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Angelo Sfair

Deonilson Roldo - Beto Richa - Operação Piloto - Lava Jato - corrupção

Lava Jato: ex-chefe de gabinete de Beto Richa é condenado a 10 anos de prisão por corrupção

O ex-chefe de gabinete de Beto Richa (PSDB), Deonilson Roldo, foi condenado nesta quarta-feira (22) a 10 anos e 5 meses de prisão por corrupção passiva e fraude à licitação. É a primeira sentença relacionada à Operação Piloto, desdobramento da Lava Jato que apura o pagamento de propinas pela Odebrecht ao núcleo do ex-governador do Paraná.

Nesta ação, também foi condenado o empresário Jorge Atherino. Apontado como operador financeiro do tucano, ele foi sentenciado por corrupção passiva a 4 anos, 9 meses e 15 dias de prisão. A JFPR (Justiça Federal do Paraná) também condenou ex-executivos da Odebrecht, que cumprirão a pena conforme estabelece os acordos de delação premida da empresa.

Conforme a sentença, Deonilson Roldo deve cumprir a pena em regime inicialmente fechado. No entanto, Jorge Atherino poderá cumprir a punição no regime semiaberto. Por falta de provas, ambos foram inocentados da acusação por lavagem de dinheiro. Eles ainda podem recorrer da decisão.

Apesar de ser apontado como figura central do esquema pela força-tarefa Lava Jato, Beto Richa não foi imputado nesta ação penal. O ex-governado do Paraná é réu em outro processo relacionado às investigações da Operação Piloto, cuja sentença ainda não foi determinada pela JFPR.

OPERAÇÃO PILOTO APURA CORRUPÇÃO NO GOVERNO BETO RICHA

A Operação Piloto, 53ª fase da Operação Lava Jato, foi desencadeada em 2018 para aprofundar as investigações relacionadas à duplicação da PR-323. Conforme a força-tarefa, foram apurados crimes de corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

De acordo com a Operação Lava Jato, a empreiteira Odebrecht pagou propinas ao núcleo de Beto Richa em troca de benefícios ilegais relacionados à PPP (Pareceria Público Privada) para explorar a duplicação da PR-323.

O trecho em questão liga Francisco Alves a Maringá, entre as regiões noroeste e norte do Paraná. As obras foram licitadas em 2014 ao custo de R$ 7,2 bilhões.

Além do ex-chefe de gabinete de Beto Richa, Deonilson Roldo, e do operador financeiro Jorge Atherino, também foram alvos da ação nove ex-executivos ligados à Odebrecht: Adolpho Julio da Silva Mello Neto, Benedicto Barbosa da Silva Junior, Fernando Migliacchio da Silva, Luciano Riberiro Pizzatto, Luiz Antônio Bueno Junior, Luiz Eduardo Soares, Maria Lucia Tavares, Olívio Rodrigues Junior e Álvaro José Galliez Novis.

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Justiça nega suspensão de concurso pedida por ex-procurador da Lava Jato reprovado

A JFPR (Justiça Federal do Paraná) negou o pedido de suspensão do concurso de Doutorado da UFPR (Universidade Federal do Paraná) feito por um ex-procurador da força-tarefa Lava Jato. Diogo Castor de Mattos pede a retificação das notas de outro candidato. Conforme o procurador, ele foi prejudicado pela melhor nota atribuída ao concorrente.

De acordo com a petição, houve uma alteração irregular dos critérios de avaliação de currículos. Assim, o concorrente obteve resultados melhores e, consequentemente, uma classificação final mais favorável. Liminarmente, o ex-procurador da Lava Jato  solicitou a recontagem da pontuação do candidato com base nos critérios originais do edital.

Além disso, entre outros argumentos, Diogo Castos de Mattos pedia a suspeição de uma dos examinadores da Banca. Curiosamente, esse mesmo argumento costumava ser usado por réus da operação para contestar a atuação do MPF ou do ex-juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro. A força-tarefa nunca reconheceu um pedido de suspeição.

UFPR ESCLARECE

A UFPR (Universidade Federal do Paraná) se manifestou no processo argumentando que a alteração foi publicada antes mesmo do início das inscrições para o concurso de Doutorado. Conforme a instituição, o edital foi publicado dia 13 de setembro do ano passado; a alteração foi realizada um dia antes (12/09).

