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Embarques de milho somam US$ 1,34 bi em agosto, alta de 169,2%

Com uma safra recorde de cerca de 100 milhões de toneladas de milho, as exportações do cereal foram recorde em agosto deste ano e atingiram US$ 1,34 bilhão no período (+169,2%) e também em quantidade embarcada com 7,6 milhões de toneladas (+170,5%). O recorde anterior para os meses de agosto ocorreu em 2017, quando o país exportou 5,3 milhões de toneladas.

Os cinco principais países importadores de milho brasileiro, no mês,  foram Egito (894,3 mil toneladas), Irã (885 mil toneladas), Japão (831,7 mil toneladas), Espanha (798,1 mil toneladas) e Vietnã (633,6 mil toneladas).

O algodão foi outro produto com destaque nas exportações com incremento nas vendas de 51%, com US$ 66 milhões e embarques de 41 milhões de toneladas (71%).

Outro setor com ganho real foi o café (verde e solúvel) que registrou aumentou de 6,9% ou US$ 404 milhões e 187 mil toneladas vendidas no exterior (+30%).

No complexo sucroalcooleiro, o etanol teve desempenho favorável passando de US$ 117,35 milhões, em agosto de 2018, para US$ 161,75 milhões em agosto deste ano (+37,8%).

O complexo soja é o principal setor exportador do agronegócio brasileiro. No entanto, o desempenho nesse mês  caiu 38,7% em comparação ao registrado no mesmo mês do ano passado. A queda, segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), ocorreu principalmente por causa da diminuição das exportações do grão para China, em razão da febre suína africana que atinge o rebanho país asiático e, com isso, reduziu a demanda de soja.  Outro motivo foi a baixa do preço da commodity no mercado internacional (-10,1%).

No mês passado, a China reduziu as compras de soja brasileira para 4,1 milhões de toneladas, menos 2,8 milhões de toneladas em relação às 6,9 milhões de toneladas exportadas em agosto de 2018. “Deve-se ressaltar que a queda nas exportações de soja em grão à China foi idêntica à queda para o mundo”, diz nota da secretaria.

Resultado total do mês

As exportações do agronegócio foram de US$ 8,27 bilhões, em agosto deste ano, uma redução de 11% em comparação ao mesmo mês do ano passado. De acordo com a SCRI, essa queda foi resultado, principalmente, do recuo dos preços médios de exportação dos produtos do agronegócio brasileiro (-7,2%) e da queda da quantidade embarcada (-4,1%).

Mesmo com as reduções, a participação dos produtos do agronegócio aumentou no total das exportações brasileiras, chegando a 44,1%. “Tal efeito ocorreu em virtude da queda mais pronunciada nas exportações dos demais produtos que não são do agronegócio. Esses produtos tiveram redução de 14,5%, portanto, uma queda superior aos 11% das exportações do agronegócio brasileiro”, diz a nota.

crédito rural dois primeiros meses safra Antônio AraújoMapa

Crédito rural nos dois primeiros meses da safra totaliza R$ 39 bilhões

O valor das contratações das operações de crédito rural nos dois primeiros meses da safra 2019/2020 (julho e agosto) foi de R$ 38,9 bilhões. As operações de custeio somaram R$ 24,8 bilhões (+ 2%), investimento, R$ 7,2 bilhões (+14%), comercialização, R$ 4 bilhões (-41%) e as de industrialização somaram R$ 2,9 bilhões (+40%).

Os números fazem parte do Balanço de Financiamento Agropecuário Safra 2019/2020, divulgado nesta sexta-feira (6) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com base nos dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), do Banco Central.

O custeio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) alocou R$ 5,9 bilhões (+28%). Esse montante de recursos corresponde a 37.356 contratos (+15%).

Para o custeio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), foram financiados 148.367 contratos (-2%) equivalendo a R$ 4,4 bilhões (+16%).

