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Marina Dias - Folhapress

Brasil - EUA - comércio - Ernesto Araújo

Brasil e EUA devem discutir medidas para ampliarem comércio

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, viaja a Washington nesta semana para negociar, entre outras medidas, ações de facilitação de negócios entre Brasil e EUA.

O movimento é considerado um passo anterior à abertura formal das tratativas de um acordo comercial mais abrangente entre os dois países.

A comitiva brasileira quer definir a data de uma visita de Donald Trump ao Brasil para anunciar oficialmente o início dessas negociações.

Araújo desembarca nesta quarta-feira (11) nos EUA e deve discutir com integrantes do governo americano medidas de simplificação de processos de importação e exportação, reduzindo burocracias e custos no trânsito de produtos.

Entre as propostas está a criação de um sistema que facilitaria a entrada de mercadorias de empresas pré-aprovadas por ambos os países.

Dessa forma, produtos de origem americana, por exemplo, passariam por um protocolo de liberação alfandegária antes da saída dos EUA, ao invés de aguardarem liberação da Receita Federal quando chegam ao Brasil.

O mecanismo -que funcionaria da mesma forma para itens brasileiros com destino aos EUA- seria baseado em uma espécie de autorização prévia de empresas consideradas confiáveis por departamentos dos dois governos.

Cada país já conta com um protocolo simplificado desse tipo. No Brasil, são os Operadores Econômicos Autorizados. Nos EUA, o programa tem o nome de Trusted Traders.

As negociações para que esses sistemas sejam reconhecidos e aplicados nos negócios bilaterais já começaram e a expectativa dos brasileiros é que o martelo seja batido até o fim deste ano.

As empresas participantes precisam demonstrar às autoridades que se adequam às regulações locais, incluindo regras tributárias, sanitárias e de segurança. Quem for beneficiado pode receber tratamento diferenciado, ficando sujeito a rotinas de inspeção mais simples e rápidas.

A previsão é que Araújo aprofunde esse e outros assuntos em conversas com representantes de comércio do governo Trump durante os três dias que pretende passar em Washington.

O chanceler deve se reunir com Wilbur Ross, secretário de comércio americano, Robert Lighthizer, representante para o comércio internacional dos EUA, e Larry Kudlow, conselheiro econômico da Casa Branca.

Na sexta-feira (13), Araújo tem encontro com o secretário de Estado, Mike Pompeo, para a retomada de um fórum bilateral para ampliar a parceria entre os países, chamado de Diálogo de Parceria Estratégica.

Segundo integrantes do Itamaraty, havia ainda a possibilidade de um encontro com o secretário de Segurança Nacional, John Bolton. Mas Bolton foi demitido no início da tarde desta terça (10) por Trump.

O ministro dará também uma palestra na Heritage Foundation, o maior think tank conservador dos EUA, alinhado ao governo Trump.

Medidas de redução da burocracia e custos de importação e exportação podem ajudar a pavimentar as negociações para o acordo comercial, já que são menos sensíveis que discussões sobre a redução ou isenção de tarifas.

Conforme publicou o jornal Folha de S.Paulo, não está previsto que haja eliminação total de impostos nas relações comerciais entre Brasil e EUA.

A avaliação é que a boa sinergia dos governos Jair Bolsonaro e Donald Trump não é suficiente para romper interesses políticos em barreiras históricas.

Apesar de o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter dito que o Brasil já começou a negociar com os EUA, as tratativas oficiais do acordo comercial ainda não foram lançadas. Nos EUA, o Congresso precisa dar o aval para que o USTR -representante comercial americano- inicie o trâmite formal. No Brasil, o Legislativo chancela o trato somente depois de firmado.

A expectativa é que a visita de Araújo comece a traçar a abrangência do possível acordo comercial, apesar de até os mais otimistas afirmarem que uma aliança dessa proporção não deva sair do papel em menos de cinco anos.

Medidas pontuais, porém, devem ser anunciadas, e pessoas envolvidas nas negociações afirmam que a imprevisibilidade de Trump e Bolsonaro pode acelerar o processo.

Até o fim do ano, por exemplo, o Brasil deve implementar uma cota para a importação de trigo -demanda antiga dos americanos.

O país também já se comprometeu a abrir mão do status de nações em desenvolvimento no âmbito da OMC.

Na semana passada, o Ministério da Economia brasileiro prorrogou por mais um ano a importação de etanol sem a tarifa de 20% para produtos fora do Mercosul e aumentou a cota de 600 milhões para 750 milhões de litros.

