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José Marques - Folhapress

Imprensa questiona juiz por férias longas e por trabalhar durante elas, diz Moro

Duas semanas após questionar a competência de um juiz do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) que concedeu habeas corpus ao ex-presidente Lula, o juiz Sergio Moro disse nesta quarta-feira (25) que há precedentes para ter assinado o despacho mesmo durante suas férias.

Sem entrar em detalhes a respeito da decisão do dia 8, em que não cumpriu determinação do juiz que estava de plantão no tribunal, Rogério Favreto, Moro falou sobre o episódio em evento promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

“A imprensa vive questionando o juiz porque as férias são muito longas com alguma razão, aí quando o juiz trabalha, mas nas férias também critica”, disse, em meio a risos da plateia, em teatro na zona oeste da capital paulista. “Mas isso [decisão durante as férias] tem precedentes”, acrescentou.

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) intimou Moro, Favreto e João Pedro Gebran Neto, o relator da Lava Jato no TRF-4, a se explicarem sobre a guerra de decisões a respeito da soltura de Lula, que terminou com a determinação de manter o ex-presidente preso.  Questionado sobre a situação, Moro preferiu não se manifestar.

“Isso envolve processos que eu ainda conduzo, gerou uma representação no CNJ no qual eu apresentei a minha resposta e mesmo na decisão do dia eu apresentei as minhas razões”, disse o juiz.
“Podem me acusar de muita coisa, mas sempre agi com absoluta transparência em minhas decisões e sempre coloquei as minhas razões. Infelizmente por questões relacionadas ao meu trabalho eu não tenho a possibilidade completa de debater isso numa entrevista.”

Participaram do evento, além de Moro, o advogado criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira e o promotor do MPSP (Ministério Público de São Paulo) Marcelo Mendroni.  Eles discutiram temas como execução de prisão após condenação em segunda instância e combate à corrupção.

Após Mariz ter defendido uma “solução intermediária”, como prisão após decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Moro discordou. Segundo ele, o tribunal tem problemas similares ao STF (Supremo Tribunal Federal), como o excesso de processos para julgar, que leva ao atraso em decisões e à prescrição de casos.

Temer diz que pesquisa que mostrou baixa popularidade ‘não é verdadeira’

O presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira (18) que a última pesquisa Datafolha, que o apontou como o presidente mais impopular desde a redemocratização do país, “não é verdadeira”.

Temer foi questionado sobre o levantamento e sobre como retomar a pauta do governo diante da baixa popularidade, em entrevista após a cúpula de presidentes do Mercosul, na região metropolitana de Assunção, no Paraguai. Indagado pelos repórteres sobre os motivos de não considerar a pesquisa verdadeira, ele não comentou. “Em primeiro lugar, a pesquisa não é verdadeira”, disse Temer, sem citar nominalmente o Datafolha e relacionando projetos recentes do Executivo que passaram pelas casas do Congresso.

“Nestes últimos tempos, estou falando de três semanas para cá, em conversas que tive com o presidente [do Senado] Eunício Oliveira, nós aprovamos seis ou sete medidas provisórias numa única noite. Ademais disso, naquela noite aprovou-se a urgência para chamada reoneração, que foi votada no dia seguinte no Senado Federal”, afirmou.

“Na Câmara, em face conversas que tive com o presidente Rodrigo Maia [DEM-RJ], aprovou-se cadastro positivo, duplicata eletrônica. Agora para esta semana já está ajustada a questão das distribuidoras.”

Como relatado pela Folha de S.Paulo, a quase seis meses da passagem da faixa presidencial, o Palácio do Planalto desistiu de propostas antes prioritárias, não consegue evitar que medidas provisórias caduquem, passou a ser menos frequentado por aliados e corre o risco de perder funcionários comissionados.

Nesta segunda, Temer viajou ao Paraguai pela manhã e chega a Brasília nesta tarde. Ele irá, nesta terça (19), a Roraima, para verificar a situação dos refugiados da Venezuela.

Apesar de não ter falado sobre a pesquisa, ele comentou sobre a Copa do Mundo e o empate da seleção brasileira com a Suíça, por 1 a 1. “O Brasil está no jogo. Não vamos nos impressionar. Um a um. Brasil no jogo. Até o final.”

O presidente ainda falou sobre o parecer encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), contrário ao tabelamento de preços mínimos no frete rodoviário e afirmando que há um resultado semelhante ao de um cartel. “Se o Supremo decidir de outra maneira, evidentemente vamos obedecer”, disse.

Busca por seguidor de Bolsonaro marca manhã em frente a prisão de Lula

Confusão com homem que pediu para foto com a deputada estadual Manuela D’Ávila (PC do B-RS) e gritou “Chupa, Bolsonaro 2018” marcou a manhã desta segunda (9) em frente à sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente Lula está preso. Manuela estava em um local restrito a policiais, jornalistas, parlamentares, moradores e pessoas que tenham algum procedimento marcado na sede da PF desde domingo (8).

Depois da confusão, o homem foi retirado pela Polícia Militar. Manuela disse que ele foi escoltado até o prédio da Polícia Federal e pediu providências. “Eu quero saber quem ele é”, disse Manuela, que entrou no prédio acompanhada do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Saíram sem encontrá-lo. A PM não conseguiu identificar o homem até o início da tarde.

Nas proximidades, há um acampamento dos apoiadores de Lula, que fazem vigília pela liberdade do ex-presidente. Segundo a polícia, são 500 pessoas. Durante a manhã, os militantes tocam músicas e fazem discurso no acampamento, na expectativa de que Lula ouça o barulho. Eles aguardam a chegada de ônibus com mais manifestantes e dizem que uma comitiva de governadores do Nordeste deve chegar em Curitiba nesta terça (10).

Em suas falas, além de defender Lula, criticaram o juiz Sergio Moro. “O Moro é pequeno. Nos jornais de todo mindo era Lula nos braços do povo”, disse Lindbergh.

Manuela pediu que os militantes não citassem o nome do juiz. “Ninguém se lembra o nome do juiz que prendeu o [Nelson] Mandela”, comparou. “Os seus algozes serão esquecidos.” Os deputados passaram a manhã defendendo que também haja mobilizações em outros estados e em Brasília.