As linhas de investimento tiveram performance bastante positiva, com o Pronamp alocando R$ 413 milhões (+71%), com 3.268 contratos (+38%) e o Pronaf com R$ 2,1 bilhões (+15%) e 160.083 contratos (-4%).

Dentre os programas de investimento, destaque para o Inovagro (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária), Programa ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) e Moderinfra (financiamento para o desenvolvimento da agropecuária irrigada sustentável), respectivamente com variação de +109%, +55% e +45% superior à safra passada.

Apesar de o crédito para a comercialização ter valor aplicado, nesta safra, inferior ao da safra passada, foram R$ 4 bilhões contra R$ 6,8 bilhões no período anterior, o número de contratos aumentou em 19%, somando 5.320 contratos, o que representa atendimento a um maior número de produtores rurais com valores de contrato mais baixos.

Em relação às fontes de recursos do crédito rural destacam-se a poupança rural controlada (R$ 14,7 bilhões; +38%), os programas de investimento com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social/BNDES (R$ 2,9 bilhões; +16%), as Letras de Crédito do Agronegócio/LCAs (R$ 4,5 bilhões; +31%) e a poupança rural livre (R$ 1,2 bilhão; +143%).

Mapa vai fiscalizar rastreabilidade de vegetais em sete centrais de abastecimento

Sete centrais de abastecimento de hortigranjeiros do país serão fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na próxima semana para verificação do cumprimento da rastreabilidade desses produtos pelos agricultores. A ação será realizada entre os dias 2 e 5 de setembro em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás.

Na prática, os fiscais do Ministério irão parar alguns caminhões na entrada das centrais para verificar os dados das notas fiscais e dos rótulos das caixas de mercadorias, que têm que estar em conformidade com a legislação.

Segundo o coordenador geral de Qualidade Vegetal do Mapa, Hugo Caruso, a fiscalização será feita em parceria com os serviços de vigilância sanitária dos estados e municípios que atuarão nos supermercados. “O objetivo da rastreabilidade é garantir a segurança alimentar ao consumidor. Não deverá implicar em aumento de preço dos alimentos, pois estudos demonstram que o produto rastreado fica até mais barato, pois o produtor evita o desperdício com uso excessivo de insumos. O custo para o agricultor será com as etiquetas e a rotulagem”.

Entre os produtos que serão fiscalizados que terão de estar identificados estão os cítricos, maçã, uva, batata, alface, repolho, tomate, pepino, cenoura, batata doce, beterraba, cebola, alho, couve, agrião, almeirão, brócolis, chicória, couve-flor, pimentão, abóbora e abobrinha, melão, morango, coco, goiaba, caqui, mamão, banana e manga.

Nos próximos meses, será feita nova fiscalização nas centrais com a coleta de amostras dos produtos que não tiverem a rastreabilidade, para a análise dos resíduos de agrotóxicos. Em caso de irregularidade os comerciantes serão responsabilizados. “A ideia é fazer com que os comerciantes exijam a rastreabilidade dos produtores”, explica Caruso.

As dez centrais de abastecimento do país respondem pela comercialização de 74% das frutas, legumes e verduras. A Ceagesp é a maior com 22% do total, equivalente a 7,5 milhões de toneladas por ano. Depois dela vem a do Rio de Janeiro, com 3,5 milhões de toneladas anuais, e a de Minas com 2,7 milhões de toneladas.

O coordenador informa que os produtores podem obter maiores informações com as superintendências do Ministério nos estados, sindicatos rurais e associações. No endereço eletrônico do Ministério também estão disponíveis perguntas e respostas sobre a rastreabilidade dos vegetais.

Ministério da Agricultura e CNA atualizam o Guia de Seguros Rurais

Guia de Seguros Rurais, publicação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi atualizada e o conteúdo digital já está disponível no site do Mapa. O objetivo principal da publicação é proporcionar conhecimento aos produtores e demais agentes de interesse do setor agropecuário sobre os produtos de seguros agropecuários disponíveis no mercado brasileiro.

