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Aplicativo do Sistema FAEP/SENAR-PR permite ter o agronegócio na palma da mão

Um produtor rural bem informado é meio caminho percorrido para bons negócios e a gestão assertiva da propriedade. Afinal, o dinamismo e a velocidade do cotidiano exigem conhecimento, em tempo real, das cotações das principais commodities agrícolas, se irá chover ou se o céu estará limpo para o plantio e/ou colheita e onde estão abertos novos cursos do SENAR-PR para capacitação dos trabalhadores rurais, entre outras informações fundamentais.

Para facilitar o acesso às mais variadas informações e serviços aos produtores rurais, o Sistema FAEP/SENAR-PR disponibiliza o seu aplicativo (app) para smartphones (Android e iPhone). A ferramenta, que passou por um período de testes e ajustes, já está disponível para download nas lojas Apple Store e Play Store gratuitamente.

“O aplicativo do Sistema FAEP é mais uma ferramenta de informações e conhecimentos para os produtores rurais paranaenses e mesmo de outros Estados. O programa vem complementar o portfólio de comunicação da entidade, para que os agricultores e pecuaristas, independentemente de onde estejam e em qual condição de acessibilidade, possam acompanhar tudo o que acontece no Paraná, no Brasil e no mundo”, destaca Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR.

O aplicativo reúne uma série de recursos e temas como previsão do tempo com temperatura, precipitação, índice de radiação ultravioleta, pressão atmosférica, vento, entre outros aspectos fundamentais aos manejos da produção agropecuária, cotações, agenda de eventos da entidade e do agronegócio, detalhes dos mais de 350 cursos do SENAR-PR, localização dos sindicatos rurais e a calculadora dos custos de produção avícola. Na área de comunicação, os produtores rurais e demais usuários poderão conferir notícias sobre o setor, as edições semanais do Boletim Informativo, vídeos, programas de rádio e fotos. Tudo ao alcance dos dedos em qualquer lugar, a partir de um smartphone conectado à internet.

“Desenvolvemos uma plataforma que facilita a parceria entre Sistema FAEP/SENAR-PR e produtores, trabalhadores rurais e demais elos da cadeia produtiva. Esses públicos poderão acompanhar, com facilidade e agilidade, tudo que acontece no setor e, principalmente, as ações e conquistas da Federação e do SENAR-PR”, explica Ieda Donada, gerente do Departamento de Tecnologia e Informação (Deti) do Sistema FAEP/SENAR-PR. “Nosso planejamento é, a cada mês, incrementar a ferramenta. Vamos constantemente disponibilizar novas informações e recursos para os usuários”, acrescenta.

Calculadora

Dentre os diversos recursos do aplicativo, um interessa especialmente aos avicultores do Paraná. A ferramenta calculadora de “Custos de Produção Avícola” permite que o usuário possa identificar, em detalhes, os seus maiores e menores gastos para conduzir a atividade. Para isso, basta inserir os dados que o sistema, automaticamente, faz as contas. Ainda, o avicultor tem a possibilidade de comparar seus custos com as médias regionais. Essa funcionalidade específica funciona parcialmente offline.

“A calculadora é uma demanda dos próprios avicultores, que o Sistema FAEP/SENAR-PR passa a disponibilizar. Com a ferramenta, os produtores poderão conhecer a sua realidade e compará-las com outros avicultores, podendo identificar onde existem oportunidades para melhorar e reduzir custos. Afinal, é fundamental conhecer seus dados para melhor administrar a atividade em busca de lucro”, destaca Jefrey Kleine Albers, coordenador do Departamento Técnico Econômico da FAEP.

Antes mesmo do lançamento, a calculadora foi apresentada e disponibilizada para testes aos integrantes da Comissão Técnica de Avicultura da FAEP.

Confira a matéria completa, com todas as funcionalidade, no Boletim Informativo.

Produtores de tilápia do Norte se inspiram no Oeste para desenvolver a cadeia

Não é de hoje que a piscicultura paranaense navega em boas águas. A atividade vem crescendo a passos largos, impulsionada por um cenário de tecnologia consolidada, mudança de hábitos alimentares por parte dos consumidores e estruturação da cadeia produtiva estadual. O piscicultor Rui Yassuki Aname, de Londrina, na região Norte, acompanha de perto esse movimento, desde que iniciou seus cultivos em 1998. “Tinha o sonho de ser piscicultor, mas naquela época não tinha tecnologia para tanque-rede, não tinha reversão [sexual] por hormônio, não tinha nada”, recorda.

Apesar das limitações técnicas, a atividade era bastante remuneradora quando começou no Paraná, garante Aname. “Quando nasceu, a piscicultura pagava melhor do que criação de boi, quer dizer, pagaria, porque não tinha mercado. Era um bom negócio, mas não tinha para quem vender”, lembra.

De lá para cá, muita coisa melhorou. A produção de peixes no Paraná passou de 93,6 mil toneladas em 2016, para 112 mil toneladas em 2017 e chegando a 2018 com 129,9 mil toneladas. A tilápia é o carro-chefe da atividade, respondendo por cerca de 95% dos peixes produzidos no Estado – os 5% restantes se dividem entre outras espécies como carpa, truta e panga.

Apesar dos avanços, a atividade não se desenvolve de forma uniforme em todas as regiões do Paraná. Segundo o Departamento Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), a região Oeste, onde estão localizados os núcleos de Toledo e Cascavel, responde por 69% da produção estadual de peixes. Distante algumas centenas de quilômetros, a região Norte, onde estão os núcleos de Londrina, Cornélio Procópio e Maringá, detêm entre 8% e 9% da produção.

No Oeste, a piscicultura encontrou um modelo promissor, que tem nas cooperativas o motor do seu desenvolvimento. O sistema de integração prospera entre os criadores cooperados, proporcionando um cenário de segurança, com garantia de compra da produção. A cooperativa Copacol, por exemplo, possui a maior estrutura para o abate de peixes da América Latina, com 40,9 milhões de peixes abatidos por ano.

No Norte, terra onde Aname realizou o sonho de ser piscicultor, a atividade não se desenvolveu na mesma velocidade. “Quando comprei a minha propriedade, em 2001, mil alevinos custavam R$ 100. Hoje, eu continuo vendendo mil alevinos pelos mesmos R$ 100”, aponta o criador, que produz 6 milhões de alevinos por ano.

Dentre os problemas identificados por Aname, alguns são de ordem técnica, como o alto custo da tecnologia, a maior parte importada, e a proibição de criar tilápia (uma espécie exótica) em tanques-rede durante vários anos (hoje esse cultivo é permitido). “Esse impedimento atrasou a piscicultura no Norte em 10 anos”, afirma. Outras dificuldades são de ordem comercial. “No Oeste, a cultura é associativista, dá certo. No Norte, é cada um por si. E se você não tem um mercado estável para vender o seu produto, não dá certo”, analisa.

O extensionista do Emater de Itambaracá (Norte), Miguel Antonucci, tem opinião semelhante, de que os principais entraves da piscicultura na região estão na ponta da comercialização. “Temos um potencial muito bom, mas faltam mercado, indústria para processar e um canal de comercialização”, aponta. “A produção não é o problema”, pontua.

Outra diferença entre a produção nas duas regiões, segundo Antonucci, é que, enquanto tanques escavados predominam no Oeste, o Norte utiliza, na sua maioria, tanques-rede, que teriam custo de produção maior. “Já começam por aí as diferenças. Nem todas as áreas [para cultivo] são próprias na região, isso porque os tanques-rede estão, em sua maioria, em reservatórios e represas”, diz. Como estas áreas pertencem à União, muitas vezes, acaba inibindo investimentos mais significativos por parte dos produtores.

Também inibe investimentos dos piscicultores do Norte a ausência de garantia de comercialização e preço remunerador. Nesse sentido seriam bem-vindas indústrias para o abate dos peixes na região. Houve iniciativas nesta direção nos municípios de Cornélio Procópio e Alvorada do Sul, onde frigoríficos para o abate de peixes com recursos públicos fo – ram instalados. Porém, apesar das obras te – rem sido entregues por volta de 2012, estas estruturas ainda não estão em atividade.