A universidade defende que não houve nenhuma ilegalidade no procedimento adotado, como questionou Diogo. De acordo com a UFPR, a alteração foi feita porque poderia haver erro de intepretação na redação original. Além disso, esclarece que o critério de “pontuação por atividade” já foi utilizado nos últimos processos seletivos de Doutorado e Mestrado da universidade.

O candidato citado por Diogo Castor de Mattos também se manifestou nos autos do processo. O candidato também afirmou que não identificou nenhuma ilicitude na alteração do edital, feita antes da publicação. Além disso, argumentou que critérios utilizados pelo UFPR no processo seletivo são razoáveis e inequívocos.

JUSTIÇA NEGA PEDIDO DE DIOGO PARA ANULAR CONCURSO

Em despacho publicado na noite desta terça-feira (21), o juiz federal substituto João Paulo Nery dos Passos Martins afirmou que não vislumbra “a existência de qualquer ilegalidade ou desproporcionalidade na adoção do referido critério pela Banca”.

De acordo com o magistrado, o Diogo Castor de Mattos não tem o direito de interferir na “autonomia didático-científica das instituições de ensino em seus processos seletivos”.

João Paulo Martins observou, ainda, o fato de que a alteração aconteceu um dia antes do início das inscrições. Por isso, afirmou que “não há mínimo indício que referido ato, ademais, tivesse o objetivo oculto de favorecer qualquer candidato”.

Desta forma, o juiz substituto da 1ª Vara Federal de Campo Mourão negou o pedido de tutela de urgência e impediu a suspensão cautelar do concurso de Doutorado da UFPR. O caso segue a tramitar na JFPR. O magistrado abriu prazo de 15 dias para a manifestação das partes.

O ex-procurador da Lava Jato Diogo Castor de Mattos não retornou as ligações da reportagem.

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Caso Daniela: ex-marido acusado de feminicídio vai a júri popular nesta sexta-feira

Após pouco mais de um ano, está marcado para esta sexta-feira (24) o júri popular de Emerson Bezerra da Silva, acusado de feminicídio após matar a ex-esposa Daniela Eduarda Alves. O crime aconteceu no dia 14 de janeiro de 2019, em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba. O caso ganhou repercussão ainda maior após ligações telefônicas juntadas ao processo revelarem que a PM-PR (Polícia Militar do Paraná) foi chamada pelo menos oito vezes antes da vítima ser morta.

Emerson Bezerra da Silva é acusado pelo MP-PR (Ministério Público do Paraná) por homicídio triplamente qualificado. A denúncia imputa ao réu as qualificadoras de feminicídio, motivo torpe e meio cruel. Daniela Eduarda Alves tinha 23 anos quando foi morta a facadas pelo ex-marido. De acordo com a acusação, o crime foi cometido na frente do filho do casal, à época com quatro anos.

Os advogados que atuam com a família de Daniela esperam que o júri popular condene o réu por homicídio com todas as qualificadoras indicadas pelo Ministério Público. Conforme os assistentes de acusação, as provas levantadas no decorrer da instrução penal são suficientes para imputar Emerson Bezerra da Silva.

“Todas as provas apresentadas foram muito bem produzidas. Além disso, as gravações da PM-PR, as mais de oito ligações de vizinhos clamando por socorro provam que Daniela sofreu. As testemunhas revelam que o ex-marido tinha um perfil possessivo, ciumento e desequilibrando. Por fim, os laudos de materialidade e necropsia confirmam a versão. Não vemos nenhum tipo de lacuna. Pelo contrário, todas as provas indicam a crueldade”, pontuou Ygor Salmen, assistente de acusação, em entrevista ao Paraná Portal.

DEFESA CONTESTA FEMINICÍDIO

No entanto, a defesa de Emerson Bezerra da Silva pretende derrubar a tese de feminicídio. Além disso, os advogados também contestam a qualificadora por motivo torpe. O advogado que representa o réu não adianta a estratégia a ser adotada no júri popular, mas afirma que questionará ponto a ponto a acusação.

“Para configurar feminicídio, é necessário justificar com base na Lei Maria da Penha. Naquele caso, não existia nenhuma subordinação. Daniela tinha um temperamento forte e era quem mandava na casa. A motivação do crime não podemos adiantar, mas contestaremos a tese do feminicídio. O MP-PR aponta motivo torpe, mas o ciúme, por si só, não justifica a acusação. Por fim, pretendemos mostrar que foi um crime sob influência de violenta emoção”, detalhou o advogado Luis Gustavo Janiszewski, que representa Emerson Bezerra da Silva, em entrevista ao Paraná Portal.