O guia foi elaborado com a participação de entidades que representam o setor produtivo e das seguradoras que atuam no mercado. O documento teve sua primeira versão publicada em 2016 e, neste ano, passou por uma revisão e ampliação.

A nova versão traz novidades como a inclusão de informações mais detalhadas sobre o funcionamento dos produtos de seguro para florestas, café, frutas, hortícolas, bovinocultura e aquicultura. Há também informações sobre modalidades de seguro, tendo como novidade o seguro paramétrico, que foi aprovado este ano na Superintendência de Seguros Privados (Susep). Este seguro, também chamado de Índices Climáticos, é calculado com base no valor esperado pelo cliente a ser obtido com a produção. Trata-se de um produto que considera as oscilações dos parâmetros climáticos, como temperatura e precipitação.

Clique aqui para acessar a nova versão do Guia de Seguros Rurais

O guia também traz a lista completa das 14 companhias seguradoras credenciadas no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), informando regiões e atividades ofertadas de seguro rural. Além disso, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), estudo indicativo do calendário de plantio ou semeadura das culturas, indispensável para a contratação do seguro e, consequentemente, o recebimento da indenização, também ganhou capítulo próprio no guia.

“Os seguros rurais representam um importante mecanismo de proteção para que os produtores possam investir em suas atividades com segurança, mesmo se ocorrerem adversidades climáticas. Mas, para que possam ter acesso a uma proteção adequada, é importante que os agricultores conheçam as opções disponíveis no mercado, as coberturas oferecidas, os critérios de apuração dos prejuízos e indenizações, os riscos excluídos e os procedimentos que devem ser adotados quando ocorrerem sinistros”, observa o diretor de Gestão de Risco da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, Pedro Loyola.

Segundo a assessora técnica da Comissão de Política Agrícola da CNA, Fernanda Schwantes, o guia apresenta também exemplos de contratação de seguro agrícola e cálculos de indenização. “O guia tem um papel importante de disseminação da cultura de seguros rurais aos produtores, mas também serve aos corretores de seguro e gerentes de instituições financeiras e profissionais interessados em gestão de riscos”, finaliza.

Fertilizantes agora têm registro automático

Já está disponível no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro) uma funcionalidade  que permite o registro de deferimento automático de fertilizantes, corretivos e substratos para plantas, o que dará mais agilidade na interação da fiscalização federal com o setor produtivo. A nova ferramenta entrou em funcionamento na última sexta-feira (26).

“Com a automação do serviço, os auditores fiscais federais agropecuários da área passam a ter maior disponibilidade de tempo para realizar fiscalizações e coletas de produtos, verificando a qualidade dos fertilizantes produzidos”, explica o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart.

Apesar do deferimento passar a ser automático, todas as obrigações legais para o registro de produtos estão mantidas. Desta forma, cabe ao produtor e ao importador de fertilizantes, corretivos e substratos para plantas, que representam mais de 90% dos produtos registrados, o controle para que a composição, garantias e parâmetros propostos estejam em acordo com os regulamentos e padrões vigentes.

Os produtos inoculantes, biofertilizantes e remineralizadores não entram no registro de deferimento automático, pois possuem particularidades que, no momento, não puderam ser atendidas pela nova sistemática.

O Ministério fiscaliza estabelecimentos produtivos e produtos  por meio das superintendências federais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento nas unidades da Federação. Todos os estabelecimentos produtores, comerciantes, exportadores e importadores devem ser registrados no Mapa, assim como os produtos produzidos e importados.

Sementes de qualidade aumentam produção de soja em até 15%

A cada safra aumenta a busca por sementes vigorosas, com alto poder de germinação e com potencial genético de produzir soja de maior qualidade e mais resistente a pragas e doenças.