Segundo o secretário de Agricultura e Pesca de Alvorada do Sul, Valteir Aparecido Bazzoni, isso deve mudar em breve. “Estamos finalizando o abatedouro que vai dar uma boa desafogada [no processamento da produção]”, diz. Segundo ele, a estrutura deve estar operando até o início do próximo ano. “Temos um procedimento licitatório. Uma empresa comprou a gestão dele [do abate – douro]. Já tem equipamentos de refrigeração comprados, toda obra concluída. Só faltam os tanques de decantação e outros detalhes”, afirma Bazzoni.

A estrutura teria capacidade para abater seis toneladas de pescado por turno de trabalho. Com dois turnos em atividade, a expecta – tiva é o abate de 12 toneladas diárias no município. “Aqui em Alvorada do Sul, produzimos 3,3 mil toneladas de peixe por ano, 100% em tanque-rede. Se somar a produção da região vai ter muito mais peixe produzido do que a capacidade de abate”, observa Bazzoni.

De acordo com o secretário, o empreendimento irá gerar 120 empregos diretos e outros 400 indiretos. O destino da produção depende da estratégia da empresa que irá ad – ministrar o frigorífico “O plano de gestão é deles [da empresa], mas posso adiantar que deve ir para São Paulo”, afirma.

A produção de Alvorada do Sul é significativa. Segundo o técnico do Deral Edmar Gervásio, o município, que pertence ao núcleo regional de Londrina respondeu por 2% do Valor Bruto da Produção (VBP) da piscicultura em 2017, algo em torno de R$ 15 milhões.

Segundo o presidente da Associação Norte Paranaense de Aquicultores (Anpaqui), Eliesley Gorriz, a produção de Alvorada do Sul, bem como a de outros municípios da região, é direcionada para o Estado de São Paulo. A Associação, em conjunto com outras entidades da sociedade civil, buscou a redução do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas operações com o Estado vizinho, de 12% para 7%. O benefício, que ajuda o peixe paranaense a ser competitivo no mercado paulista, vale até abril de 2020, depois precisa ser renovado. “Nossa ideia é que existisse essa redução para toda cadeia, como ração, equipamentos, insumos. E não só para o peixe”, observa Gorriz.

Cooperação e Integração

A opinião do presidente da Anpaqui vai ao encontro da opinião de outras pessoas ouvidas pela reportagem. “O problema no Norte é que não temos uma cooperativa que faça a parte da integração, como na avicultura e suinocultura e como já é a piscicultura no Oeste. O pessoal [no Norte] é muito individualizado na produção e na entrega. Falta união entre os produtores”, avalia.

Essa desunião pode ser explicada, em parte, pela conjuntura comercial da atividade, como observa Antonucci, da Emater de Itambaracá. “Como é um mercado competitivo, se o piscicultor está com a produção dele sem garantia de compra, acaba aceitando um preço menor para não perder”, observa.

Para interromper esse processo, o primeiro passo seria a criação de um sistema de integração, no qual os piscicultores “pés vermelhos” pudessem entregar a sua produção com compra garantida e preço definido aos integrados. Um dos primeiros movimentos nesta direção seria a entrada em operação do frigorífico de Alvorada do Sul. “Essa empresa [do frigorífico] vai trazer novidades. Acredito que vem um modelo semelhante ao da integração. Já conversei com diversos produtores e o modelo que interessa é a integração. Você fideliza o produtor e garante a produção”, observa o secretário Bazzoni.

Futuro

Apesar dos percalços e do tamanho do desafio, o Norte do Paraná continua se desenvolvendo. Na opinião do técnico do Deral Edmar Gervásio, a atividade possui grande potencial para crescer. “Espaço no mercado existe, só precisa de fomento”, avalia.

A certeza de que a piscicultura irá se desenvolver é o motivo de o produtor Rui Aname, de Londrina, não só continuar na atividade, mas realizar novos investimentos para crescer. No momento, o piscicultor está adaptando uma granja suína para a construção de 37 tanques onde antes ficavam as baias dos animais. Nesse projeto, Aname pretende empregar o que há de mais moderno na atividade, como produção de alevinos em sistema de recirculação de água e sistema de bioflocos. “Quando estiver tudo pronto vou trazer toda minha produção de alevinos para esse sistema e deixar os tanques antigos para as matrizes e juvenis”, planeja o piscicultor, que olha para o futuro com o otimismo de quem já enfrentou situações piores.

Evento internacional traz informação e negócios ao Brasil

Os criadores paranaenses terão uma oportunidade ímpar para conhecer as tecnologias mais modernas e atualizar seus conhecimentos na área da piscicultura. Entre os dias 17 e 19 de setembro acontece, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, o International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2019, congresso que traz conferencistas de renome nacional e internacional, para discutir temas relevantes do setor e tendências da atividade. O Sistema FAEP/SENAR-PR é um dos incentivadores do evento.

Um dos objetivos do congresso é reunir todos os elos desta cadeia produtiva, como empresários, aquicultores, armadores de pesca, agentes do mercado (varejo e food service), prestadores de serviços, fornecedores e demais profissionais do setor dos principais países produtores. Desta forma será possível discutir os desafios e as soluções que vem sendo desenhadas pelos principais players deste mercado. Serão mais de 16 palestras sobre sistemas de produção, tecnologias de produção e processamento, nutrição, sanidade, manejo. Também estão na programação rodadas de negócios com participantes internacionais, fóruns de discussão e apresentação de trabalhos científicos.

O Sistema FAEP/SENAR-PR acompanha o desenvolvimento do setor e observa grande potencial de crescimento desta atividade, que vem proporcionando mais renda e qualidade de vida para os produtores rurais paranaenses. Técnicos, instrutores e candidatos a instrutores na área da aquicultura da entidade irão participar do evento para atualizar conhecimentos, prospectar negócios e fomentar o apoio à mobilização dos treinamentos. Também foram convidados, por meio dos sindicatos rurais, produtores interessados de municípios onde a piscicultura tem expressão econômica significativa.

International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2019

Data: 17 a 19 de setembro de 2019

Local: Maestra Grand Convention Center – Recanto Cataratas Thermas & Resort. Av. Costa e Silva, 3500 – Foz do Iguaçu / PR

Mais informações e inscrições: www.internationalfishcongress.com.br/inicial Telefone: (48) 99980-4920

Coordenadas geográficas em receita agronômica passam a ser obrigatórias

Os profissionais responsáveis por emitir receituários agronômicos no Paraná passam a ser obrigados a incluir no documento as coordenadas geográficas de um ponto dentro da propriedade onde será feita a aplicação de defensivos agrícolas. A medida visa aumentar a precisão das informações sobre o uso de agroquímicos no Estado, de modo a aprimorar o monitoramento e controle fitossanitário nas lavouras paranaenses.

A obrigatoriedade foi implementada por meio da Portaria 103 de 2019, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Inicialmente, a exigência passaria a valer no fim de junho, 60 dias após a publicação em Diário Oficial – que ocorreu no dia 26 de abril. Mas, para fornecer mais tempo para os envolvidos se adaptarem às novas exigências, o órgão estadual prorrogou o início da exigência para o dia 10 de setembro, por meio da Portaria 188, de 24 de junho de 2019.

A novidade não implica em qualquer alteração na rotina dos produtores rurais, enfatiza o coordenador do Sistema de Monitoramento de Agrotóxicos (Siagro) da Adapar, Luiz Angelo Pasqualin. “Ao produtor não haverá qualquer mudança. O produtor deve observar que os defensivos sejam aplicados de acordo com o recomendado nas receitas. A fiscalização continuará exigindo as mesmas documentações na propriedade”, reforça.

Confira a entrevista com Pasqualin sobre a nova exigência.