Trump comemorou e disse que a medida derivava “do tom das negociações em andamento entre a nação sul-americana e os EUA para um acordo comercial.”

O anúncio foi feito após visita de Araújo e do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) a Washington, no fim de agosto. Os dois se reuniram por meia hora com Trump, mas saíram sem fazer anúncios concretos.

Diplomatas brasileiros nos EUA avaliam, porém, que o encontro serviu para abrir novos caminhos para as negociações comerciais a partir de agora.

Além da visita de Araújo aos EUA, duas outras reuniões estão marcadas até o fim deste ano no Brasil para seguir a discussão –e definição– do escopo do possível acordo comercial.

Jair e Eduardo Bolsonaro - AI-5

Roteiro de Eduardo Bolsonaro em Washington tem jantar de US$ 1 mil

Ainda estava claro na sexta-feira (30) quando Eduardo Bolsonaro pediu que suspendessem o jantar na residência da embaixada do Brasil em Washington.

Trocou o terno azulado por calça jeans e camiseta e se acomodou no banco do passageiro de um táxi que dividiu com o secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini, e com o assessor especial da Presidência, Arthur Weintraub.

Passava das 19h, e o deputado e candidato a embaixador saía para jantar na capital americana após ter se reunido durante 30 minutos com Donald Trump.

Das cerca de 33 horas em que passou em Washington, a comitiva de Eduardo ficou duas na Casa Branca, em conversas com integrantes do Conselho de Segurança Nacional dos EUA e à espera do encontro com o presidente americano.

No resto do tempo, Eduardo, seus auxiliares e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, fizeram passeios e almoçaram em uma sala reservada de um dos restaurantes à beira do canal que leva ao rio Potomac.

Na região portuária revitalizada de Wharf, pagaram cerca de US$ 1.000 (R$ 4.000) para uma mesa de sete pessoas no Del Mar, do chef italiano Fabio Trabocchi.

Passaram quase três horas no segundo andar do restaurante, onde pediram quatro porções de paella –três grandes e uma pequena–, que, segundo o cardápio, alimentariam de 14 a 21 pessoas.

Beberam sangria e preferiram sair pela porta da cozinha, nos fundos, para tentar despistar a imprensa.

Segundo um dos funcionários do local, Eduardo afirmou que era “filho do presidente do Brasil” para justificar o uso da saída alternativa, escondendo-se dos cinco jornalistas que o aguardavam.

Não foi uma novidade para o staff do Del Mar. Outras autoridades já utilizaram o mesmo expediente.

A reportagem enviou um pedido ao Itamaraty para esclarecer os custos e o pagamento dos gastos da viagem.

Por volta das 13h30 deste sábado (31), ao deixar a embaixada para o almoço com a comitiva, o deputado não respondeu aos repórteres sobre qual havia sido seu passeio pela manhã ou qual seria seu destino na parte da tarde, e chegou a tuitar que a imprensa o estava “seguindo” a caminho do almoço.

O único compromisso oficial no sábado era uma entrevista de Ernesto Araújo à CNN espanhola, ao meio-dia, da qual Eduardo não participou.

Às 18h05, a comitiva seguiu para a base aérea de Washington, de onde voou de volta ao Brasil.

Depois da reunião no Salão Oval, na sexta, Eduardo não fez nenhum anúncio –ao contrário do que havia dado a entender seu pai horas antes do encontro com Trump–, mas mostrou o que queria: seu acesso ao presidente americano pode estar à distância de um telefonema.

O presidente Bolsonaro havia ligado para Trump na semana passada em meio à crise internacional reverberada com as queimadas na Amazônia.

Pediu que o mandatário americano levasse a posição do Brasil à reunião do G7 e impedisse que o presidente francês, Emmanuel Macron, capitalizasse qualquer proposta de solução aos incêndios na floresta.

De quebra, começou a costurar a reunião ocorrida na sexta entre seu filho e Trump.

Organizou-se então um bate e volta –com escala em Manaus– do avião da FAB. Ao lado de Eduardo, embarcaram Ernesto, Santini, Weintraub, Filipe Martins, assessor para assuntos internacionais da Presidência, e dois assessores –todos à mesa do almoço deste sábado.

A ideia inicial era voltar no mesmo dia, mas acabaram por esticar a viagem.