Para atender a essa demanda dos produtores, investimentos no beneficiamento de sementes vem crescendo. Pesquisas de campo realizadas por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revelaram que sementes de alta qualidade rendem ganhos em produtividade que variam de 10 a 15%.

“Nós conseguimos produtividade de aproximadamente 3,4 mil quilos por hectare. Uma semente de qualidade média rende em torno de três mil quilos por hectare. Ou seja, o produtor ganha 400 quilos por hectare. Quem não quer ganhar 400 quilos por hectare?”, ressaltou José França Neto, pesquisador da Embrapa Soja.

“Qual é o insumo que você investe e tem 10% a mais de produtividade? É muita lucratividade embutida nas sementes de alto vigor. Se for em campos experimentais, os ganhos podem chegar a 25%, 30%. Então, a gente só vê vantagens em começar a safra com semente de alta qualidade”, acredita França.

O pesquisador acrescenta que as plantas formadas por sementes de alto vigor têm desempenho agronômico diferenciado, pois demandam menos fertilizantes e defensivos agrícolas, e aproveitam melhor os recursos naturais, como luz, água, nutrientes do solo causando menos impacto ambiental.

“Uma população ideal de plantas é fundamental para estabelecer o alicerce de tudo o que vem em seguida na lavoura. Você vai estabelecer a lavoura com população adequada composta por plantas de alto desempenho agronômico, mais robustas, com um sistema radicular maior, mais profundo, parte aérea mais robusta que resultará numa produção maior de vagem e, consequentemente, mais produtiva”, explicou.

Cada hectare rende 3,2 mil kg de soja no Brasil

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), o Brasil produziu no ano passado mais de três milhões de toneladas de sementes de soja. Considerando que a estimativa da safra atual é de aumentar a área plantada de 35,8 milhões para 36,6 milhões de hectares de soja, o setor de produção de sementes espera crescer ainda mais.

 “A gente nota que os produtores têm uma preocupação muito grande em colocar no mercado produto de alta qualidade e isso é um diferencial de mercado pra eles. A tendência é que os sojicultores procurem esses produtores. Todos saem ganhando”, comentou.

O Brasil é o segundo produtor mundial de soja, atrás dos Estados Unidos. Em todo o mundo, foram produzidos mais de 362 milhões de toneladas de soja em área plantada de 125,6 milhões de hectares. Os norte-americanos produziram 123,6 milhões de toneladas do grão em 35,6 milhões de hectares, atingindo produtividade de 3,4 mil quilos por hectare, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

E no Brasil, a produção anual de soja, liderada pelo estado do Mato Grosso, alcançou 115 milhões de toneladas em área plantada de 35,8 milhões de hectares. A produtividade brasileira é de 3,2 mil quilos por hectare, segundo levantamento do mês de junho realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De todo o volume produzido no país no ano passado, 44 milhões de toneladas foram consumidos internamente e outros 83 milhões de toneladas foram exportados. Para a próxima safra, a previsão é que sejam plantados 36,6 milhões de hectares de soja.

Valor agregado

A tendência de produção de sementes de qualidade ganha força, principalmente no Centro Oeste, que apresenta altitude e clima favoráveis para o melhoramento de sementes, como tempo mais seco, por exemplo, que contribui para manter o nível adequado de umidade da semente.

Equipe do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento visitou a unidade considerada a maior no ramo de beneficiamento de sementes de soja da Boa Safra, empresa sediada em Formosa (Goiás) e que fornece insumos para mais de dez estados do país.

O maior estabelecimento da empresa fica no município de Cabeceiras, a 130 km de Brasília, e beneficia mais de 2,6 milhões de sacos por ano. A empresa tem cerca de 136 produtores cooperados, que produzem sementes de qualidade em área de 91 mil hectares.