BI – Por que foi instituída a obrigatoriedade das coordenadas geográficas na receita agronômica e o que essa medida muda na rotina do produtor rural?

LAP – A obrigatoriedade da localização da propriedade na receita agronômica é exigida desde 2002, de acordo com o artigo 66 do Decreto Federal 4074/02. A complementação desta informação textual com uma coordenada geográfica, funciona como um “CEP”, visto que muitas vezes existem propriedades de mesmo nome no mesmo município e localidade.

De quem é a responsabilidade de indicar as coordenadas geográficas no receituário agronômico?

Assim como todos os demais campos existentes na receita agronômica, esta informação é de responsabilidade do profissional habilitado.

Arrendo uma gleba de 10 hectares para plantar soja dentro de uma propriedade de 20 hectares. Nesses outros 10 hectares, o proprietário também cultiva soja. O que devo fazer?

Não há problema algum. O proprietário comprará seus produtos com uma receita, e o arrendatário com outra receita.

Nesse mesmo caso envolvendo arrendamento, quem deve colocar a indicação?

Em ambos os casos, o responsável técnico pela receita é que vai indicar a localização.

Tenho duas propriedades, posso colocar a latitude e a longi- tude de apenas uma delas no receituário?

Sendo duas propriedades distintas, cada uma requer uma receita própria, portanto com dados de localização distintos. A existência de uma receita para cada propriedade é uma segurança adicional para o produtor, pois os produtos somente podem ser utilizados para a propriedade indicada na receita. Assim é de direito que o produtor cobre de seu responsável técnico que faça as receitas para cada uma das propriedades.

Qual é o local de onde devem ser indicadas as coordenadas geográficas? No talhão específico da aplicação, na sede da propriedade ou em qual- quer ponto da propriedade. Por quê?

Não se exige nenhum local específico, podendo ser adotado qualquer ponto que apenas pertença a propriedade. Como já foi dito, este ponto tem apenas a função de localizar melhor a propriedade, e não de ser o ponto de aplicação.

Existe algum lugar específico no receituário onde o profissional responsável precisa colocar as coordenadas?

O profissional deverá colocar esta informação no campo onde normalmente já informa o nome da propriedade e sua descrição de localidade, adicionando ao final a coordenada em graus minutos e segundos.

O que acontece se meu receituário não tiver latitude e longitude? Quais são as sanções que o produtor vai sofrer?

Não há qualquer sanção ao produtor rural, pois a obrigação de indicar corretamente a propriedade é do profissional de agronomia.

Quais obrigatoriedades o produtor deve cumprir para atender às novas exigências?

Ao produtor não haverá qualquer mudança. O produtor deve observar que os produtos sejam aplicados de acordo com o recomendado nas receitas.

Vai haver alguma mudança em relação à fiscalização das propriedades?

Não há mudança alguma nas regras de fiscalização.

O que o produtor deve estar preparado para mostrar nessa fiscalização? O que exatamente será vistoriado?

A fiscalização continuará exigindo as mesmas documentações na propriedade, ou seja, que todos os produtos tenham suas devidas receitas e notas fiscais, além disso que seja observado o uso de acordo com o que foi prescrito na receita. Deve ser observado que a legislação prevê que estes documentos estejam disponíveis ao fiscal por, pelo menos, dois anos.

Leia mais matérias do agronegócio no Boletim Informativo.

Seminário aponta caminhos para o controle do bicudo

Entre os dias 20 e 29 de agosto, o Sistema FAEP/SENAR-PR, em parceria com sindicatos rurais e usinas paranaenses, realizou cinco seminários sobre o bicudo da cana-de-açúcar, nas cidades de Jacarezinho, Colorado, Jussara, Paraíso do Norte e Tapejara. A capacitação teve como objetivo repassar informações sobre a praga, que tem causado grandes prejuízos nos canaviais. No total, mais de 150 colaboradores das usinas DaCalda, Jacarezinho, Alto Alegre, Cia Melhoramentos, Nova Produtiva, Coopcana, Cooperval e Santa Terezinha participaram do treinamento, que contou com parte teórica e atividades práticas.

Na programação, a parte da manhã envolveu duas palestras, que abordaram os aspectos referentes ao ciclo biológico, dimorfismo sexual, caraterísticas para identificação, métodos de monitoramento e controle da praga, com o especialista Luiz Carlos de Almeida. Ou seja, a necessidade de prevenção do bicudo da cana-de-açúcar dominou os debates.

Na parte da tarde, os participantes aprenderam a identificar e monitorar a praga. No talhão de uma lavoura, o grupo observou a infestação do bicudo, onde foram encontradas todas as formas biológicas (ovo, larva, pupa e adultos).

“Nos últimos anos, o bicudo tem gerado significativos prejuízos financeiros. A difusão de tecnologias para o controle é necessária para trazer informação aos profissionais envolvidos e permitir um combate mais eficaz no controle da praga”, aponta Arthur Bergamini, gerente do Departamento Técnico (Detec) do SENAR-PR.

O bicudo da cana-de-açúcar coloca seus ovos na base dos colmos e as larvas destroem a parte subterrânea da touceira, matando os perfilhos ou mesmo a touceira inteira. Esse processo pode causar prejuízos de até 30 toneladas de cana por hectare, além da redução da longevidade do canavial.

“Até pouco tempo, a praga estava restrita ao Estado de São Paulo. Levantamentos recentes mostram que as formas biológicas estão disseminadas em diversas regiões. Por isso, é importante que os produtores e trabalhadores envolvidos com a cultura busquem informação visando o controle e, assim, evitando a disseminação do bicudo”, Jéssica D’angelo, técnica do Detec responsável pela cultura e que acompanhou a série de seminários pelo Paraná.

Leia mais notícias sobre o agronegócio no Boletim Informativo.

Febre aftosa: mobilização histórica pelo fim da vacinação

O fim da vacinação contra a febre aftosa no Paraná está sacramentado. A realização de um concurso público para a contratação de profissionais para reforçar a defesa agropecuária do Estado era a última pendência a resolver para se avançar em definitivo nessa questão. No dia 28 de agosto, em Curitiba, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), durante a Audiência Pública Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, essa espera acabou. O secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, confirmou que o governador Carlos Massa Junior autorizou a realização de um concurso público que prevê 30 vagas para médicos veterinários e 50 para técnicos agrícolas. Mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas, de todas as regiões do Estado, estiveram em Curitiba para participar do evento.

Com isso, está resolvida a última pendência para que o Estado possa solicitar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em setembro, o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação. Posteriormente, o Mapa poderá pedir, no ano que vem, à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) o reconhecimento internacional do Paraná como território livre da doença sem imunização. Este último, caso aprovado, passará a ter validade em 2021.

“O primeiro interessado nesse avanço sanitário somos nós, produtores rurais. O segundo interessado é a indústria, que processa. Então, somos nós que temos que querer e os governos têm que dar condições para que as coisas andem bem, agir com inteligência para que possamos evoluir”, apontou Ortigara.

O secretário lembrou que, nos anos 1970 e 1980, a aftosa era comum no território paranaense e que houve um trabalho incansável para vencer a doença. “Trouxemos a zero essa enfermidade, com a estratégia adequada àquela época. Destaco todo nosso avanço, do respeito conquistado, da relação de confiança, a busca de informação, transparência, da criação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná [Adapar], a constituição de barreiras, de monitoramento dos planteis. A proposta é trocar um sustentáculo, que é a vacina, por ferramentas muito mais inteligentes”, detalhou.

O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, também resgatou, durante o evento, a longa trajetória iniciada na década de 1970, para que o Paraná construísse toda sua estrutura sanitária e de defesa agropecuária. Para o presidente da FAEP, este processo foi consolidado ano a ano e não tem um único protagonista, mas é resultado de esforços coletivos, ao longo de todos os governos, com participação tanto de entidades e da iniciativa privada, quanto de entes públicos.