O encontro matutino de sexta, com o polemista Olavo de Carvalho e sua mulher, Roxane, virou um almoço tardio, pós-Trump, e, depois, Eduardo e Araújo se dividiram.

Enquanto o deputado saía com Santini e Weintraub, o ministro e Martins seguiram para um dos pubs da rede Elephant & Castle, por volta das 20h30 de sexta.

Junto aos assessores, sentaram-se no meio do bar vazio.

No sábado (31), pediram que o café da manhã fosse servido às 9h30 para, depois, separarem-se novamente.

Eduardo foi passear na cidade, e Ernesto, comprar livros. Martins não saiu da residência. Disse que estava gripado.

Na frente da embaixada, o deputado federal chegou a descer do carro para tirar foto com dois brasileiros que o esperavam.

Um deles disse que era de Maceió e que apoiava sua indicação para se tornar embaixador do Brasil nos EUA.

O presidente Bolsonaro ainda não enviou oficialmente ao Senado a indicação do filho para o cargo porque teme não conseguir os votos favoráveis da maioria dos 81 senadores.

Vestindo uma camiseta com a estampa de uma caveira pintada com a bandeira americana, Eduardo respondeu ao fã: “Vai ficar longe da praia do Gunga, mas vai ser uma missão importante”.

Serviços

Empreendedoras estudam mais para ganhar 22% menos, aponta Sebrae

Brasileiras abrem negócios tanto quanto os homens, mas ganham 22% menos e suas empresas fecham mais rápido. Os dados são do relatório do Sebrae sobre empreendedorismo feminino, apresentado nesta quinta (8), em evento em São Paulo.

Segundo o estudo, mulheres são cerca da metade dos empreendedores iniciais (com negócios de até 3,5 anos). Elas correspondem a 49% ou 11,9 milhões de empreendedores nesta etapa. Já entre os estabelecidos, cujos negócios estão consolidados, elas representam 43%.

As empreendedoras, apesar de serem mais escolarizadas, ganham 22% menos que os homens, com rendimento mensal médio de R$ 1.831.

Para a coordenadora nacional de empreendedorismo feminino do Sebrae, Renata Malheiros, um motivo que ajuda a explicar essa diferença é a maternidade e o papel da mulher na família.

“As mulheres dedicam 18% menos horas ao negócio do que os homens. Isso porque cuidam da família e das tarefas domésticas, é uma questão cultural. Isso toma muita energia e tempo delas.”

As empreendedoras dedicam em média 30,8 horas por semana ao seu negócio –para homens, esse tempo sobe para 37,5 horas. Ao mesmo tempo, 79% das empregadoras também fazem trabalho doméstico.

“Precisamos olhar a sobrevivência dessas empresas, porque a maioria dos negócios que fecham [no estado de SP]é de mulheres. Então, essa coisa de dizer que está tudo certo, ‘agora é a vez delas’, não é assim”, disse Junia Nogueira, da Rede Mulher Empreendedora.

Outra diferença é que a parcela de negócios por necessidade é maior entre as mulheres –44%, contra 32% para homens. Isso significa que elas empreendem para fugir do desemprego ou porque não têm alternativa de renda, segundo Malheiros.

“Nesses casos, a pessoa não se planeja, é precário. Já o empreendedorismo de oportunidade, a pessoa vê uma chance de negócio, busca informação, se prepara. Esse é o empreendedorismo que precisa subir no Brasil.”

De acordo Malheiros, as empresas costumam empurrar as mulheres para o empreendedorismo, porque muitas são demitidas após a maternidade ou buscam horários mais flexíveis para conciliar com a família.

A coordenadora do Sebrae destaca ainda outros fatores que podem pesar para o sucesso das empresas lideradas por mulheres, como a confiança e as barreiras culturais.

“As crenças limitantes são aquelas coisas que colocam na nossa cabeça ainda na infância, de que certas áreas não são para a mulher. Isso influencia as nossas escolhas e trajetórias.” Ela cita a ideia de que as mulheres seriam piores em matemática.

“É muito comum ver empreendedoras que delegam o setor financeiro da sua empresa para o marido ou para um contador. E o financeiro é o coração da empresa.”

Malheiros afirma que mulheres empreendedoras tendem a ser menos confiantes do que homens nas mesmas posições. Apesar de terem conhecimento técnico por serem mais escolarizadas, elas precisam melhorar as competências socioemocionais, defende Malheiros.