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Reprodução/Facebook

CASO DANIELA: JÚRI POPULAR

O júri popular do Caso Daniela está marcado para começar às 9h, no fórum de Fazenda Rio Grande. Conforme os advogados de defesa e acusação, a expectativa é de que o veredicto seja pronunciado após um ou dois dias de julgamento. Devem ser ouvidas 15 pessoas, entre testemunhas e informantes indicadas pelas partes.

No dia do júri popular, sete pessoas serão sorteadas entre aquelas previamente selecionadas para integrar o corpo de jurados. Defesa e acusação podem pedir o afastamento de um ou outro jurado, a partir do entendimento de que eles não tenham o perfil indicado para julgar o caso.

Formado o júri, terá início a audiência de instrução. Serão ouvidos, nesta ordem, conforme a instrução penal: testemunhas de acusação; testemunhas da assistência de acusação; testemunhas de defesa; e, por fim, a última palavra do réu.

O interrogatório final serve para que os jurados compreendam a versão do acusado após a contextualização do caso. Além disso, os jurados do Caso Daniela poderão fazer perguntas a Emerson Bezerra da Silva para sanar eventuais dúvidas.

Por fim, têm início os debates. Primeiramente, é feita a sustentação oral da acusação. Na sequência, é a vez da defesa apresentar os contrapontos. O juiz que conduz o julgamento pode autorizar uma réplica para a acusação e uma tréplica para a defesa.

Depois disso, os jurados se reúnem e votam dentro dos quesitos previamente estabelecidos. A decisão do júri popular é soberana, mas cabe o juiz fazer a dosimetria da pena. A sentença é formulada conforme o entendimento dos jurados.

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Christopher Tolkien, filho do criador de O Senhor dos Anéis, morre aos 95 anos

Filho do criador de O Senhor dos Anéis, o escritor Christopher Tolkien morreu aos 95 anos. Ele deu continuidade ao legado de J.R.R. Tolkien e foi responsável por todas as publicações póstumas sobre a Terra-média, entre elas O Silmarillion.

A morte de Christopher Tolkien foi confirmada pela fundação Tolkien Society. O fã-clube se resumiu a enviar as condolências a “Baillie, Simon, Adam, Rachel e toda a família”.

Christopher Tolkien editou uma das obras fundamentais para compreender o fantástico mundo criado pelo pai dele, J.R.R. Tolkien. Considerado a “bíblia” do mundo tolkieniano, O Silmarillion relata a criação de Arda (mundo fictício), o desenvolvimento das raças, os principais mitos e batalhas da Terra-média, onde se passam os eventos de O Senhor dos Anéis.

No entanto, o filho do criador foi um grande crítico da adaptação cinematográfica de Peter Jackson. Apesar disso, a trilogia — A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei — é uma das sagas de maior sucesso da história do cinema.

Além disso, Christopher Tolkien também reuniu os escritos do pai sobre as três principais lendas da Terra-média. As compilações foram publicadas nos últimos 13 anos: Os Filhos de Húrin (2007), Béren e Lúthien (2017) e A Queda de Gondolin (2018).

Outra contribuição fundamental de Christopher para o legado do pai foi ter feito o desenho final do mapa da Terra-média, onde se passam alguns dos principais contos de J.R.R. Tolkien.

Além disso, Christopher Tolkien também escreveu a série de livros History of Middle-earth  (sem tradução para o português), e editou obras como Contos Inacabados.

O trabalho do escritor foi fundamental para compreender a complexidade e profundidade do mundo criado por J.R.R. Tolkien, que reinventou literatura fantástica e inspirou ou influenciou todos os escritores do gênero que surgiram depois, como George R.R. Martin, Neil Gaiman e J.K. Rowling.

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Deltan vira alvo de bolsonaristas após elogiar RenovaBR: ‘esquerdista’

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato no MPF do Paraná, virou alvo de conservadores e bolsonaristas após fazer um elogio ao RenovaBR. Um dos responsáveis pela prisão do ex-presidente Lula, Deltan recebeu uma série de críticas e também foi chamado de “esquerdista“.

Pelo Twitter, o procurador chefe da Lava Jato no Paraná afirmou que apoia equipes preparadas para fazer leis e administrar o país. “O curso do RenovaBR hoje é referência na preparação de futuros candidatos. Independentemente de posição política, é uma questão de cidadania”, escreveu, às 18h desta quarta-feira (15).