“Isso não foi construído só pela FAEP, mas por todos que querem o crescimento do Paraná. A história tem que ser justa e lembrada, para avançarmos sempre mais”, observou. “Ainda na década de 1980, procurei o então presidente desta Casa, Aníbal Khury, procurando apoio institucional. Falaram que este era o caminho, mas que era longo. É um caminho longo, mas temos que chegar. Quero registrar que todos fizeram a sua parte”, apontou.

O líder da Federação também celebrou o potencial econômico que devem advir com o reconhecimento internacional do Paraná, como área livre de aftosa sem vacinação. Meneguette lembrou que, hoje, a agropecuária é responsável pela geração de 53% do que se produz no Estado. Com o novo status, a expectativa é de que a importância do agronegócio se torne ainda maior.

“Acabamos de assinar um convênio com a União Europeia, onde estão 500 milhões de consumidores, mas que vão exigir a mesma qualidade e as mesmas condições de sanidade que eles têm. E nós estamos preparados, na frente dos outros Estados, para que possamos dar condição ao nosso produtor, à nossa indústria, aos nossos exportadores, para disputarmos esse novo mercado”, disse.

Por fim, Meneguette enalteceu a atuação do produtor rural, que teve participação determinante em todas as etapas da estruturação sanitária do Paraná, há mais de 40 anos. O presidente da FAEP também destacou a demonstração de civismo que os 2 mil produtores de todas as regiões do Estado tiveram, ao se deslocar por centenas de quilômetros para acompanhar a audiência pública em Curitiba.

“O governo não administra só prioridades. Administra pressão. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance”, ressaltou. “Quem carrega esse Estado somos nós, produtores rurais, trabalhadores rurais, que fazemos dia a dia o nosso dever para gerar riquezas. Eu tenho certeza de que a sociedade reconhece que precisamos continuar trabalhando para o desenvolvimento do Paraná”, definiu.

José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar enfatizou a união do agronegócio, que especialmente no Paraná possui uma capacidade de agregar as mais diversas cadeias em prol de um objetivo comum. “Eu e o Ágide [Meneguette] levamos este assunto ao G7 [grupo que reúne as sete principais federações do Estado]. Todas as sete entidades assinaram um documento, que foi levado ao governador, apoiando esta medida. Não tenham dúvida de que estamos seguros. Ágide, queria agradecer a sua atuação. Acho que você puxou a frente. Só a FAEP, investiu mais de R$ 40 milhões, no que fosse necessário”, revelou.

Marcos Bambrilla, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), confirmou que assim como Ocepar e FAEP, para a entidade por ele representada esse é o momento de avançar. “Nosso segmento, da agricultura familiar, precisa desse novo status sanitário. O Paraná precisa se tornar livre de febre aftosa sem vacinação e com desenvolvimento. Hoje, temos a segurança de dizer que há décadas fazemos um trabalho sério, bem referendado, muito bem conduzido. Temos uma estrutura pronta para agir, com mecanismos eficientes, e o momento hoje requer a retirada da vacinação”, ratificou.

“Sem sanidade, terra não vale nada”

Elias Zydek, diretor da cooperativa Frimesa, enfatizou que o campo faz parte de um negócio globalizado, contexto que o Paraná pode aproveitar para vender seus produtos agrícolas e pecuários, principalmente as carnes, a outros países. “Nós devemos seguir as regras internacionais, que são cheias de nuances. São questões ambientais, de não ter passivos trabalhistas, seguir regras de bem-estar animal, da emissão de carbono, a questão dos contaminantes. Mas o mais importante entre todos os aspectos, e talvez o mais difícil, é a sanidade”, elegeu.

O dirigente refletiu sobre o bem mais precioso que qualquer produtor pode ter, a terra. O Paraná possui algumas das propriedades mais valiosas do mundo, mas para Zydek, esse valor só faz sentido se vier junto com um sistema sanitário capaz de dar garantia aos compradores internacionais. “Estamos juntos com centenas de produtores rurais, que tem suas propriedades, fizeram seus investimentos. Sabe quanto valem essas propriedades? Eu diria que não valem nada se não tivermos sanidade. É por isso que temos que andar nessa caminhada, juntos, para conquistar o maior bem de todos que é a sanidade. O mundo é uma grande competição e não adianta nós querermos estabelecer as regras. Temos que seguir as regras que estão colocadas se dele quisermos participar”, pontuou.

Elias Zydek refletiu ainda sobre o fato de os mercados mais nobres, como o Japão, pagam até 700 dólares a mais do que o Paraná recebe a cada tonelada de carne suína. “A diferença no acesso a esses mercados significa viabilidade aos negócios. Estamos vendo o cavalo encilhado passando, quanto tempo mais temos que ficar assistindo? Temos que fazer nosso dever de casa e é o que nós estamos fazendo aqui hoje”, enfatizou.

Zydek convocou a todos para participar da vigilância constante, feita no dia a dia em todos os elos da cadeia produtiva. Mas aproveitou para convocar o Estado a cumprir o seu papel. “Proteger o Paraná é dever de todos, mas cabe ao Estado gerenciar isso. Todas as entidades lideraram um processo e criamos um fundo para reformar guaritas e construir essa que faltava na divisa com São Paulo. Mas contratar fiscais é uma obrigação do Estado. Precisamos de duas coisas. Terminar com a vacinação, que já está a caminho, e que o Estado contrate as pessoas que ainda faltam para garantir aos nossos clientes compradores que aqui a sanidade está garantida”, solicitou.

Auditorias do Mapa

Ao longo de 2018, o Mapa realizou auditorias necessárias para que seja encaminhado o pedido de reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O resultado das duas auditorias foi excelente. O serviço de defesa agropecuária do Paraná foi o mais bem avaliado do Brasil, melhor até do que Santa Catarina, único Estado brasileiro reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação. O Paraná superou a pontuação da auditoria do Mapa em 48% dos quesitos e alcançou a pontuação necessária em 35%.

Nesses 16% dos itens analisados que ficaram abaixo da pontuação, foi gerado um plano de ação com nove itens, dos quais sete foram implantados pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e outros dois precisavam ser providenciados: contratação de fiscais para garantir o funcionamento pleno das barreiras sanitárias; e a construção do posto de fiscalização sanitária em Campina Grande do Sul.

No caso do posto de fiscalização, a iniciativa privada, em uma organização que teve a participação de entidades como a FAEP e o Sistema Ocepar. Orçada em R$ 1,5 milhão, a obra começou em 5 de agosto, com término previsto para o fim de novembro. Faltava ainda a oficialização do concurso público, o que foi anunciado pelo secretário Norberto Ortigara durante a Audiência Pública na Alep, em Curitiba, no último dia 28 de agosto.

Exemplo de civilidade

A Audiência Pública do dia 28, com o tema Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, entrou para a história da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A Casa recebeu mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas de todas as regiões do Estado que viajaram a Curitiba em mais de 30 caravanas. E todos, de uma forma ou de outra, participaram do evento, seja no Plenário, Plenarinho ou em espaços adaptados com telões para que pudessem acompanhar os discursos e os debates. A mobilização histórica do campo também se consolidou como um exemplo de civilidade democrática, desde a forma de ingresso nos recintos, a postura ao longo da Audiência Pública até a saída, sempre de forma organizada e exemplar.

“Eu queria agradecer a todos os produtores que pegaram ‘busão’ e vieram aqui. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance. Estão todos de parabéns”, disse Meneguette.

Sem circulação viral, sem vacinação

A audiência pública não contou só com manifestações políticas, mas trouxe também dados técnicos que comprovam que o Paraná está pronto para o reconhecimento como área livre de aftosa sem vacinação. O gerente de saúde animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, esmiuçou os detalhes do sistema sanitário do Estado, destacando a barreira que contará com 33 Postos de Fiscalização de Trânsito Animal (PFTAs) e a modernização de laboratórios públicos que podem diagnosticar a doença.