“Nós mulheres temos muito a avançar nas soft skills, como a capacidade de falar em público, fazer networking, defender uma ideia. É contraintuitivo, porque as as mulheres são vistas como mais empáticas. Sim, elas em geral são, mas essa não é uma competência muito valorizada no mercado de trabalho”.

Ela cita dificuldades para participar de encontros sociais relacionados ao trabalho. “Quantas vezes eu já ouvi colegas perguntarem: ‘você vai no happy hour depois do trabalho? Eu não queria ser a única mulher lá’. Por que isso é um problema?”

Um bar ou um almoço podem ser impedidos por certos estereótipos, afirma ela. “Coisas simples como tomar uma cerveja depois do trabalho são barradas porque a mulher tem um marido ciumento ou um filho pequeno esperando em casa. Ou ela tem medo de convidar um colega homem e ele achar que ela está paquerando”, conta.

A desvantagem também aparece no acesso ao crédito. Apesar dos índices de inadimplência mais baixos, as empreendedoras recebem empréstimos com valor médio de cerca de R$ 13 mil a menos, e com juros mais altos, de 3,5 pontos percentuais.

dfamares bolsonaro

Damares defende indicação de Eduardo Bolsonaro: “é um menino culto”

Em viagem aos Estados Unidos, a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) defendeu nesta terça-feira (16) a virtual indicação de Eduardo Bolsonaro ao cargo de embaixador do Brasil em Washington e disse que o presidente Jair Bolsonaro terá “capacidade de discernimento e inteligência” para fazer a escolha.

Desde a semana passada, quando o presidente afirmou que nomearia o filho para o cargo de maior prestígio da diplomacia brasileira no exterior, oposição e aliados -inclusive o escritor Olavo de Carvalho, guru ideológico do governo- têm criticado a possível indicação.

Damares, por sua vez, afirmou em entrevista a uma rádio de Miami que Eduardo é “um menino culto e inteligente”, considerado por ela uma das pessoas “mais capacitadas do Brasil”.

Acrescentou ainda que não há nepotismo caso o movimento se concretize -defensores da medida afirmam que uma indicação política não se enquadra nesse quesito.

“Primeira coisa que temos que falar é que não existe nepotismo nessa indicação. Segundo, é possível um civil que não seja da carreira diplomática ser embaixador? Claro que é. A lei prevê isso.

Terceiro, e se ele for indicado, o presidente está errando? O presidente está escolhendo uma das pessoas mais capacitadas no Brasil”, afirmou Damares à Nossa Rádio USA.

“Estou tranquila com a decisão do meu presidente, seja qual for a decisão que ele tomar, acredito na capacidade de discernimento e na inteligência do meu presidente. E vou parar por aqui: a decisão que o presidente tomar, terá meu aplauso”, completou.

A ministra cumpre agenda em Miami antes de seguir, nesta quarta-feira (17), para a capital americana, onde participa de um evento sobre liberdade religiosa promovido pelo Departamento de Estado dos EUA com autoridades de todo o mundo.

Ainda em defesa de Eduardo, Damares disse que o deputado passou no vestibular de uma universidade federal [UFRJ] e no concurso da Polícia Federal e fala três idiomas.

Como não é diplomata de carreira, Eduardo é alvo de críticas públicas e veladas de integrantes do Itamaraty e ex-embaixadores.

“Um jovem extremamente preparado, menino culto, inteligente, um parlamentar extremamente bem avaliado e hoje na CRE [Comissão de Relações Exteriores] não é uma pessoa que vai entrar nesse universo sem conhecer as relações exteriores”, afirmou a ministra.

O presidente segue na defesa do nome do filho para o posto em Washington. Ele tem o aval do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, mas encontra resistência no Senado.

O nome de Eduardo precisa ser aprovado pelos parlamentares antes de ser oficializado. Aliados do Planalto dizem que o clima não é extremamente positivo para o deputado no Congresso.

Na Embaixada do Brasil nos EUA e mesmo entre parlamentares americanos aliados ao governo Bolsonaro o sentimento é de espera.

Sabem que o modo de governar do presidente muitas vezes é no impulso e no improviso e que a nomeação de Eduardo só deve ser levada a sério quando for publicada no Diário Oficial da União.

Bolsonaro ‘não acredita totalmente’ no que fala sobre nazismo, diz Mourão

Apresentado mais uma vez nos EUA como voz moderada do governo brasileiro, o vice-presidente Hamilton Mourão precisou explicar declarações controversas de Jair Bolsonaro em entrevista ao jornal americano The Washington Post publicada nesta segunda-feira (15).