Até a publicação desta reportagem, havia 2,8 mil respostas ao tweet. As réplicas de maior repercussão são de críticas a Deltan e, sobretudo, ao RenovaBR. Bolsonaristas e conservadores acreditam que a organização tem um viés ideológico à esquerda.

Um dos argumentos citados pelos críticos foi o episódio no qual alunos do RenovaBR puxaram um coro de “Lula Livre” durante a festa de formatura. Isso aconteceu no final do ano passado e foi relatado pela jornalista Monica Bergamo.

DELTAN É CRITICADO POR BOLSONARISTAS: ‘ESQUERDISTA’

“Que vergonha!! Vc apoiando um curso de “Lula livre” 🤦🏻‍♂️, diz uma das respostas a Deltan Dallagnol. “Vou colocar no cantinho de ‘caneladas’ pq ninguém é perfeito 🙈”, escreveu outra admiradora.

Outros seguidores do procurador chefe da Operação Lava Jato no Paraná acreditam que o comentário indica uma revelação ideológica.

“Enfim, Deltan se assumiu. É um progressista que compactua com a agenda globalista”, escreveu um usuário decepcionado, em tom conspiratório.

Deltan é esquerdista gente…“, cravou outra.

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Deltan é criticado e chamado de ‘esquerdista’ na internet. (Reprodução/Twitter)

Apoiado por liberais, RenovaBR não assume bandeiras ideológicas

Elogiado por Deltan Dallagnol, o RenovaBR se apresenta como “a maior escola de democracia do Brasil”. A entidade seleciona pessoas dispostas a ser qualificar para formar novos líderes políticos.

Conforme a organização, processos seletivos, cursos de formação e programas de mobilização estão presentes em todas as regiões do Brasil. De acordo com o RenovaBR, mais de 35 mil pessoas mostraram interesse em participar da escola.

Ainda de acordo com o grupo, desde a criação da escola, em 2017, foram formados 133 alunos. Mais de 1.400 alunos estão em formação.

A organização elogiada por Deltan Dallagnol já elegeu 17 alunos, como por exemplo Tabata Amaral (PDT-SP), Vinicius Poit (REDE-SP), Joênia Wapichana (REDE-RR) e Marcelo Calero (Cidadania-RJ), todos deputados federais.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o procurador Deltan Dallagnol preferiu não se manifestar sobre o caso.

Em nota enviada ao Paraná Portal, o RenovaBR afirmou que trata de uma escola independente e suprapartidária com alunos filiados a mais de 30 partidos brasileiros. Além disso, muitos estão sem filiação partidária.

De acordo com o RenovaBR, é natural, em um contexto de polarização, que alguns perfis mais extremos não lidem bem com isso. “Acusações deste tipo ocorrem rotineiramente e não estão restritas a um ou outro lado de espectro político. Em uma busca rápida nas redes sociais, é fácil encontrar falsas associações do nosso trabalho tanto a ideologias de esquerda quanto de direita. Reafirmamos, no entanto, que não nos associamos a partidos, agendas ou projetos específicos”.

Conforme a nota, o RenovaBR “fica muito satisfeito em contar com o apoio de uma figura pública de grande expressão como o procurador Deltan Dallagnol, sobretudo no contexto de divulgação do nosso processo seletivo”.

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Justiça do DF rejeita denúncia por calúnia contra Felipe Santa Cruz

A 15.ª Vara Federal do Distrito Federal rejeitou nesta terça-feira (14) a denúncia por calúnia contra Felipe Santa Cruz. O presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) havia sido acusado por chamar o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de “chefe de quadrilha”.

Conforme o juiz Rodrigo Parente Paiva Bentemuller, faltou justa causa à representação do MPF-DF (Ministério Público Federal). A peça acusatória afirmava que Felipe Santa Cruz “utiliza o manto de uma das principais instituições no Estado Democrático Brasileiro para agir como militante político e impor sua visão política pessoal ao arrepio dos deveres institucionais da OAB”.

Para a defesa de Santa Cruz, a postura do MPF-DF, ao acusar o presidente da OAB por calúnia, representava um atentado à liberdade de expressão. Além disso, conforme a defesa, a acusação “fragiliza o ambiente democrático, que deve ser a regra num país livre, maduro e com as instituições fortalecidas”.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, sustentou que o posicionamento de Felipe Santa Cruz aconteceu dentro dos limites constitucionais. O representante do presidente do Conselho Federal da OAB afirmou, ainda, que é dever de todo advogado manter uma postura crítica e propor debates.