“A vacina foi fundamental para o controle da doença. Mas ela deve ser usada quando se tem circulação viral ou quando tem risco, quando algum vizinho tem registro da doença, por exemplo. Nós temos usado vacina no Brasil sem nenhum desses dois aspectos”, apontou. “Não é natural que você continue com a vacina por tanto tempo. É o que estamos fazendo neste momento”, observou.

Para além disso, Dias atesta que o Estado conta com um avalista poderoso, o Fundepec, que dispõe de recursos – quase R$ 78 milhões – para indenizar produtores, caso seja necessário sacrificar animais em situações emergenciais sanitárias. Apesar disso, o Paraná se encontra, hoje, no mesmo bloco que outras 23 unidades da federação que mantêm estrutura sanitária inferior. Com o novo status, o território paranaense formaria um bloco único com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina – este já reconhecido como área livre de aftosa sem vacinação.

“Hoje, se tiver um caso no Acre, o Paraná perde a condição de livre de aftosa com vacinação na hora, junto a todos os outros Estados”, disse.

Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar, complementou o papel importante que tem cumprido as parcerias entre iniciativa privada e poder público para obter sucesso na missão de manter o Paraná como um território sanitário robusto. “Seguindo as orientações da OIE, não faremos nada sem parceria público-privada. É um movimento muito evidente aqui no Estado. Estamos saindo buscar em termos de parceria, incluindo nossa estrutura no processo, colocando a importância de se fazer sempre o trabalho em conjunto”, contou.

Autoridades ratificam decisão de retirada da vacinação

O presidente da Alep, Ademar Traiano, classificou a audiência pública como “um marco histórico” para o Poder Legislativo e uma “conquista histórica para o Paraná”. Entre os pontos dignos de comemoração, o deputado destacou o aspecto econômico, já que o reconhecimento internacional daria acesso a mercados externos mais sofisticados, que remuneram mais pelos produtos agropecuários. Além disso, o parlamentar apontou as décadas em que o Paraná vem se dedicando a estruturar todo seu sistema de defesa agropecuária, de acordo com protocolos internacionais.

“A partir deste momento, o Paraná se torna livre, se torna independente, com um olhar do mercado internacional. Que o Paraná possa, enfim, desfraldar a bandeira de sua liberdade econômica e que nossos agropecuaristas possam ser reconhecidos pelos nossos governantes”, disse o presidente da Alep.

Deputado que propôs a realização da audiência pública, Anibelli Neto relembrou a importância de debates recentes feitos sobre o tema, como a realização do Fórum Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, que passou por seis cidades do Paraná. “A maioria das dívidas foi dirimidas ali”, resumiu. Com todas as providências tomadas, o parlamentar considera que agora é hora de o Estado “estufar o peito e ter orgulho de ser agropecuarista”.

“Este ato [a conquista do novo status], representa muito mais para a economia do Paraná do que trazer 20, 30 ou 40 empresas com isenção de ICMS. Estamos prestigiando a vocação e o povo do Paraná”, afirmou. “Representa muito na minha biografia participar deste momento, ao lado de pessoas de bem, que querem um Paraná de bem, construindo seu futuro”, ressaltou o parlamentar, que também é presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Alep.

Guto Silva, chefe da Casa Civil do Paraná, ratificou o compromisso do governo com os produtores rurais de caminhar em direção a obtenção do status de livre de febre aftosa sem vacinação. “Vivemos um dia histórico. O governador fez uma escolha, não ache que não há pressão contra. Mas governar é tomar decisões e o Paraná que queremos é um Estado para todos. Não poderíamos perder essa oportunidade de avançar”, enfatizou.

Silva enumerou que a conquista vai significar melhor preço e ganhos para toda a cadeia do agronegócio, com mais emprego e renda para todos os paranaenses. “Quantos milhões de novos empregos serão gerados, qual a receita que vai entrar no bolso do produtor a partir dessa certificação? Em nome de todos, trago aqui a mensagem do governador, de que temos feito nosso papel, cortando secretarias, reduzindo custos, revisando contratos e olho firme nas contas públicas”, priorizou.

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PR perto de atender últimas exigências sanitárias da OIE

O Paraná está perto de consolidar sua estrutura sanitária, abrindo caminho para que seja reconhecido internacionalmente como área livre de febre aftosa sem vacinação. Os dois últimos requisitos estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão em vias de serem cumpridos: a construção do último Posto de Fiscalização de Transporte Agropecuário (PFTA) e a contratação de mais médicos veterinários e técnicos agrícolas, para reforçar esta rede de controle. Com a coesão integral da fronteira, o Estado terá condições sanitárias de antecipar para 2021 a conquista do novo status, o que abriria novos mercados internacionais para a pecuária paranaense.

O último PFTA fica na rodovia BR-116, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Orçada em R$ 1,3 milhão, a obra começou em 5 de agosto, com término previsto para o fim de novembro. A unidade irá se somar a outros 32 postos estaduais e a cinco federais que já estão em operação e que compõem a rede que fiscaliza todos os caminhões que transportam animais e produtos pecuários que queiram entrar no Paraná e/ou cruzar o Estado.

“O sistema sanitário do Paraná já é reconhecido pelo próprio Ministério da Agricultura como o melhor do país. Faltavam esses dois pontos, que estão sendo resolvidos. Com isso, damos mais um passo importante em direção à conquista do reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação. Será a confirmação da excelência que temos em sanidade e defesa animal”, ressalta o presidente da FAEP, Ágide Meneguette.

Paralelamente à obra, o governo do Paraná dará andamento ao processo de contratação de mais 30 médicos veterinários e 50 técnicos agrícolas, que vão reforçar a rede de controle sanitário do Paraná. Segundo o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, o governador Carlos Massa Junior já autorizou a abertura de um concurso público, que deve ocorrer em curto prazo. O secretário acrescentou que até os recursos financeiros para as contratações já estão previstos.

“Politicamente, [a contratação] já foi decidida, com a autorização do governador e com previsões orçamentária e financeira”, afirma Ortigara. “São as últimas providências para que, em setembro próximo, o Mapa venha, finalmente, reconhecer o esforço paranaense e declarar o Paraná livre dessa enfermidade para sempre”, completa.

Segurança

O fortalecimento da fronteira sanitária do Paraná tem um motivo prático. Em novembro, o Mapa deve oficializar a autorização para que a vacinação contra a febre aftosa seja suspensa em todo o Estado. Com isso, automaticamente, fica proibida a entrada de animais vacinados no território paranaense – exceto os que serão encaminhados para abate imediato. Ou seja, os 38 PFTAs precisam funcionar como uma barreira, mesmo.

Nesses postos, todos os caminhões que transportem animais ou subprodutos de origem animal devem ser abordados e vistoriados, com a verificação do registro das cargas. Nos postos estaduias, esse controle é feito pela Agência de DeBarreira sanitária Veja onde fica cada um dos 33 Postos de Fiscalização de Trânsito Agropecuário (PFTAs) estaduais e os cinco postos federais fesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Mas a entidade não está sozinha. As polícias rodoviárias Federal (PRF) e Estadual (PRE) estão autorizadas a parar veículos que transportem cargas animais em todas as estradas do Paraná, cobrando que os motoristas comprovem que passaram por um dos postos de fiscalização.

“O Paraná está extremamente preparado, com as barreiras 100% fechadas. Não temos nem teremos problemas para garantir que animais vacinados não entrem em nosso Estado”, diz diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins. “Vamos ter também 17 postos que irão funcionar como um corredor, para caminhões que levam animais vacinados para outros Estados, do Rio Grande do Sul para São Paulo, por exemplo”, acrescentou.

Iniciativa privada

Além da atuação de órgãos públicos e do governo estadual, o processo de conquista do reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação conta com a participação decisiva da iniciativa privada. Ao longo das últimas décadas, produtores rurais – por meio de cooperativas, sindicatos e entidades do setor – investiram dinheiro do bolso na infraestrutura da rede de sanidade do Estado. E não foi pouco dinheiro.