Questionado sobre o discurso do presidente em relação ao nazismo, por exemplo, o vice afirmou que muitas vezes o presidente se utiliza de “expressões fortes” para tratar de temas com carga ideológica e que “não acredita totalmente” quando diz que o movimento de Adolf Hitler na Alemanha pode ser considerado de esquerda.

Segundo Mourão, que esteve nos EUA na semana passada para uma série de compromissos considerados de contraponto ao presidente, Bolsonaro quis endossar a ideia de seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para que ele “não ficasse sozinho” na defesa dessa tese.

Em visita a Israel, no início de abril, Bolsonaro afirmou que “não há dúvidas” de que o nazismo foi de esquerda.

>>> ‘Não sou economista, já falei que não entendia de economia’, diz Bolsonaro após intervir no preço do diesel

Antes disso, o chanceler havia dito que era possível ver “semelhanças e proximidades entre esses movimentos nazistas da Europa da metade do século 20 e movimentos de extrema esquerda” -a tese é contestada pela maioria dos historiadores, incluindo os especialistas do memorial que documenta o extermínio de 6 milhões de judeus pelos nazistas.

“Algumas vezes ele usa expressões fortes”, disse o vice sobre o presidente, acrescentando que Mourão diz que a declaração de Bolsonaro em Israel sobre o nazismo e a esquerda foi feito “talvez para fazer com que [Ernesto] Araújo -quem fez originalmente o comentário- ‘não se sentisse sozinho'”.

“Mourão sustentou que Bolsonaro provavelmente ‘não acredita totalmente’ na linha que ele pareceu endossar”, diz a reportagem.

À época da fala do presidente e seu ministro, o vice se contrapôs ao discurso de ambos ao dizer que “de esquerda é o comunismo. Não resta a menor dúvida”.

Mourão tenta desfazer a ideia de que está se comportando como um antagonista dentro do governo e, apesar de admitir que Bolsonaro seguiu por um “caminho errado” nesse debate, questões sobre direita e esquerda, ele defende, “precisam ficar para trás”.

“Eu acho que ele [Bolsonaro] queria marcar uma posição, mas talvez tenha ido pelo caminho errado”, declarou o vice ao The Washington Post. “Mas essas são coisas do passado. Nós temos que entender que nesse novo mundo no qual estamos vivendo essas questões sobre direita e esquerda precisam ficar para trás”.

Mourão também foi questionado pela publicação dos EUA sobre os comentários do presidente em relação ao golpe de 1964 no Brasil -que Bolsonaro não considera um golpe. O presidente estimulou celebrações no país para marcar os 55 anos do início da ditadura.

Segundo o vice, a opinião do presidente é “simplesmente sobre história” para satisfazer alguns integrantes de sua base que podem ter nostalgia por aquela época. Ele acrescentou ainda que o governo está “marchando em um bom caminho” para a implementação de mudanças, incluindo a reforma da Previdência, leis sobre segurança pública e maior desregulamentação da economia.

De acordo com o jornal americano, Mourão está “longe do nacionalismo acalorado que caracterizava a campanha eleitoral de Bolsonaro”, principalmente sobre questões contra minorias, e insiste que a verdadeira crença do governo é o liberalismo.

A publicação cita as opiniões do vice sobre evitar uma guerra comercial com a China e uma possível intervenção militar na Venezuela -ao contrário de Bolsonaro, que já flertou com ambas as ideias em uma tentativa de alinhamento automático com o governo americano de Donald Trump.

Luciano Huck - Presidenciável - Eleições 2022 - Candidato

Huck critica ministro da Educação e diz que armar população ‘só vai matar mais gente’

O apresentador Luciano Huck criticou nesta sexta-feira (5) o ministro da Educação, Ricardo Vélez, ao falar sobre a necessidade de colocar em prática boas ideias em institutos e fundações de ensino no país.

Segundo Huck, há muitas pessoas legais discutindo educação no Brasil, mas esse não é o caso do ministro do governo de Jair Bolsonaro.

“Quando você conversa com pessoas, institutos e fundações, tem tanta gente legal, é só colocar em prática. Não é o que a gente está vendo do nosso ministro da Educação [Ricardo Vélez]. Não vou entrar em política, mas essa não dá”, afirmou Huck durante a Brazil Conference, em Boston, nos EUA.