As sementes são distribuídas para grandes produtores de soja de vários estados, como Mato Grosso, Bahia, Pará, São Paulo, Minas Gerais, além do sudoeste goiano, entre outros. O processo de beneficiamento de sementes é bem-sucedido no interior de Goiás devido à altitude e climas diferenciados.

“Estamos numa região propícia para a produção de sementes. A cada nove sementes plantadas no Brasil, uma vem dessa região”, disse Tiago Pimentel, engenheiro agrônomo da Boa Safra.

A empresa seleciona os campos de produção a partir de requisitos de segurança e manejo ambiental. Os campos são monitorados e fiscalizados por auditores do Ministério da Agricultura. Depois de autorização do órgão federal, as sementes são levadas para unidades de beneficiamento, onde os lotes são auditados novamente pelo Ministério antes da liberação para venda e distribuição.

Quando não há aproveitamento da semente, é feito o descarte ainda em campo. Na unidade, as sementes passam por todas etapas de beneficiamento e são mantidas em câmaras frias, abaixo de 15 graus e com 60% de umidade, para manter seu vigor e poder germinativo.

“A empresa vem investindo, no campo, em laboratório, em estrutura, junto com cooperados para obter o produto final, fomentando o agronegócio e entregando resultado ao agricultor”, comenta Pimentel.
O engenheiro agrônomo explica que os produtores de sementes recebem bonificação sobre o volume absoluto entregue à beneficiadora. Os produtores ainda são isentos do pagamento de frete e há economia com a estrutura de armazenagem.

“Para o produtor cooperado, é uma boa oportunidade para agregar mais valor ao produto, porque ele recebe bonificação no preço da soja. Para a empresa, o benefício é que ela vende insumos de alto padrão para os produtores, trabalha fomentando o agronegócio para que lá na ponta haja altas produções nas lavouras. É um novo ciclo na cadeia produtiva de soja”, analisa.

Fotos: Antônio Araújo/Mapa

Exportação de grãos deve crescer 40% na próxima década, aponta ministério

As projeções de exportação para os próximos dez anos apontam o embarque de 138 milhões de toneladas de grãos, com acréscimo de 39 milhões de toneladas em relação a 2019, o que corresponde a 40% de incremento.

Os dados fazem parte do estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2018/19 a 2028/29, produzido pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pela Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

O algodão em pluma é um dos destaques e deverá registrar aumento nas vendas externas em 43%, a soja em grão, 42%; e o milho, 33%. Entre os principais produtos exportados, o açúcar sai de 18 milhões de toneladas alcançando 24 milhões de toneladas, e o café, de 35 milhões de sacas para 41,2 milhões de sacas.

> Leia as projeções de produção para 2028/29

O estudo destaca que, em 2028/29, 35,5% da produção de soja devem ser destinados ao mercado interno, no caso do milho, 65,3%; e no café, 49,2%. “Haverá, assim uma dupla pressão sobre o aumento da produção nacional, devida ao crescimento do mercado interno e das exportações do país. As carnes deverão ter uma forte importância no crescimento”.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, 2019) projeta que, em 2028/29, o Brasil será o maior fornecedor mundial de soja (49%) e o segundo maior de farelo de soja (26,9%). No caso do milho, ficaremos na segunda posição, com 21,7%, atrás somente dos norte-americanos (35,8%).

 Frutas

A participação das frutas têm crescido no mercado interno quanto no internacional. No próximo decênio, terão alta os embarques de manga, maçã e uva, com incremento de 61%, 54% e 41%, respectivamente.

Em 2018, as exportações renderam US$ 980,6 milhões, o equivalente a 878 mil toneladas, incluindo nozes e castanhas. Mamão papaya (US$ 50 milhões), mangas (US$ 178,82 milhões) e melões (US$ 136 milhões) apresentaram, no ano passado, os melhores desempenhos em valor nas vendas externas.

No entanto, o Brasil exporta pouco do que produz. O país é o terceiro maior produtor mundial de frutas (fica atrás da China e Índia), porém exporta apenas 2,5% da produção, conforme dados do ministério e do setor de 2018.