A decisão do juiz Rodrigo Parente Paiva Bentemuller, que rejeitou a denúncia do MPF-DF, foi comemorada pela defesa de Santa Cruz.

“A tentativa de afastar um Presidente da OAB via decisão do Judiciário, como pedido pelo Procurador da República, não encontra eco nem no regime militar de triste memória. É hora de pacificação”, afirmou Kakay, por meio de nota.

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Felipe Santa Cruz se referiu a Sergio Moro como “chefe de quadrilha” (Arquivo/Isaac Amorim/MJSP)

FELIPE SANTA CRUZ X SERGIO MORO

Os atritos entre o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, não são recentes. Em julho de 2019, no decorrer da Operação Spoofing, eles deram início a uma troca de acusações.

Conforme a denúncia por calúnia do MPF-DF, Santa Cruz afirmou que Moro “usa o cargo, aniquila a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe da quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”.

No mês passado (11/12/2019), em resposta a uma entrevista de Felipe Santa Cruz, o ministro usou as redes sociais para chamá-lo de militante político. Sergio Moro afirmou que não receberia o presidente da OAB no Ministério da Justiça enquanto ele não mudasse a postura.

“Tenho grande respeito pela OAB, por sua história, e pela advocacia. Reclama o Presidente da OAB que não é recebido no MJSP. Terei prazer em recebê-lo tão logo abandone a postura de militante político-partidário e as ofensas ao PR (presidente da República) e a seus eleitores”, escreveu Moro, na ocasião.

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Mais de 90% dos paranaenses terminaram 2019 endividados

Nove em cada 10 famílias do Paraná terminaram o ano endividadas. Conforme dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e da Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná), o índice se manteve estável em 2019. O cartão de crédito lidera o endividamento das famílias.

De acordo com o levantamento, 90,88% das famílias paranaenses estava endividada em dezembro. No início de 2019, em janeiro, o número de endividados era de 90,1%.

Conforme a CNC e a Fecomércio PR, o endividamento cresceu na comparação com o ano anterior. Em média, 90,42% das famílias do Paraná tinham dívidas no ano passado, contra 88,92% em 2018.

No entanto, a reta final do ano indicou uma tendência de redução no número de inadimplentes. As famílias com parcelas em atraso passaram de 29,44% para 28,87% entre novembro e dezembro de 2019. A redução pode ser explicada pelo pagamento do 13º salário e a liberação de saques do FGTS.

Mesmo assim, o número de famílias do Paraná com parcelas em atraso aumentou em 2019. Conforme a pesquisa CNC e Fecomércio PR, os inadimplentes representavam 27,84% em janeiro passado. Ou seja, tanto o endividamento quanto a inadimplência aumentaram nos últimos 12 meses, embora a tendência seja de queda.

Ainda de acordo com a pesquisa, as dívidas são consideradas impagáveis por 11,17% dos paranaenses.

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Divulgação/Fecomércio PR

ENDIVIDAMENTO: CARTÃO DE CRÉDITO LIDERA A LISTA

O estudo da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e da Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná) aponta que o cartão de crédito foi o principal motivo do endividamento das famílias do Paraná. 76,49% das contas a pagar em dezembro estavam relacionadas ao cartão.

O financiamiento de carros e casas caiu ao longo de 2019. Em relação aos veículos, entre junho e dezembro, o porcentual de representatividade passou de 9,75% para 6,94%. O financiamento imobiliário iniciou 2019 com 9,07% e encerrou o ano representando 8,45% do endividamento das famílias.

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Justiça nega pedido de liberdade e mantém prisão de Paulo Preto

O engenheiro Paulo Vieira de Souza teve mais um pedido de liberdade negado. O juiz substituto Diego Paes Moreira, da 6.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, indeferiu um pedido da defesa para que o réu deixasse a prisão. Apontado como operador de propinas do PSDB, Paulo Preto foi preso pela última vez em fevereiro de 2019, após pedido da força-tarefa Lava Jato no Paraná.

A negativa foi confirmada ao Paraná Portal pelo advogado Alessandro Silverio. No entanto, ele prefere não comentar decisões. A negativa do juiz substituto Diego Paes Moreira foi publicada na quarta-feira (08) e compartilhada com a 13.ª Vara Federal de Curitiba.