Também nesta sexta, em Brasília, Bolsonaro indicou que Vélez deve deixar o cargo na próxima segunda-feira (8), após ser o centro de diversas polêmicas nas últimas semanas.

“Está bastante claro que não está dando certo. Ele é bacana e honesto, mas está faltando gestão, que é coisa importantíssima”, disse o presidente durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto. A Folha estava entre os convidados.

O apresentador da Rede Globo cogitou se lançar candidato à Presidência da República no ano passado, mas desistiu de entrar na disputa que elegeu Bolsonaro.

Nesta sexta, ele foi um dos nomes que abriu o evento organizado por alunos brasileiros das universidades de Harvard e do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e, mais uma vez, não descartou entrar na vida política.

“Quando a gente abre a caixinha de pensar políticas públicas é difícil voltar atrás”, afirmou. Para ele, é preciso “derrubar os muros ideológicos” e “servir o país nem que seja por um tempo”.

“Tem que derrubar os muros ideológicos, a gente tem que conversar, tem que ouvir o diferente, construir novos modelos econômicos que sejam adequados e coerentes para o tempo que estamos vivendo”.

O discurso de Huck foi recheado de recados, inclusive contrários a políticas defendidas pelo atual governo. Ele disse que não é possível fugir da discussão sobre redução da desigualdade no Brasil e que armar a população não vai resolver os problemas de violência, mas sim “só matar mais gente”.

“Isso [armar a população] não vai resolver problema nenhum de violência, vai só matar mais gente”, disse Huck.

O governo Bolsonaro aprovou no início do ano decreto que facilita a posse de armas no país –e discute ampliar o porte em diversos casos.

Segundo o apresentador, as pessoas “fazem cara feia” quando ele fala sobre reduzir a desigualdade mas é preciso reduzir a extrema pobreza no país.

Huck afirmou ainda que apoia “boa parte das teses liberais de economia”, mas que elas, sozinhas, não vão trazer soluções. Na sua avaliação, as elites não querem colocar a mão no bolso para ajudar a resolver os principais problemas socioeconômicos do Brasil.

“Apoio boa parte das teses liberais da economia, mas essas teses, por si só, da Faria Lima e Leblon [referência a regiões de classe média alta em São Paulo e no Rio], não vão puxar para dentro da sociedade a Dona Marlene, que mora no Sertão do Cariri [CE]”.

“O capitalismo é incrível, mas é que nem uma fera, um leão, se você não dominá-lo corretamente, ele vai nos devorar.”

Slogan de Temer também não custou nada, diz ex-chefe da Secom

Jair Bolsonaro e aliados anunciaram na noite desta sexta-feira (4) a economia de mais de R$ 1,4 milhão com a criação e divulgação do slogan do seu governo, na linha de seu discurso de campanha de prometer rigor absoluto com os gastos públicos.

A equipe de comunicação do antecessor Michel Temer, porém, afirma que também não gastou recursos com o lançamento do slogan e da logomarca do emedebista, em maio de 2016, e que desconhece o valor ecoado pelo atual presidente da República como economia com a mesma ação.

“Não custou nada quando lançamos o ‘Ordem e Progresso’. Elsinho [Mouco, publicitário de Temer e do MDB] fez a logo e doou para o governo”, afirmou à reportagem Márcio de Freitas, chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência) durante a gestão emedebista.

“Usamos depois na publicidade normalmente, sem lançar marca ou fazer qualquer ação específica, além da divulgação à imprensa”, completou.

Bolsonaro lançou em suas redes sociais nesta sexta o slogan “Pátria Amada Brasil” como marca do Planalto, reforçando o discurso nacionalista explorado por ele durante toda a campanha eleitoral e após a eleição.

A frase é acompanhada por uma imagem estilizada da bandeira do país, na qual o círculo central se assemelha ao nascer do sol.

O novo presidente afirmou que a idealização da logomarca e do bordão foi feita pela Secom e celebrou o “custo zero” da ação, por ter sido divulgada pela internet.

“A parte mais importante é que a divulgação está sendo lançada na internet com custo zero, economizando mais de R$ 1,4 milhão aos cofres públicos se fosse realizada pelos canais tradicionais de televisão”, escreveu.

O chefe da Secom de Temer, porém, afirmou que não sabe de onde Bolsonaro tirou esse valor.