“As exportações de mamão, maçã e uva, representam em torno de 3% da quantidade produzida. Os principais mercados para as frutas brasileiras são os Países Baixos, Estados Unidos, Reino Unido e Espanha”, diz o estudo.

Carnes

Já as vendas externas de carnes (bovina, frango e suína) saltarão de 7 milhões de toneladas para 9,3 milhões de toneladas ao final da década, com destaques para carne suína (+34%) e de frango (+33%). No período, as exportações dos três tipos devem crescer 3% ao ano.

“O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, 2019) classifica o Brasil em 2028 como primeiro exportador de carne bovina, sendo a Índia o segundo, seguida pela Austrália e Estados Unidos. Nas exportações de carne de porco, o Brasil é classificado em quarto lugar, atrás da União Europeia, Estados Unidos e Canadá. Em carne de frango, o Brasil fica em primeiro lugar nas exportações, seguido pelos Estados Unidos e União Europeia”, aponta o estudo.

O trabalho não avaliou os impactos do Acordo Mercosul – União Europeia, firmado em junho, em Bruxelas.

Embarques de produtos lácteos para China devem começar em agosto, diz ministra

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) prevê que os embarques de produtos lácteos brasileiros para a China devem começar em agosto. No último dia 23, o governo chinês habilitou 24 estabelecimentos brasileiros para exportação desses itens, como leite em pó, queijos, manteiga e leite condensado.

De acordo com a ministra, para iniciar as vendas, é preciso que o GACC (órgão chinês responsável pela vigilância sanitária) aprove uma lista de veterinários, que deve ser concluída na próxima semana e enviada ao governo chinês.

“Nós precisamos só credenciar veterinários, pois você precisa de uma lista de veterinários e da assinatura deles para os embarques”, explicou Tereza Cristina, em entrevista ao programa Bom Dia MS, em Campo Grande, da TV Morena.

Desde 2007, já havia certificação acordada com o país asiático, mas nenhuma planta brasileira estava habilitada a exportar. Os chineses são os maiores importadores do mundo de lácteos. Somente de leite em pó, o país compra 800 mil toneladas por ano, 200 mil toneladas a mais em comparação à produção do Brasil.

A ministra destacou que os chineses apreciam lácteos de outros países e a abertura de mercado será uma oportunidade de recuperação da indústria de laticínios do Brasil, que enfrenta queda de até R$ 0,30 no preço do litro de leite, e também a concorrência com os produtos da Argentina e do Uruguai, que entram no mercado brasileiro sem cobrança de tarifas.

“Imagino que, em agosto, já poderemos iniciar os embarques de produtos lácteos para a China. Isso vai ser muito bom para o mercado interno, que está vivendo uma crise enorme de preços baixos para o produtor”, afirmou. “Nós temos um primeiro momento de preparo, de aceitação do nosso produto na China, mas acho que temos uma janela de oportunidade enorme”, acrescentou.

Projeções

Com a abertura do mercado chinês, a Viva Lácteos – Associação Brasileira de Laticínios estima exportar US$ 4,5 milhões em produtos.

Em 2018, os chineses importaram, por exemplo, 108 mil toneladas em queijos, com um crescimento médio anual de 13% nos últimos cinco anos. O setor lácteo brasileiro exportou, no ano passado, para mais de 50 destinos.

Vietnã

Sobre a missão veterinária do Vietnã, que irá inspecionar frigoríficos brasileiros em agosto, Tereza Cristina destacou que a reabertura das exportações de carne bovina para os vietnamitas é um caminho importante para o ingresso das carnes brasileiras no mercado asiático, já que o principal interesse do Vietnã é a compra de boi em pé.

“Isso [exportação de boi em pé], através dos relatórios sanitários, facilita a entrada de carne”, destacou.