De 1997 para cá, o Sistema FAEP/SENAR-PR aportou mais de R$ 40 milhões no desenvolvimento sanitário do Paraná – em ações de treinamento, divulgação de programas e boas práticas, capacitação de técnicos e produtores, viagens técnicas e acompanhamento de organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e Comissão Sul-Americana para a Luta Contra a Febre Aftosa (Cosalfa).

A iniciativa privada também investiu em infraestrutura, destinando recursos a estruturas públicas. No caso mais recente, por exemplo, estava prevista a aplicação de R$ 4,2 milhões para atender aos requisitos apontados pelo Mapa. Três dos postos de fiscalização – incluindo o de Campina Grande do Sul – foram construídos e/ou reformados com recursos provenientes de cooperativas rurais. Outros dois PFTAs tiveram as obras custeadas pela concessionária de rodovias Viapar. Além disso, o setor privado comprou equipamentos para salas de monitoramento e para 56 postos da PRE, bancou câmeras de monitoramento e sistema de rastreamento veicular.

“Sozinho, o governo não conseguiria fazer todos os investimentos. O setor privado fez esse aporte por entender o retorno positivo que isso trará a toda a economia do Estado. É uma ação forte e assertiva que irá beneficiar não só o agronegócio, mas todos os setores. Só com esse trabalho conjunto é que vamos conseguir a antecipação da conquista do status”, aponta o superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti.

Esses recursos investidos pelo setor privado nos novos postos de fiscalização e compras de equipamentos foram destinados a partir do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Paraná (Fundepec). Criado em 1995, o fundo é uma sociedade civil sem fins lucrativos, formado por entidades representativas, como FAEP, Ocepar e sindicatos de produtores de diversas cadeias. A partir de convênios, o Fundepec vem garantindo apoio institucional e financeiro para uma série de ações, principalmente relacionados à defesa sanitária. Por tudo isso, o fundo foi peça-chave na consolidação do agronegócio do Paraná. Além disso, o Fundepec dispõe, hoje, de R$ 78 milhões em caixa, para eventuais emergências sanitárias. “O reconhecimento internacional do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação é resultado de uma estruturação sanitária que vem sendo consolidada há décadas. A iniciativa privada sempre teve participação neste processo e o Fundepec é uma peça fundamental, que permite o apoio a ações efetivas que trazem o Estado ao patamar em que, hoje, nos encontramos. Esse salto só foi possível a partir da criação do fundo”, definiu o diretor-executivo do Fundepec, Ronei Volpi.

Mobilização em série

Paralelamente, a cadeia produtiva e o poder público também mantêm uma preparação do ponto de vista técnico, com uma série de ações com vistas a se preparar para a conquista do novo status. Entre 12 e 16 de agosto, por exemplo, o Estado recebeu um exercício conjunto de simulação de contenção de um foco de febre aftosa. Promovido pela Adapar e pelo Mapa, o evento funcionou como um treinamento prático, de como proceder em caso de eventual confirmação da doença em território paranaense.

Além disso, neste ano o governo do Paraná, com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, promoveu o Fórum Regional Paraná Livre de Aftosa, que passou por seis cidades, reunindo pecuaristas, técnicos e agentes públicos e elucidando dúvidas quanto ao reconhecimento internacional. Mais de 4,5 mil pessoas participaram dos debates em todo o Estado.

Ainda, em 28 de agosto, ocorrerá mais uma etapa deste compartilhamento de informações, com uma audiência pública, que será realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba. A expectativa é que mais de 1,2 mil produtores, de diversas regiões do Estado, lotem as galerias da sede do Legislativo paranaense.

FAEP teve papel fundamental no processo

O caminho para que o Paraná se tornasse o Estado com o sistema sanitário mais robusto do país foi longo. A estruturação do sistema de defesa remonta à década de 1970, quando foi criado o Grupo Executivo de Combate à Febre Aftosa (Gecofa). A partir daí, começou a luta de forma sistemática de profilaxia e controle de doença. Nos anos 1980, houve um novo avanço, com a melhoria da qualidade da vacina e na caracterização epidemiológica da doença. A vacinação só passaria a ser obrigatória em 1990.

Paralelamente à fundação e ao posterior fortalecimento contínuo do Fundepec, a FAEP atuou, ainda na década de 1990, para a criação de outras estruturas que foram decisivas à consolidação do sistema de defesa do Paraná. Nesta esteira, como exemplo, estão a instituição do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) e o fomento para a criação de Conselhos Sanitários Agropecuários (CSAs). Essas unidades regionais integram agentes da cadeia produtiva a entes públicos, para o desenvolvimento de políticas públicas sanitárias, de acordo com as demandas específicas da microrregião.

Com essa sólida estruturação, FAEP, Ocepar e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) passaram a ser avalistas do sistema sanitário paranaense. Então, os produtores começaram a recolher uma contribuição (R$ 1 por cabeça) para o Fundepec. Esse dinheiro seria usado para ressarcir criadores que tivessem que sacrificar animais em decorrência de eventuais casos de aftosa. Por um lado, essa medida incisiva prevenia prejuízos aos pecuaristas. Por outro, abria caminho para erradicar a subnotificação.

“Tudo isso nos deu a robustez necessária para chegarmos ao estágio em que nos encontramos e para sermos reconhecidos internacionalmente como área livre de aftosa sem vacinação. Nosso sistema sanitário é modelo”, resume o diretor-executivo do Fundepec, Ronei Volpi.

Próximos passos

Com a oficialização da suspensão da vacinação contra a aftosa, o Paraná passa a aguardar as etapas seguintes do calendário. Em maio de 2020, terá se completado um ano da última aplicação de vacina no Estado. Com isso, o Mapa fará um inquérito sorológico para constatar que não há circulação viral em território paranaense.

Com essa confirmação laboratorial, a expectativa é de que em setembro de 2020 o Mapa possa solicitar à OIE o reconhecimento internacional do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação. Se os parâmetros técnicos permanecerem de acordo com as exigências, a conquista do novo status será, enfim, oficializada em assembleia-geral da OIE, em maio de 2021.

“O reconhecimento internacional irá representar a coroação de um trabalho sério, desenvolvido há décadas, a partir da conjunção de esforços dos produtores e setores privado e público. Será uma conquista histórica para o nosso Estado”, definiu Meneguette.

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Por meio do SENAR-PR, ex-boia-fria vira empreendedora

Maria José Rodrigues viu a própria vida se transformar drasticamente nos últimos anos. Habitante do distrito de Santa Elisa, no município de Umuarama, região Noroeste do Paraná, ela trabalhava como boia-fria até meados de 2004, nas culturas de café e algodão. A rotina era árdua e a renda, apertada.

Apesar das dificuldades, a então boia-fria permanecia firme no trabalho. Em 2004, por curiosidade, aceitou o convite do sindicato rural e participou do seu primeiro curso do SENAR-PR, sobre fabricação de conservas. Maria José, que nunca havia pensado em entrar para o ramo da culinária, descobriu ali sua vocação.

O primeiro pote de doce feito durante o curso foi vendido a R$ 5 e, com esse pequeno lucro, Maria começou a investir no que se tornaria seu próprio negócio. “Com os R$ 5, comprei um saco de açúcar e comecei a fabricar as conservas. Antes não sabia fazer nada. Com o curso, comecei a gostar do trabalho e descobri minha área”, conta.

Além deste, Maria José fez diversos outros cursos do SENAR-PR – tantos foram que ela tem dificuldades em dizer a quantidade exata. “Com certeza foram mais de 10”, aponta. Além de capacitações na área de panificação e administração, ela participou de programas como o Mulher Atual e o Empreendedor Rural (PER).

Assim que os clientes começaram a aparecer, Maria José decidiu parar de trabalhar como boia-fria para se dedicar integralmente à culinária. Conforme fazia os cursos, aprimorava o cardápio. “Tive que parar para dar conta da demanda de pedidos. Foi uma mudança bem diferente, de trabalhar na roça a ser empreendedora. No começo dá medo, mas aí pensei ‘Eu vou tentar, quero ser dona do meu próprio negócio e vou investir nisso’. Os cursos do SENAR-PR ajudam muito, aí não tive mais medo”, afirma. Atualmente, Maria José vende pães, roscas, pizzas, lanches, pastéis e outros quitutes caseiros, além dos doces em conserva.

