tudo que é produzido em termos de pecuária para consumo humano. Lembrou que todos os países importadores importam também carne embalada.

Riqueza x emprego

Além disso, como a exportação de gado vivo não é taxada, ela não gera riqueza para o país. “O couro vai de graça” para o importador, o que desagrada a indústria coureira brasileira. A operação não gera emprego no Brasil, mas nos países compradores, como Turquia e Líbano, onde o abate também não é humanitário, acentuou Elizabeth.

“Ambientalmente é péssimo”, observou. Os animais costumam ser transportados em navios reformados ou adaptados, de péssima qualidade, sem as mínimas condições de higiene, sem alimentação e hidratação adequadas, sem assistência veterinária, sujeitos a intempéries climatológicas, com urina e fezes provocando proliferação de doenças. “Vão cheios de outras substâncias que afetam o meio ambiente”.

O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal explica que esse comércio não é bom para o Brasil, “tanto na questão econômica, como na questão da imagem do país que, no momento, parece estar sendo deixada de lado”, enfatizou a diretora. Na avaliação da ONG nacional, a questão é econômica. Em 2018, foram mais de 700 mil animais exportados vivos, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. A operação gerou receita de US$ 470 milhões para o Brasil, mas isso representa apenas 7% da receita proveniente da exportação de carne e derivados, superior a US$ 6 bilhões anuais.

Conhecimento

A maioria dos países contrários à exportação de gado vivo está na Europa. A razão para isso é o conhecimento, assinalou Elizabeth MacGregor. A ciência diz que todos os vertebrados são seres sencientes, isto é, têm capacidade emocional para sentir dor. “Têm capacidade cognitiva, então raciocinam, têm sentimentos e desde a década de 1970, a ciência do bem-estar animal usa parâmetros científicos e objetivos para analisar tecnicamente como os animais estão sendo tratados”. Observou que esse conhecimento ainda é heterogêneo, “como tudo no mundo”. A diretora informou que os 41 países que participam do movimento estão localizados em todos os continentes. “O movimento é global mesmo”. Na Europa, por exemplo, defendem a diminuição do número de horas que os animais levem no transporte terrestre, inclusive. “Mas o pior é essa exportação”, acentuou Elizabeth.

O movimento foi iniciado em 2017, em Londres, pela ONG ‘Compassion in World Farming’. O evento reuniu 600 pessoas e contou com a parceria da ONG ‘World Wide Fund for Nature’ (WWF), do Banco Mundial (BIRD) e da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Essas organizações consideram a pecuária a atividade humana que maior impacto causa ao meio ambiente, desde o desmatamento até questões como poluição de mares, lagos, oceanos. A flatulência dos bovinos é gás metano, salientou a diretora do Fórum.

Relatórios e resultados confirmam essa afirmação, afiançou Elizabeth MacGregor. “Tem todo um embasamento técnico e de órgãos internacionais, não só de ONGs”. Completou que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já sinaliza para o impacto da pecuária no meio ambiente. “O Brasil tem mais boi do que gente”, afirmou. Segundo a diretora, a questão “é seríssima em todo o mundo”.

A médica veterinária Vânia Nunes, diretora técnica do Fórum Animal, salientou que a condição de maus-tratos começa no transporte das fazendas para o porto, “já extremamente estressante para os animais”. As viagens pelo mar duram semanas até o Oriente Médio e não oferecem mínimas condições que garantam o bem-estar do gado, confirmou. Devido a essas péssimas condições de transporte, muitos animais não resistem à viagem e as carcaças são jogadas no mar, juntamente com toneladas de fezes e urina produzidas diariamente, o que contribui para ampliar a poluição no meio ambiente.

Hoje (13), estão sendo realizadas manifestações em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Amanhã (14), estão programados movimentos em Brasília, Salvador e Sorocaba (SP), seguindo-se, no sábado (15), Curitiba, Porto Alegre, Belém e Indaiatuba (SP). A mobilização no Brasil será encerrada no domingo (16), em Lajeado (RS).