A ministra relembrou que a economia do Vietnã cresce 7% ao ano e o país tem um mercado consumidor de 100 milhões de habitantes.

Confira abaixo a lista dos estabelecimentos habilitados. As informações são do General Administration of Customs (China):

1 – Laticínios São João – São João do Oeste (SC) – queijo e manteiga

2 – Itambé Alimentos – Goiânia (GO) – leite em pó e manteiga

3 – Cooperativa Central Gaúcha – Cruz Alta (RS) – leite em pó e creme de leite

4 – Nutrifont Alimentos – Três de Maio (RS) – whey protein, soro de leite em pó e outros

5 – Itambé Alimentos – Sete Lagoas (MG) – leite em pó

6 – Celles Cordeiro Alimentos – Macuco (RJ) – leite em pó

7 – Itambé Alimentos – Uberlândia (MG) – leite em pó

8 – Laticínios Tirolez – Lins (SP) – queijo

9 – Aurea Indústria e Comércio – Braço do Norte (SC) – leite condensado

10 – Polenghi Indústrias Alimentícias – Angatuba (SP) – queijo e outros

11 – Mococa Produtos Alimentícios – Mococa (SP) – leite condensado e creme de leite

12 – Laticínios Bela Vista – Bela Vista de Goiás (GO) – leite em pó

13 – Alibra Ingredientes – Marechal Cândido Rondon (PR) – leite em pó, soro de leite em pó e outros

14 – Sooro Concentrado Indústria de Produtos Lácteos – Marechal Cândido Rondon (PR) – soro de leite em pó e whey protein

15 – Frimesa Cooperativa Central – Marechal Cândido Rondon (PR) – leite condensado e queijo

16 – Laticínios J.L. – Orizona (GO) – queijos

17 – Laticínios Tirolez – Tiros (MG) – queijo

18 – Laticínios Tirolez – Arapuá (MG) – manteiga

19 – Lactalis do Brasil – Ijuí (RS) – leite em pó, fórmula infantil, soro de leite em pó, queijos e outros

20 – Lactalis do Brasil – Teutônia (RS) – manteiga, leite em pó, fórmula infantil e outros

21 – Cooperativa Consulati – Capão do Leão (RS) – leite em pó

22 – Cooperativa dos Suinocultores de Encantado – Arroio do Meio (RS) – leite em pó

23 – Itambé Alimentos – Guanhães (MG) – leite em pó e manteiga

24 – Schreiber Foods do Brasil – Rio Azul (PR) – queijos e outros

Em dez anos, área plantada será ampliada em 10,3 milhões de hectares

O estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2018/19 a 2028/29 prevê que a área total plantada com lavouras no país passará de 75,4 milhões de hectares para 85,68 milhões, um acréscimo de 10,3 milhões de hectares em dez anos. A expansão se dará, principalmente, sobre pastagens naturais e áreas degradadas.

O grupo reúne os cultivos de algodão, arroz, feijão, milho, soja (grão), trigo, café, mandioca, batata inglesa, laranja, fumo, cana-de-açúcar, cacau, mandioca, uva, maçã, banana, manga, melão e mamão.

Produzido pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pela Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o estudo traz as perspectivas para produção, consumo, exportação, importação e área plantada no Brasil.

De acordo com o levantamento, a área cultivada de grãos (algodão, amendoim, arroz, aveia, canola, centeio, cevada, feijão, girassol, mamona, milho, soja, sorgo, trigo e triticale) saltará de 62,9 milhões de hectares para 72,4 milhões de hectares, o que corresponde a um acréscimo anual de 1,4%, ou 15,3% no período de 10 anos.

Na próxima década, o Brasil vai produzir 300 milhões de toneladas de grãos, ou seja, mais 62,8 milhões de toneladas (27%). O crescimento será principalmente com o aumento da produtividade das culturas.