O negócio deu tão certo que a ex-boia-fria, hoje com 42 anos, já atende pessoas de outros municípios, além da clientela fixa de Santa Elisa e Umuarama. “Praticamente todos da cidade compram”, revela Maria José, que comprou carro e casa própria e também investiu em uma cozinha para a atividade. O próximo passo é montar uma mini-fábrica para otimizar a produção e vender nos supermercados.

“Agora eu trabalho por conta e faço meus horários. Tenho uma qualidade de vida muito melhor. O SENAR-PR muda a vida das pessoas, tem que saber aproveitar as oportunidades”, destaca a empreendedora, cujo negócio batizou de ‘Produtos da Bia’, apelido pelo qual é conhecida na região. “Eu não tinha ideia de nada, aprendi tudo com o SENAR-PR. Os professores são excelentes mesmo. Fui aprendendo como trabalhar com meu negócio, fazer a administração, questão de custos e ganhos. Fico feliz de ter conhecido o SENAR-PR porque transformou a minha vida”, orgulha-se.

Ainda, Maria José passou a mobilizar os moradores de Santa Elisa para a realização de capacitações no distrito. “Eu vejo quem está interessado e monto a turma, falo com o pessoal do sindicato rural [de Umuarama] e eles se organizam para trazer o curso”, explica a empreendedora, que também disponibiliza sua casa para as capacitações. “Enquanto o SENAR-PR existir, eu vou ajudar assim como ele me ajudou”, finaliza.

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SENAR-PR dá início à triagem de trabalhos do Agrinho 2019

O SENAR-PR, responsável pelo Programa Agrinho, recebeu mais de 6 mil projetos para a edição deste ano, sendo 5,5 mil da rede pública e 443 da rede particular. Na categoria Agrinho Solos, participam 110 trabalhos.

O material, que passou por uma triagem prévia pelos Correios para divisão em categorias, está na sede do Sistema FAEP/SENAR-PR, em Curitiba. Os desenhos, redações e outros materiais serão avaliados por seis profissionais da instituição para verificação das normas do concurso e divisão por região do Estado. Os principais critérios conferidos são a data de postagem, assinatura e carimbo da direção da escola e se não foi enviado mais de um trabalho pela mesma turma. O prazo máximo para envio terminou no dia 7 de agosto.

“Finalizada a triagem, nós damos baixa no sistema, em que o professor pode verificar se o trabalho foi aceito ou desclassificado. Caso ocorra a desclassificação, relatamos o motivo”, explica a pedagoga do SENAR-PR Josimeri Grein, uma das responsáveis pelo Agrinho.

Em seguida ocorrem as bancas de avaliação, marcadas para os meses de setembro e outubro. Participam do processo representantes de setores relacionados à educação e a órgãos públicos e privados relacionados à agricultura. Entre as instituições participantes das bancas avaliadoras do Agrinho 2019, estão a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), Secretaria de Estado da Educação (Seed), Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Secretaria de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos (Sejuf), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Tribunal de Justiça, Tribunal Regional do Trabalho, Sanepar, e outros.

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Ex-aluno passa ao posto de instrutor do JAA

O jovem Dionei Silva Dapont nasceu e cresceu no campo. Ainda criança, Dapont desenvolveu o gosto pelas atividades agropecuárias na Fazenda Castelli, no pequeno município de Mamborê, na região Centro Oriental do Paraná. Ali, descobriu sua primeira vocação. “Meu sonho era ser médico veterinário. Eu sempre gostei muito de conviver com os animais”, revela.

Conforme crescia, apesar do contato diário com o meio rural, Dapont não sabia o que esperar do seu futuro profissional. Até que em 2012, o jovem, que ainda não conhecia o trabalho do SENAR-PR, descobriu o Programa Jovem Agricultor Aprendiz (JAA) por convite do colégio em que estudava.

“Fiquei com interesse no curso, mas não consegui entrar porque a turma lotou. Eu pedi, então, para o instrutor se poderia voltar no outro dia para tentar entrar na turma. Então, o instrutor ligou para o supervisor e pediu se eu poderia entrar. Ele autorizou”, lembra o ex-aluno do JAA. Durante o programa, além da confirmação para cursar medicina veterinária, Dapont afirma ter descoberto uma nova realidade. “Eu gostava da vida na fazenda, mas não sabia de nada, era meio perdido soDESAFIO bre o que queria fazer. Depois que eu comecei o JAA, mudei minha vida. Comecei a ter mais noção e colocar a mão na massa”, relata.

Em 2013, Dapont foi convidado para aplicar uma das provas da gincana do JAA, atividade realizada entre as turmas sobre os conteúdos vistos durante os encontros. O jovem, então, se aprofundou ainda mais no programa do SENAR-PR, dessa vez sob outra perspectiva. Ali, entre conversas com o supervisor e a coordenadora do programa, começava o despertar de outra vocação.

Em 2018, com o diploma de medicina veterinária em mãos, veio o convite para tornar-se instrutor do programa JAA. O ex-aluno, que até então nunca havia cogitado a ideia de exercer qualquer tipo de docência, decidiu encarar o desafio.

“De certa forma foi uma surpresa porque, em 2014, quando comecei a faculdade, eu nunca imaginei que iria dar aula. Eu sempre gostei de pecuária de leite e pensava em trabalhar na propriedade. Agora vou trabalhar com isso como instrutor e passar meu conhecimento para frente”, orgulha-se Dapont, primeiro da família a concluir um curso superior.

Ainda, segundo ele, pretende utilizar o conhecimento proporcionado pelo SENAR-PR para seu crescimento profissional e pessoal. “Espero conhecer muitas pessoas no decorrer dessa trajetória. Essa amizade, essa troca, com certeza irá agregar muito à minha carreira, como já acontece desde a época do JAA”, declara. “Com a ajuda dos amigos e do SENAR-PR, tem tudo para dar certo”, finaliza.

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Algodão volta às lavouras do PR com bons resultados a produtores

No último verão, o produtor rural e engenheiro agrônomo Edson Hirata, de Rolândia, na região Norte do Paraná, enfrentou o assédio de diversas pessoas que procuravam sua lavoura para tirar fotos. O motivo: a bela paisagem repleta de plumas de algodão criava um cenário incomum que chamava a atenção de quem passava pelo local, sendo que muitos nunca haviam visto uma lavoura igual aquela.

Hirata faz parte de um time de produtores, que decidiu apostar em uma cultura que estava em declínio no Estado nas últimas décadas, mas que guarda grande potencial de ganhos. Desde 2015, a Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar) realiza um projeto, com apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e colaboração de diversas entidades estaduais como o Instituto de Agronomia do Paraná (Iapar), Embrapa, cooperativas e empresas, para reinserir a cultura no agronegócio paranaense.

A estratégia é interessante, uma vez que o algodão já teve grande importância na economia do Estado. Segundo dados da Acopar, há 20 anos, o Paraná respondia por metade da produção brasileira (leia mais no quadro da página 16), mas questões climáticas e comerciais, somadas à incidência de uma praga de difícil controle, o bicudo, jogaram os cotonicultores paranaenses na lona.

Hoje, o cenário é diferente, de modo que a cultura pode ressurgir em um novo contexto técnico e tecnológico, mais propício para o sucesso. “Acompanho [essa retomada da cultura do algodão] há três anos este esforço épico de buscar novos materiais. Os cerca de 700 hectares cultivados este ano demonstraram bons desempenho, produtividade e qualidade de fibra”, observa o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, que acredita na possibilidade do algodão vingar como cultura. “Mas ainda não dá para afirmar que será este o modelo. Ainda não atingimos o padrão de produtividade que gostaríamos de ter”, observa.