Brasileiro vai gastar menos com presentes para o Dia das Mães

O brasileiro vai gastar menos este ano com o presente para o Dia das Mães, aponta pesquisa especial da Sondagem do Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).  Feita com 1.737 pessoas entre os dias 2 e 20 de abril, a pesquisa revela que o preço médio apontado para a data caiu 3,1%, passando de R$ 67,1, em 2018, para R$ 65 este ano.

O percentual de brasileiros que pretendem gastar menos (35,3%) está maior do que aquele com intenção de gastar mais (6,8%), disse o economista Rodolpho Tobler, coordenador das Sondagens da FGV Ibre. “Isso é um pouco normal. Ano após ano é natural que os consumidores digam que pretendem gastar menos. O percentual melhorou em relação a 2018 [37,1%], mas ainda é um percentual baixo”.

Tobler disse que a parcela da população que deseja gastar mais com o presente das mães (6,8%) é positiva, “porque é o maior percentual desde 2014, que é o início da recessão. Mas a gente ainda tem aí um saldo de 71,5 pontos percentuais, que é o nosso indicador de consumidores com intenção de compra para o Dia das Mães. Ou seja, tem mais consumidores dizendo que vão gastar menos do que gastar mais”.

O indicador da FGV Ibre resulta do saldo de respostas mais 100, em pontos percentuais. Quando ele está abaixo de 100, significa que tem mais consumidores dizendo que vão gastar menos do que gastar mais. Quando o indicador está acima de 100 pontos, tem mais consumidores dizendo que vão gastar mais, esclareceu o pesquisador. Em 2018, o indicador atingia 69,3 pontos.

Faixas de renda

A intenção de efetuar um gasto menor com os presentes para a data este ano se espalhou para todas as faixas de renda. “Mostra que é uma dinâmica geral. Não é específico de algum grupo de consumidores”, disse Tobler. A maior queda ocorreu entre as famílias que ganham de R$ 4,8 mil a R$ 9,6 mil mensais, em que o gasto caiu de R$ 74,1 para R$ 71,1.

Tobler disse que com as incertezas em relação à economia, ainda muito elevadas, os próprios consumidores mostram um pouco mais de cautela com os gastos e isso acaba refletindo no preço do presente para o Dia das Mães.

Vestuário foi o presente mais citado pelos consumidores este ano (52,3%), mantendo tendência observada desde 2017 (55%) e 2018 (50,4%). Em segundo lugar em termos de preferência para presentear as mães este ano estão os segmentos de perfumaria (10,5%), calçados (4,6%) e artigos para casa (4,6%). O fato de vestuário oferecer produtos para todos os bolsos facilita ao consumidor encontrar uma opção que mais convém ao seu bolso, disse Tobler.

Inflação

Outra pesquisa da FGV Ibre mostra que a inflação dos produtos e serviços mais procurados no período subiram, em média, 3% nos últimos 12 meses compreendidos entre maio de 2018 e abril de 2019, mas ficaram abaixo da inflação geral medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), cuja variação atingiu 5,19%.

Separando os dois grupos, serviços para o Dia das Mães aumentaram 3,74%, enquanto a inflação dos presentes ficou em 1,92%. O responsável pela pesquisa Igor Lino destacou que no ano passado a inflação de presentes foi ainda menor (1,32%). “Mas, também, a inflação estava bem mais baixa. O IPC estava em 2,98%”.

Do total de 27 itens de presentes selecionados para o levantamento da FGV Ibre, sete mostraram alta acima da inflação e cinco apresentaram retração. Entre as maiores altas, destaque para máquina de lavar (6,85%), cintos e bolsas (6,15%), livros não didáticos (5,97%) e geladeira e freezer (5,51%). Mostraram queda aparelho de televisão (-4,67%) e aparelho de som (-1,68%).

Entre os serviços, puxaram a inflação para cima excursão e tour (10,41%) e cinemas (5,84%). No sentido oposto, teatro registrou a maior queda (-11,42%). Igor Lino recomendou aos consumidores ficar atentos para as ofertas que são tradicionais nessa data, no comércio.