A juíza substituta Gabriela Hardt determinou que a ação penal contra Paulo Preto seja arquivada após a confirmação do cumprimento do mandado de prisão. O processo foi desmembrado em outubro de 2019, quando o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) decidiu enviar a investigação para a Justiça de São Paulo.

PAULO PRETO É ALVO DA LAVA JATO

Preso desde fevereiro do ano passado, o ex-diretor da Dersa foi alvo da 60ª fase da Operação Lava Jato. Paulo Preto, como é mais conhecido, é acusado de movimentar mais de R$ 100 milhões em propinas de empreiteiras como Odebrecht e UTC Engenharia.

A defesa do engenheiro questionou a competência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar a ação penal. Como os fatos aconteceram em São Paulo e não estão diretamente ligados à Petrobras, os advogados solicitaram a transferência do processo para a Justiça Federal de São Paulo.

Nesta ação penal, Paulo Preto foi acusado de lavagem de dinheiro junto ao advogado Rodrigo Tacla Duran. Também são réus o ex-executivo da Odebrecht e delator Fernando Migliaccio da Silva, o doleiro e ex-integrante do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht Olívio Rodrigues Junior, e os empresários Marcello José Abbud e Samir Assad.

 

 

 

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Paraná recebe doses da vacina pentavalente e espera normalizar estoque até fevereiro

O Paraná recebeu 44 mil doses da vacina pentavalente nesta sexta-feira (10). O abastecimento estava suspenso desde julho. Para suprir a demanda em todos os municípios, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) espera receber mais 45 mil doses do Ministério da Saúde na semana que vem. A expectativa é que o estoque seja normalizado até fevereiro.

A vacina pentavalente teve o abastecimento suspenso há quase seis meses porque foi reprovada em testes de qualidade. Assim, a imunização foi suspensa até um novo lote passar pelo crivo do INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade de Saúde) e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“A falta de uma vacina prevista em calendário nacional causou uma comoção geral. Recebendo essas novas doses, imediatamente enviaremos às regionais para distribuição”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

A vacina pentavalente protege contra múltiplas doenças ao mesmo tempo (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e contra a bactéria haemophilus influenza tipo b, responsável por infecções no nariz, meninge e na garganta). Ela deve ser tomada em três doses: aos dois meses, aos quatro meses, e aos seis meses de vida.

Essa imunização está prevista no Calendário Nacional de Vacinação desde 2012.

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Estoque da vacina pentavalente deve ser regularizado no Paraná até fevereiro. (Ilustração/Pixabay)

VACINA PENTAVALENTE EM FALTA

Para suprir a demanda nas 22 regionais, o Paraná precisa, em média, de 60 mil doses por mês. São as regionais que distribuem as vacinas pentavalente e organizam a oferta em todos os municípios. Assim, com as remessas previstas pelo Ministério da Saúde, a expectativa da Sesa é normalizar a situação até o final do mês.

A última vez que o Paraná recebeu as vacinas pentavalente do governo federal foi em outubro de 2019. Com três meses de desabastecimento, a quantidade em estoque não foi mais suficiente para regularizar a fila de espera nas salas de vacina.

“Considerando que nos meses anteriores não recebemos a vacina, esse envio total de 89 mil doses programado para os próximos dias ainda é insuficiente para atender a demanda do estado“, explicou a técnica do Programa de Imunização da Sesa, Fernanda Crosewski.

“No entanto, estes lotes vão permitir a cobertura vacinal de boa parcela da população até a situação se normalizar com o envio de mais vacinas pelo Ministério da Saúde”, completou.

ONDE VACINAR

A vacina pentavalente, quando o estado dispõe do estoque regular, pode ser encontrada gratuitamente em todas as 1.852 salas de vacinação das UBS (Unidades Básicas de Saúde).

Durante o período de desabastecimento, a dose regular chegou a ser substituída temporariamente pela DTP, que previne difteria, tétano e pertússis (coqueluche), por exemplo. No entanto, a vacina DTP é considerada um reforço à pentavalente, e deve ser aplicada em duas doses: aos 15 meses e aos quatro anos de idade.

Como a expectativa é normalizar a situação até fevereiro, a substituição da vacina pentavalente pela DTP não é mais recomendada.

“Orientamos que os pais aguardem a chegada da pentavalente. Essa é a vacina indicada para a criança e as remessas da vacina estão sendo regularizadas. Não se faz necessário mais necessário, nesse momento, a substituição”, finalizou Crosewski.