“Usamos a ‘free mídia’ naquela oportunidade. Não nos custou nada, nem fizemos filme específico para isso. É uma questão apenas de estratégia”, disse Freitas.

Pessoas familiarizadas com a divulgação de conteúdo afirmam que a equipe de Bolsonaro pode ter feito um levantamento de valores para veicular a campanha em grandes emissoras de TV, por exemplo, o que não é comum nesse tipo de ação institucional -um filme de 30 segundos, por exemplo, pode custar até R$ 500 mil para ser divulgado em um canal de TV.

Questionada sobre os detalhes do cálculo divulgado por Bolsonaro, a assessoria do Palácio do Planalto não respondeu até a publicação desta reportagem.

O slogan de Temer também era baseado na bandeira do Brasil e seus dizeres, na esteira das manifestações verde e amarelas que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

Bolsonaro foi eleito com uma campanha de declarado baixo custo, baseada na divulgação de informações pelas redes sociais.

Sua retórica de corte de gastos e ajuste fiscal marcou também a fase de transição e o início do governo, com a redução do número de ministérios e a divulgação de uma espécie de pente-fino nos atos dos últimos 60 dias do governo Temer.

As ações, no entanto, ainda não têm nenhum efeito prático de economia no funcionamento da máquina pública, até porque os ministérios extintos tiveram boa parte de sua estrutura absorvida pelas novas pastas.

PT é pego de surpresa e avalia que Toffoli pode suspender decisão

Gabriela Sá Pessoa

A cúpula do PT e os advogados do ex-presidente Lula foram pegos de surpresa nesta quarta-feira (19) com a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), de soltar presos condenados em segunda instância, mas avaliam que o presidente da corte, Dias Toffoli, pode tentar suspender os efeitos da liminar do colega.

Os petistas acreditam que o Ministério Público Federal vai recorrer o quanto antes da decisão de Marco Aurélio, o que poderia provocar Toffoli a suspender os efeitos da liminar -mantendo, assim, os presos na cadeia- e levar o caso ao plenário somente no ano que vem. O Judiciário entra em recesso nesta quinta-feira (20). Até o dia 13 de janeiro, Toffoli e o ministro Luiz Fux vão se revezar em esquema de plantão no STF.

Marco Aurélio concedeu nesta quarta liminar ao PC do B suspendendo a prisão de condenados em segunda instância, o que beneficiaria Lula, preso desde abril em Curitiba.
Ainda há dúvidas sobre como e se a decisão de Marco Aurélio pode ser revista, mas a defesa do ex-presidente se apressou para peticionar à Justiça Federal no Paraná a soltura de Lula, abrindo mão, inclusive, do exame de corpo de delito.

A avaliação é que ele deve sair da carceragem da Polícia Federal antes que a decisão de Marco Aurélio possa ser suspensa por Toffoli, por exemplo.
O temor entre os petistas é que a demora para que Lula saia da prisão dê tempo para recursos e se repita o imbróglio de julho deste ano, quando um desembargador do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) mandou soltar o ex-presidente, mas teve a decisão revista pelo presidente da corte, Carlos Eduardo Thompson Flores.

O deputado federal do PCdoB Orlando Silva (SP) comemorou a decisão de Marco Aurélio, classificando-a como “grande conquista para a reposição dos direitos e garantias constitucionais”.
A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que o partido já solicitou à Justiça a expedição do alvará de soltura. Segundo ela, o pedido feito nesta tarde dispensa a realização de um exame de corpo de delito.

“Acabamos de peticionar a solicitação do alvará de soltura para Lula. Abrimos mão do exame de corpo de delito. #LulaLivre hoje”, publicou Gleisi no Twitter.
O deputado federal Paulo Teixeira (SP), vice-presidente nacional do PT, disse à Folha que considera a decisão do ministro justa e afirmou que o partido se reunirá na tarde desta quarta-feira, em Brasília, para discutir a liminar.

“Acho correta a decisão do Marco Aurélio, tendo em vista que segue ipsis litteris a Constituição. Essa decisão é a letra da Constituição”, afirmou. Por essa razão, disse, a liminar “será bem recebida”. Ele também afirma que a prisão de Lula, segundo ele “com características políticas e eleitorais”, poderá ser analisada por tribunais superiores.