No caso do produtor de Rolândia, o resultado alcançado já na primeira safra (2017/18) foi positivo, 291 arrobas por hectare. A produção, por intermédio da Acopar, comercializada junto a uma indústria de beneficiamento no Estado de São Paulo. Na época, Hirata vendeu o algodão com caroço por R$ 34,50 a arroba. “Constatei que a rentabilidade é boa mesmo. O resultado final deu duas vezes mais que a soja”, ressalta.

Engenheiro agrônomo, Hirata utiliza o algodão na rotação de cultura da sua propriedade. Em uma área de 24 hectares, ele destina um terço para o algodão e dois terços para a oleaginosa. Na safra seguinte, alterna a área que destinou ao algodão. “Estava procurando uma opção de cultura para rotação no verão que não fosse o milho. O algodão é uma boa opção porque quebra o ciclo de pragas e doenças”, observa.

Embora o lucro seja maior, a implementação da cultura também é mais cara que a soja. Na avaliação de Hirata, o custo da fibra foi o dobro da oleaginosa. “O adubo e as sementes são as partes mais caras”, avalia. O custo para implementação de algodão, segundo o produtor, ficou em R$ 5,1 mil por hectare. Para efeito de comparação, o produtor gastou R$ 3 mil por hectare de soja no mesmo período.

O produtor rural e engenheiro agrônomo Edson Hirata, de Rolândia, na região Norte do Paraná, tem apostado no cultivo de algodão no seu sistema produtivo

Nova era da fibra

Uma das etapas mais onerosas da produção algodoeira também passou a ser otimizada. A colheita, manual no passado, hoje é mecanizada. Desta forma, é importante observar a declividade da área onde se pretende cultivar o algodão. “Não pode ser muito ‘dobrada’ senão a máquina não entra”, aconselha o produtor de Rolândia.

A tecnologia utilizada no manejo da fibra também está consolidada. Ela envolve o uso de reguladores do crescimento das plantas para que fiquem na altura certa para a colheita mecanizada. “Tem que ir monitorando. A cultura do algodão é mais técnica. O produtor precisa entrar mais vezes na lavoura, mas não é mais frágil”, pontua Hirata, que pretende continuar apostando no algodão na próxima temporada.

Na opinião do presidente da Acopar, Almir Montecelli, a lavoura de Hirata é um ponto fora da curva. “O Edson está próximo do teto, algo excepcional. É três vezes mais do que o resto do Brasil ganha com algodão”, afirma, referindo-se aos custos maiores de produção existentes em outros Estados, principalmente no que se refere a fertilizantes e fungicidas.

No caso do produtor Aristeu Sakamoto, presidente do Sindicato Rural de Cambará, na região do Norte Pioneiro, o plantio realizado na safra 2018/19 valeu a pena pela experiência obtida. “O rendimento foi insuficiente para cobrir os custos, por conta de alguns erros que a gente comete. O algodão é uma cultura bastante técnica e exigente. Mas os erros cometidos foram detectados e são facilmente contornáveis”, aponta o produtor, que pretende manter os mesmos 20 hectares de algodão na próxima safra.

No caso de Sakamoto, o custo ficou em mais de R$ 11 mil por hectare, com uma produção de cerca de 165 arrobas por hectare. “Eu planejava 400 arrobas por hectare”, diz.

O produtor de Cambará agregou à atual experiência os anos em que plantou algodão no passado, quando a cultura ocupava grande área no Estado. “Sou daqueles que nasceu num fardo de algodão. Tenho a certeza que a região é muito propícia. O diferencial de outras culturas, como soja e milho, e o algodão é o risco reduzido a uma lavoura. Se eu conseguir uma produtividade de 300 arrobas por hectare, com o preço que está nos últimos anos, é suficiente para suprir a rentabilidade das duas lavouras atuais, de soja e milho”, calcula, que aponta a necessidade de organizar melhor a questão do beneficiamento e comercialização da fibra no Paraná.

Segundo Montecelli, da Acopar, hoje a produção paranaense é toda entregue em São Paulo, uma vez que não há máquina beneficiadora no Paraná. “A intenção da Associação é fomentar. Mas se não surgir empresário interessado, é possível a Associação montar a primeira [máquina beneficiadora]”, adianta. Após ser descaroçado, o algodão segue para a fiação, enquanto o caroço pode ser usado in natura para alimentação do gado ou esmagado para produção de óleo.

Esta seria a etapa seguinte de um processo que começou há quatro anos, quando a Acopar levou mais informação sobre a cultura do algodão aos produtores paranaenses, por meio de dias de campo e outras iniciativas. A retomada da cultura no Estado também passou pela mudança no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). “Antes plantávamos entre 20 de setembro e 20 de outubro. Depois mudaram para novembro e dezembro. Agora mudaram novamente. Perdemos o medo de chuva na colheita e voltamos a plantar em outubro” conta Montecelli.

A área onde a fibra pode vingar no Paraná, segundo Montecelli, pode ser visualizada no mapa. “Se traçar uma linha reta entre Guaíra [no Oeste] e Cambará [Norte Pioneiro], dali para cima dá para plantar”, afirma.

De acordo com o dirigente, para abastecer a indústria paranaense de fios, seria necessário plantar 60 mil hectares de algodão. “É uma expectativa boa, mas nem pretendo chegar a tudo isso. Se atingirmos 20 mil hectares já está ótimo”, ressalta.

Seguro

Um dos entraves para que mais produtores apostem na volta do algodão no Paraná é a ausência de seguro rural para esta cultura. “Nesse momento temos que montar toda cadeia de novo. Os bancos estão começando a financiar. Estamos indo até os agentes financeiros para mostrar o negócio”, afirma Montecelli.

A ausência de seguro é o motivo pelo qual Hirata, de Rolândia, não amplia sua área destinada à fibra. “Meus vizinhos se interessaram, mas não investiram por conta desta questão”, pondera.

Ouro branco de um passado recente

Antes da soja, o algodão foi a grande locomotiva do agronegócio paranaense. Para se ter ideia, durante a safra 1991/92, o Paraná plantou 704 mil hectares da cultura, que produziram quase um milhão de toneladas da fibra com caroço. Com a colheita realizada praticamente toda de forma manual, a atividade ocupava 235 mil trabalhadores rurais.

Porém, sete anos depois, o Estado amargava a menor área até então, com 48,3 mil hectares e produção na casa das 100 mil toneladas. Com a cotonicultura em declínio, centenas de milhares de postos de trabalho foram abandonados, mudando de forma profunda a configuração socioeconômica do Estado.

Nos anos que se seguiram, com exceção de alguns episódios de aumento pontual de área e produção, capitaneado por incentivos do governo do Estado, a cultura do algodão encolheu até praticamente desaparecer, restando cerca de 1 mil hectares de área plantada a cada safra.

O parque industrial, que chegou a contar com uma centena de usinas de beneficiamento, foi desmontado. Hoje praticamente toda produção é destinada a São Paulo.

E o bicudo?

Um dos principais responsáveis pela derrocada da cultura do algodão no Paraná, o bicudo (Anthonomus grandis) é um besouro voraz que se instala nos capulhos do algodoeiro, ficando assim protegido da aplicação de inseticidas de contato. Ele suga a maçã da planta quando esta está sendo formada comprometendo a qualidade das fibras.

Nem mesmo um vazio sanitário de 20 anos foi suficiente para eliminar o principal inimigo do algodoeiro. O inseto voltou com força total nas lavouras encampadas por Edson Hirata, em Rolândia, e Aristeu Sakamoto, em Cambará.

Porém, a presença do bicudo não é mais tão nociva, uma vez que existem novas ferramentas de controle à disposição dos produtores, como observa o engenheiro agrônomo do Iapar, João Henrique Caviglione “O risco está vivo. O bicudo é um problema para o algodão. Mas como é uma cultura que a gente conhece, sabe como lidar, tem defensivos de ação melhor. Não elimina a praga, mas controla, evitando os prejuízos e danos causados antigamente”, avalia.

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