Lavouras

As projeções apontam para o crescimento das seguintes lavouras: soja  (+ 9,54 milhões de hectares), milho segunda safra (+ 4 milhões de hectares) e cana-de-açúcar (+ 1,64 milhão de hectares). Haverá retração nas lavouras de arroz (-1 milhão de hectares), laranja (-100 mil hectares) e mandioca (-180 mil de hectares).

Conforme o estudo, as lavouras que irão perder área, como mandioca, café, arroz, laranja e feijão, serão compensadas por ganhos de produtividade. A expansão de soja e cana-de-açúcar ocorrerá “pela incorporação de áreas novas, áreas de pastagens naturais e também pela substituição de outras lavouras que deverão ceder área. A área de milho deve expandir-se sobre áreas liberadas pela soja, no sistema de plantio direto”.

> Veja as projeções para a produção

“Algumas incertezas são inerentes às características da agricultura e outras, como tensões nas relações comerciais e doenças, que podem afetar as lavouras e as criações, e eventos climáticos extremos, como chuvas, geadas e secas”, explica José Garcia Gasques, coordenador-geral de Avaliação de Políticas e Informação do ministério e um dos pesquisadores.

Entre as regiões do país, o Centro-Oeste terá a maior ampliação da área plantada no período, com crescimento de 26,5 milhões de hectares para 34 milhões de hectares, alta de 28,5%.

No Sul, o incremento será de 8%, de 19,5 milhões de hectares para 21 milhões de hectares. No Norte, o crescimento será de 19%, de 3 milhões de hectares para 3,6 milhões de hectares.

A região denominada Matopiba (formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e pela Bahia) “deverá apresentar aumento elevado da produção de grãos assim como sua área deve apresentar também aumento expressivo. As projeções indicam que essa região deverá produzir cerca de 28,7 milhões de toneladas de grãos em 2028/29 numa área plantada de grãos de 8,8 milhões de hectares ao final do período das projeções”, aponta o estudo.

Primeira etapa de vacinação contra aftosa tem 98% de cobertura

O Brasil atingiu 98,34% de cobertura vacinal (índice de imunização) na primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa, realizada em maio, conforme dados preliminares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Do rebanho de 197 milhões de bovinos e búfalos de todas as idades previstos para serem vacinados, foram imunizados 193,7 milhões. Os estados do Acre, Paraná e Espírito Santo vacinaram apenas os animais de até 24 meses. Pela primeira vez, foi usada a vacina com dose de 2 ml.

Apenas o Amapá e Santa Catarina não participaram da primeira etapa. Isso porque o Amapá aplica a vacina em todo o rebanho no segundo semestre e Santa Catarina deixou de vacinar em 2000, sendo a única unidade da federação reconhecida pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), em 2007, como livre da aftosa sem vacinação.

Segundo a chefe substituta da Divisão de Febre Aftosa do Mapa (Difa), Ana Vidor, a cobertura vacinal nessa primeira etapa de 2019 foi satisfatória, atinge os índices estabelecidos pelo Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) e demonstra também um comprometimento do setor produtivo em continuar combatendo a doença contra a qual vem lutando há muitos anos.

“Para que a gente consiga fazer uma retirada gradual da vacina é necessário que sejam executadas diversas ações, algumas de nível nacional, outras em nível estadual com participação do setor produtivo. É preciso comprometimento não só do Serviço Veterinário Oficial, mas também da cadeia produtiva incluindo o produtor rural”, explicou.

A partir de 1º de novembro, quase todos os estados vão iniciar a segunda etapa de vacinação dos animais jovens. Apenas os estados do Acre, Amapá e Espírito Santo irão vacinar o rebanho de todas as idades.

O Paraná prossegue suas ações para que não vacine mais o rebanho na campanha de novembro, mudança que dependerá do atendimento de ações pendentes e que estão previstas no plano estratégico do PNEFA.

Veja o calendário de vacinação contra a aftosa de 2019