“A prisão do presidente Lula é política, foi realizada por um adversário político [o ex-juiz Sergio Moro] que se afastou da magistratura para ocupar um ministério [no governo de Jair Bolsonaro].”
Opositores de Lula reagiram negativamente. Aliados do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), usaram redes sociais para criticar a medida de Marco Aurélio e pedir sua suspensão.

Impasse em reunião do PT adia definição sobre rumos do partido

Após quase dez horas de reunião em Brasília, a cúpula do PT não conseguiu acordo nesta sexta-feira (30) para elaborar um texto que sirva de base para os novos rumos do partido.

Diante do impasse, que acirrou ânimos e causou divergências além das habituais entre petistas, as correntes da sigla devem se reunir mais uma vez na manhã deste sábado (1) para tentar fechar um documento consensual de avaliação do cenário político e as novas estratégias de oposição a Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo relatos de dirigentes, o texto preliminar, elaborado por uma comissão de nove petistas egressos das diferentes forças partidárias, não foi aceito pelas correntes CNB (Construindo um Novo Brasil), majoritária, e Movimento PT. As duas alas, com representantes no grupo que escreveu o documento inicial, decidiram produzir novos textos, o que gerou desconforto entre os demais correligionários.

Geralmente, o texto base é elaborado por um grupo do comando petista e distribuído para os integrantes do Diretório Nacional da legenda às vésperas da reunião, para que os grupos possam sugerir alterações até o dia do encontro.

Nesta sexta, porém, o texto preliminar, que trazia críticas à política econômica do segundo governo de Dilma Rousseff, causou incômodo em integrantes da sigla -e a própria ex-presidente precisou fazer uma defesa pública de sua gestão.

Já no final do dia, levantou-se uma proposta para que os três textos fossem colocados em votação -o da comissão, o da CNB e o do Movimento PT-, e o vencedor serviria de base para as modificações. Mas a ideia foi rechaçada pelas demais correntes.

A avaliação é que deslegitimar a comissão abriria um precedente ruim no partido.

As duas correntes que querem apresentar o texto alternativo ficaram de unificar suas redações e divulgar, na manhã deste sábado, um novo documento.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, as principais divergências eram sobre a autocrítica em relação ao governo Dilma.
A ideia era restringir o discurso do partido à avaliação eleitoral e ao papel como oposição a Bolsonaro, mas nem todos concordavam.

Presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), chegou a minimizar o impasse e dizer que o texto da comissão era “muito longo” porque abarcava “diversos temas”.

Queremos um texto que se situe mais na avaliação do processo eleitoral e nas características do governo Bolsonaro e na nossa posição, no que vamos fazer. Não queremos um texto que analise os governos anteriores”, afirmou a jornalistas antes do fim da reunião.

O comando da legenda tem sido cobrado por correntes mais à esquerda e também por aliados a fazer uma autocrítica alentada sobre os erros dos últimos anos, mas resiste em executá-la de forma pública.

Haddad se diz “esperançoso” com sentimento nas ruas

O candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, votou pouco antes das 10h30 deste domingo (28) em uma escola na zona sul de São Paulo ladeado por apoiadores que, com flores e guarda-chuvas coloridos, cantavam e gritavam palavras de ordem de apoio ao petista.

Alguns opositores, moradores de prédios vizinhos ao colégio eleitoral, saíram nas suas varandas e bateram panela em oposição ao herdeiro de Lula.

Haddad disse estar “esperançoso” com o que chamou de uma “forte tendência de alta” nas pesquisas. Segundo o petista, há muita gente nas ruas “para defender o Brasil e a democracia”.
“Sinto nas ruas do Brasil muita militância cidadã, cidadãos comuns indo às ruas para defender o Brasil e a democracia”, disse o presidenciável. “Estamos com uma forte tendência de alta, estou muito esperançoso de que vamos ter um grande resultado hoje à noite”, completou.

Haddad aposta no discurso de que é possível reverter a vantagem de dez pontos que seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), tem sobre ele de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (27).

Os dados mostram o capitão reformado com 55% dos votos válidos contra 45% de Haddad -a diferença caiu de 18 para 10 pontos em nove dias.

“Meu sentimento é que hoje o que está em jogo é a democracia no Brasil. O país está numa encruzilhada e o projeto de nação que representamos ganhou as ruas nessa última semana”, afirmou Haddad.

Antes de votar, o candidato do PT participou de um café da amanhã com dirigentes petistas e aliados. Deve passar parte da tarde em casa, com a família, e acompanhar a apuração em um hotel na zona sul da capital paulista.